CONFIRA
Fim das bets: 14 clubes da Série A podem perder patrocinadores
Medida do governo encerra mercado de apostas e afeta receitas do futebol


O futebol brasileiro entra em uma nova fase após o governo federal anunciar a proibição das apostas de quota fixa no país. A medida atinge as empresas conhecidas como bets e também os jogos online, alterando um mercado que se tornou uma das principais fontes de patrocínio dos clubes nos últimos anos.
A Medida Provisória nº 1.394, publicada nesta sexta-feira, 25, determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no território nacional. A regra também alcança apostas esportivas e jogos virtuais.
Com a mudança, os contratos entre casas de apostas e equipes de futebol passam a enfrentar um novo cenário, justamente em um momento em que o setor se tornou parte importante das receitas comerciais dos clubes.
Quanto os clubes podem perder com o fim das bets?
Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras principais, segundo os dados apresentados no levantamento.
Em 2025, os principais clubes brasileiros movimentaram cerca de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing, e aproximadamente 34% desse valor, ou R$ 1,1 bilhão, veio de empresas do setor, de acordo com dados da Sports Value.
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Considerando apenas as receitas comerciais e de marketing, estimadas em R$ 3,069 bilhões pela consultoria Convocados, os contratos com bets representaram cerca de 33%.
Os valores, porém, variam bastante entre as equipes.
Quais clubes têm os maiores contratos com bets?
Entre os acordos informados estão:
- Flamengo: R$ 268,5 milhões - Betano;
- Corinthians: R$ 150 milhões - Esportes da Sorte;
- São Paulo: R$ 113 milhões - Superbet;
- Palmeiras: R$ 100 milhões - Sportingbet;
- Atlético-MG: R$ 62 milhões - H2Bet;
- Botafogo: R$ 55 milhões - VBet;
- Fluminense: R$ 52 milhões - Superbet;
- Vasco: R$ 50 milhões - Sportingbet;
- Grêmio: R$ 46 milhões - Pitaco;
- Cruzeiro: R$ 40 milhões - Betnacional;
- Santos: R$ 35 milhões - Novibet;
- Vitória: R$ 20 milhões - 7KBet;
- Remo: R$ 12 milhões - VaideBet;
- Chapecoense: sem valor divulgado oficialmente - ZeroUm.
Na Série B, 13 dos 20 clubes também possuem vínculos comerciais com empresas de apostas, sendo que 11 têm acordos de patrocínio principal.
O que acontece com os contratos de patrocínio?
A proibição muda a situação dos contratos firmados entre clubes e empresas do setor. Com a operação das plataformas proibida, os acordos comerciais relacionados às bets podem precisar ser encerrados ou renegociados.
A medida também afeta os chamados naming rights de competições. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, por exemplo, possuem atualmente seus nomes comerciais vinculados à Betano.
Clubes já haviam se manifestado contra uma eventual proibição. Em comunicado divulgado em setembro, as equipes afirmaram que os contratos representam receitas utilizadas para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos.
O que muda imediatamente para as bets?
A MP passou a ter força de lei após sua publicação. O texto determina que, a partir da publicação, ficam proibidas novas concessões, permissões e autorizações para exploração das apostas de quota fixa.
As empresas também entram em um período de transição. Conforme o texto da medida, os operadores deverão tornar indisponíveis seus sites e aplicativos 10 dias após a publicação da MP. A partir da publicação, também fica proibida a entrada de novos recursos nas contas dos apostadores.
A medida ainda precisa passar pelo Congresso Nacional. Como ocorre com outras MPs, o texto tem prazo de vigência e depende de aprovação parlamentar para se tornar legislação permanente.
E quem tem dinheiro nas plataformas?
Os apostadores que já possuem saldo nas casas de apostas terão um período para solicitar a devolução dos valores.
Segundo informações divulgadas pelo governo, o prazo para retirada vai até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, os sites serão bloqueados, enquanto os valores ainda não resgatados seguirão um procedimento específico de devolução.
Como era o mercado de apostas no Brasil?
O mercado de apostas de quota fixa passou por um processo de regulamentação no país. As empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda pagaram R$ 30 milhões de outorga para operar e passaram a seguir regras específicas de funcionamento.
O setor também passou a recolher tributos sobre a atividade, enquanto os apostadores passaram a pagar imposto sobre determinados prêmios. A nova MP interrompe esse modelo ao determinar a proibição das apostas de quota fixa no território nacional.
O que dizem as empresas e o setor?
Empresas de apostas e entidades ligadas ao mercado argumentam que uma proibição total pode ampliar a participação do mercado ilegal. Em comunicado conjunto citado no material, Sportingbet, Betano, Betnacional e Superbet defenderam que o ambiente regulado permite mecanismos de controle que não existem da mesma maneira em plataformas clandestinas.
O setor também estima impactos sobre arrecadação e atividades econômicas relacionadas às apostas.
Essas são estimativas e argumentos apresentados pelas empresas e entidades do setor, e não uma projeção oficial do governo.
O que acontece agora?
A medida abre uma nova etapa de disputa entre governo, empresas, clubes, Congresso e outros setores afetados pela atividade.
Para os clubes, um dos principais efeitos imediatos está na necessidade de substituir uma fonte relevante de patrocínio. Para as empresas, a MP interrompe o modelo regulado que começou a funcionar no país.
A continuidade da proibição dependerá agora da tramitação da medida no Congresso Nacional.


