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Cacique Raoni recebe cuidados paliativos após diagnóstico de câncer

Líder indígena passa a receber cuidados paliativos em casa

Isabela Cardoso
Por
Cacique Raoni permanece perto da família e de seu povo
Cacique Raoni permanece perto da família e de seu povo - Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, recebeu diagnóstico de câncer no aparelho digestório e passou a receber cuidados paliativos em casa, em Peixoto de Azevedo, a 692 quilômetros de Cuiabá. O Instituto Raoni divulgou a informação nesta segunda-feira, 14.

Exames confirmaram um adenocarcinoma pouco diferenciado. Por causa da idade, das condições clínicas e dos riscos de tratamentos mais agressivos, as equipes médicas recomendaram uma abordagem voltada aos cuidados paliativos.

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Raoni permanece perto da família e de seu povo. Uma estrutura de assistência domiciliar garante o acompanhamento médico e os cuidados necessários.

Segundo o Instituto Raoni, a indicação de cuidados paliativos não representa o fim do tratamento. A assistência busca controlar a dor e outros sintomas, prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.

O atendimento inclui alimentação, hidratação, consultas médicas, enfermagem e fisioterapia.

Assistência respeita cultura Mẽbêngôkre

O cuidado com o cacique também considera aspectos espirituais e culturais. Raoni é pajé e recebe a presença e a assistência de outros pajés de sua confiança.

De acordo com o instituto, a equipe respeita a cultura Mẽbêngôkre, a língua, as escolhas e as referências espirituais do líder indígena.

A família e o Instituto Raoni organizaram a assistência em Peixoto de Azevedo com apoio de serviços públicos de saúde, profissionais parceiros e equipes especializadas.

Tumor provocou obstrução intestinal

O diagnóstico ocorreu após uma sequência de problemas de saúde ao longo de 2026. Em junho, Raoni sofreu uma grave obstrução intestinal provocada pelo tumor. A situação exigiu uma transferência de emergência para São Paulo.

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O cacique foi levado ao Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde passou por uma gastroenteroanastomose. O procedimento criou uma nova passagem para os alimentos e buscou melhorar a alimentação e o conforto do paciente.

Após a cirurgia, exames confirmaram o câncer.

Cacique teve outras internações

Em 15 de junho, Raoni foi internado na UTI do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT), depois de passar mal na aldeia onde morava.

Segundo o hospital, os exames apontaram alterações na função renal e sinais compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica foi sepse com foco pulmonar.

Um mês antes, Raoni havia sido internado na mesma unidade por fortes dores abdominais provocadas por uma hérnia antiga. Ele recebeu alta após dois dias, mas voltou ao hospital cinco dias depois para tratar uma pneumonia. A segunda internação durou mais sete dias.

Na época, o hospital informou que o líder indígena tinha múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso e insuficiência cardíaca.

Histórico de saúde inclui cirurgia cardíaca

Em setembro de 2022, Raoni ficou cinco dias internado em Sinop após apresentar um problema cardíaco. Ele passou por uma cirurgia para implante de marcapasso e depois permaneceu alguns dias em Colíder antes de retornar à aldeia.

Em julho de 2020, o cacique foi internado em Colíder após passar mal. Depois, precisou de transferência aérea para Sinop por causa de complicações gastrointestinais e desidratação.

Em setembro daquele ano, Raoni voltou ao hospital após receber diagnóstico de pneumonia da equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. Ele recebeu alta nove dias depois.

Na mesma época, o cacique apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher, Bekwyjkà Metuktire.

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cacique Raoni Povos Indígenas Saúde

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