IMPACTOS!
Bets deixam bilhões em arrecadação, mas levam até R$ 141 bi da economia
Apesar da arrecadação, bets responderam por uma perda estimada de até 1,1% do PIB brasileiro


A decisão do governo federal de interromper o funcionamento das apostas online no Brasil ocorre após um período de forte movimentação financeira do setor, que, somente nos primeiros seis meses de 2026, registrou R$ 410,85 bilhões em apostas. A Medida Provisória (MP) que proíbe a atividade foi assinada nesta sexta-feira, 25, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora as bets tenham gerado bilhões em tributos, estudos citados no levantamento apontaram impactos negativos sobre a atividade econômica e as contas públicas. Segundo o Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades) da FEA/USP, as apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025.
O valor corresponde a uma parcela entre 0,9% e 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB), representando, segundo o estudo, de 40% a 50% de todo o crescimento registrado pela economia brasileira no ano passado. O impacto estimado sobre o PIB é cerca de cinco vezes superior aos efeitos calculados para o tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil.
Arrecadação bilionária
Os números mostram que o setor também se tornou uma importante fonte de arrecadação. Entre janeiro e julho de 2026, as bets recolheram R$ 8,75 bilhões em impostos federais, conforme dados da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias).
No ano passado, a arrecadação tributária chegou a R$ 9,95 bilhões, além de R$ 2,5 bilhões em outorgas. A arrecadação de 2026 se aproximou, até julho, da registrada por setores tradicionais, como fumo e agricultura, segundo dados da Receita Federal organizados pela Folha de S.Paulo.
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A movimentação financeira também avançou neste ano. Entre janeiro e junho, os brasileiros apostaram R$ 410,85 bilhões e receberam R$ 377,86 bilhões em prêmios.
De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, as operadoras registraram receita bruta de R$ 20,7 bilhões no período, crescimento de 15,3% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. Desse montante, R$ 17,58 bilhões ficaram com as empresas para o pagamento de custos e geração de lucros.
Reflexos sobre o consumo e as contas públicas
O estudo da USP também calculou os efeitos da redução do consumo em outros segmentos da economia. A perda de faturamento desses setores teria provocado uma redução tributária estimada entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões.
Segundo o levantamento, o montante representa entre 10% e 20% do orçamento anual da saúde pública do estado de São Paulo no ano passado.
O endividamento das famílias também aparece entre os efeitos associados ao avanço das apostas. Um estudo recente do Sicredi apontou que clientes que fizeram apostas apresentaram uma taxa de inadimplência 40% maior do que aqueles que não apostaram no mesmo período.


