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ESTATÍSTICA

Estas dezenas foram as mais sorteadas na história da Mega-Sena; vale apostar nelas?

Levantamento do A TARDE testa se o histórico ajuda a alcançar o prêmio milionário.

Lívia Oliveira
Por
| Atualizada em
A TARDE analisou 3.059 concursos para identificar as dezenas mais sorteadas da Mega-Sena.
A TARDE analisou 3.059 concursos para identificar as dezenas mais sorteadas da Mega-Sena. - Foto: Depositphotos

Escolher uma data de aniversário, repetir os números mais sorteados ou evitar dezenas que saíram em resultados recentes são táticas comuns para quem faz apostas da Mega-Sena. Por trás de escolhas tão diferentes, existe uma tentativa em comum: encontrar um padrão que ajude a decidir os números para colocar no volante.

O caminho de recorrer ao próprio histórico da Mega-Sena é bem tentador, afinal são mais de três décadas de existência dessa modalidade de aposta disponível para colocar a teoria à prova. Será que apostar nas dezenas que foram sorteadas mais vezes ao longo dos anos faz alguma diferença?

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Para investigar a pergunta, A TARDE analisou os 3.059 concursos realizados entre 11 de março de 1996 e 17 de setembro de 2026, a partir da base histórica de resultados disponibilizada no site oficial das Loterias Caixa. Ao todo, foram consideradas 18.354 dezenas sorteadas.

Quais números mais foram sorteados na Mega-Sena?

Existe, de fato, um campeão histórico. Entre os 3.059 concursos analisados, a dezena 10 apareceu 356 vezes, mais do que qualquer outra da Mega-Sena. Isso significa que esteve presente em aproximadamente 11,64% de todos os sorteios do período.

Na sequência aparece o número 53, sorteado 349 vezes, equivalente a 11,41% dos concursos.

Considerando os empates de frequência, as dezenas que mais apareceram na base analisada foram:

  • 10: 356 vezes;
  • 53: 349 vezes;
  • 05: 332 vezes ;
  • 37: 329 vezes ;
  • 27 e 33: 328 vezes cada um;
  • 30 e 42: 326 vezes cada um;
  • 17, 32 e 38: 325 vezes cada um.

Na outra ponta está a dezena 26, que apareceu somente 250 vezes no mesmo período. Depois vêm o 21, com 261 ocorrências, e o 55, com 263.

O número 10 tem mais chance de sair novamente?

Não. Em um sorteio da Mega-Sena são retiradas seis dezenas dentre 60. Antes de o sorteio acontecer, qualquer número específico tem a mesma probabilidade de integrar o resultado. Para uma dezena individual, essa probabilidade é de 6 em 60, ou 10%.

O fato de o número 10 ter aparecido 356 vezes no passado não altera as condições físicas do próximo sorteio. Da mesma forma, as 250 aparições do 26 não criam uma espécie de dívida estatística que precise ser compensada.

Se os 3.059 concursos fossem perfeitamente distribuídos entre as 60 dezenas, cada número teria aparecido aproximadamente 306 vezes. Na prática, oscilações para cima e para baixo são esperadas em sequências aleatórias.

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Os números mais sorteados continuaram entre os líderes?

Imagine que um apostador tivesse consultado o histórico da Mega-Sena em setembro de 2013. Naquela altura, 1.529 concursos já tinham sido realizados e existiam mais de 17 anos de resultados disponíveis.

Se apostar nas dezenas que mais haviam aparecido fosse uma estratégia capaz de indicar o comportamento futuro, seria esperado que esses líderes continuassem se destacando nos concursos seguintes.

O A TARDE testou justamente isso ao separar os 3.059 concursos praticamente ao meio.

Na primeira parte da base, que reúne os sorteios realizados até 11 de setembro de 2013, os números 05, 04, 54, 33, 51, 53, 17, 52 e 24 ocupavam as primeiras posições do ranking de frequência. Na décima colocação, havia empate entre 43 e 49.

Por isso, considerando o empate, 11 dezenas formavam o grupo das mais sorteadas naquele momento.

O que aconteceu nos 1.530 concursos seguintes?

A segunda parte do levantamento considera os concursos realizados entre 14 de setembro de 2013 e 17 de setembro de 2026.

Nesse período, o ranking mudou. Os números 10, 53, 11, 38, 35, 46, 37, 27 e 30 passaram a ocupar as primeiras posições, enquanto 34 e 56 empataram na décima colocação.

Dos 11 números que estavam entre os líderes até 2013, apenas o 53 permaneceu no grupo das dezenas mais frequentes na segunda metade da base. A diferença também aparece quando o ranking é deixado de lado e todas as ocorrências são contabilizadas.

Nos 1.530 concursos seguintes, as 11 dezenas que lideravam o histórico até setembro de 2013 estavam presentes em aproximadamente 9,9% das oportunidades possíveis. Entre os outros 49 números, a frequência foi de cerca de 10%.

Na prática, o desempenho futuro dos antigos “números quentes” foi praticamente igual ao dos demais, e ligeiramente inferior na amostra observada.

A correlação de postos entre a frequência das 60 dezenas nas duas metades do histórico ficou próxima de 0,01, valor praticamente nulo.

Em outras palavras: saber quais números mais haviam aparecido nos primeiros 17 anos da Mega-Sena teria oferecido pouquíssima informação sobre quais liderariam os 13 anos seguintes.

Estatística pode ou não ajudar na Mega-Sena?

O histórico de sorteios não permite identificar uma combinação favorita para o próximo sorteio, mas isso não significa que a matemática seja inútil para quem pretende apostar.

A estatística permite entender com precisão quantas combinações estão sendo cobertas, quanto custa ampliar essa cobertura e o tamanho real da probabilidade envolvida.

Uma aposta simples, com seis números, representa apenas uma combinação entre 50.063.860 possibilidades e custa R$ 6.

Marcar mais números aumenta as suas chances de ganhar, porque você compra mais combinações.

  • 7 números: gera 7 combinações (R$ 42) e a chance passa para 1 em 7,1 milhões.
  • 8 números: gera 28 combinações (R$ 168) e a chance passa para 1 em 1,7 milhão.

A melhora na chance, portanto, não acontece porque sete ou oito números formam uma seleção estatisticamente mais inteligente. Ela acontece porque o apostador está comprando mais combinações.

O que 30 anos de Mega-Sena realmente ensinam?

O histórico de sorteios serve para entender o passado, mas não prevê o futuro. Embora o número 10 tenha saído mais que o 26, um teste real provou que essa diferença não importa. As dezenas mais frequentes nos primeiros 17 anos do jogo passaram a sair na mesma proporção que as outras nos anos seguintes.

No próximo concurso, todas as dezenas começam com a mesma chance, e o passado zera para o sorteio.

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