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A FRAUDE CONTINUA

Rede de postos usa engenharia financeira para ocultar sócios e evadir impostos na Bahia

Postos da antiga Lubrijau são geridos por ‘empresária’ sem patrimônio e beneficiária do INSS

Redação
Por Redação
Posto Powerline às margens da BR 324, trecho de São Sebastião do Passé.
Posto Powerline às margens da BR 324, trecho de São Sebastião do Passé. - Foto: Reprodução

Postos de combustíveis ligados ao empresário Jailson Ribeiro, conhecido como Jau, preso há menos de 4 meses na Operação Primus, continuam operando normalmente em vários municípios baianos. Pelo menos 15 deles ostentam a bandeira Powerline, todos geridos pela Powergest.

O que poderia ser apenas uma mudança de gestão levanta suspeitas. A principal administradora da Powergest, Maria Ravena Leite Carvalho, tem 39 anos, não possui sequer um veículo em seu nome e desde 2019 e recebe um salário mínimo por mês do INSS, na modalidade BPC, Benefício de Prestação Continuada.

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O benefício é pago para idosos com mais de 65 anos que não possuem contribuição mínima ao INSS e que tenham renda per capita de um quarto do salário mínimo, ou R$ 405. O valor também é pago a pessoas abaixo dos 65 anos, desde que se enquadrem no critério de renda e comprovem alguma deficiência.

A casa (cinza) na cidade de Mauriti, no sul cearense, apontada como endereço de Maria Ravena, 'megaempresária' do ramo de combustíveis.
A casa (cinza) na cidade de Mauriti, no sul cearense, apontada como endereço de Maria Ravena, 'megaempresária' do ramo de combustíveis. - Foto: Reprodução

Informações que contrastam com o perfil das empresas das quais Maria Ravena estaria à frente. Os 15 postos listados repassaram a gestão de suas operações à Powergest entre março e outubro do ano passado. Juntas, as empresas reúnem um capital social de R$ 1,55 milhão.

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Enquanto isso, Maria Ravena, a responsável por gerir todas essas empresas, tem endereço declarado em uma modesta casa em Mauriti, no sul do Ceará. A sede da Powergest está em Feira de Santana, num edifício comercial.

Empresa fantasma

A sala que deveria abrigar a administração da rede funciona como escritório virtual e abriga reuniões por agendamento. Outro endereço, em Conceição do Jacuípe, é um casarão antigo e aparentemente abandonado.

Edifício empresarial onde fica a sala utilizada pela Powergest como endereço virtual, em Feira de Santana.
Edifício empresarial onde fica a sala utilizada pela Powergest como endereço virtual, em Feira de Santana. - Foto: Reprodução

Todos os postos repassados à Powergest eram de propriedade de Jailson Ribeiro e não há nenhum registro de venda no processo de aquisição societária. O que indica substituição da já inativa rede Lubrijau pela empresa, aparentemente fantasma e supostamente comandada por uma administradora ‘laranja’.

Apenas dois postos permanecem em nome de Jau, o posto Lec, em São Sebastião do Passé, e o Maria Bonita, em Candeias. Além dessas cidades, os postos Powerline estão presentes em Lauro de Freitas, Alagoinhas, Feira de Santana, Mata de São João, Camaçari e Cruz das Almas.

Acesso remoto

As investigações de irregularidades, que incluem sonegação, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, seguem a todo vapor. No último dia 28 de janeiro, a Operação Acesso Remoto, da Polícia Civil, mirou em postos da Região Metropolitana de Salvador (RMS) e cumpriu sete mandados de busca e apreensão nos municípios de Lauro de Freitas e Simões Filho.

Investigações baseadas em representação do Ministério Público junto à Delegacia de Defesa do Consumidor (DECON), apontaram a existência de uma organização criminosa voltada à adulteração de combustíveis por meio da instalação de mecanismos eletrônicos subterrâneos, acionados remotamente. Segundo a apuração, os dispositivos permitiriam a manipulação do volume e da composição química dos produtos comercializados.

Primus

A Operação Acesso Remoto é um dos desdobramentos da Operação Primus, deflagrada em outubro do ano passado, que levou à prisão Jailson Couto Ribeiro, conhecido como Jau. As investigações apontaram que pelo menos 200 postos de combustíveis seriam ligados ao PCC e atuavam sob a bandeira da Shell, num esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

O Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro solicitou ao Poder Judiciário o bloqueio de bens móveis e imóveis, além de valores dos investigados, totalizando R$ 6,5 bilhões.

Operação Tô de Olho

Na primeira semana de fevereiro, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) deflagrou a Operação Tô de Olho – Abastecimento Seguro. Durante os três dias de fiscalização no estado, o Instituto Baiano de Metrologia (Ibametro) vistoriou 513 bicos de abastecimento em postos de combustíveis e 218 foram reprovados. Houve 28 interdições e 26 autuações.

Já a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou 91 testes de qualidade de combustível em 21 postos baianos durante os três dias de operação. A ação resultou em 8 autos de infração por desconformidade com os parâmetros legais de qualidade e na coleta de 5 amostras para exame laboratorial, que verificarão se os combustíveis comercializados atendem às especificações técnicas exigidas pela legislação.

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Tags

Bahia combustíveis corrupção lavagem de dinheiro Operação Primus

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