BRASIL
IA brasileira identifica sinais de depressão pela voz; saiba como
Tecnologia nacional analisa entonação e ritmo com até 91% de acerto

Uma inovação desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete transformar o monitoramento da saúde mental. Utilizando ferramentas de inteligência artificial, cientistas conseguiram identificar sinais de depressão analisando apenas as características acústicas da voz dos pacientes, sem a necessidade de processar o conteúdo das falas.
O estudo, publicado na prestigiada revista PLOS Mental Health, baseou-se em áudios simples enviados pelo WhatsApp, como relatos de atividades diárias ou contagens de um a dez.
Como a IA identifica sinais de depressão pela voz?
A pesquisa, liderada pelo psiquiatra Ricardo Uchida, professor da Faculdade Santa Casa de São Paulo, foca no "como" se fala, e não no "quê" se diz. Os modelos de IA foram treinados para reconhecer variações específicas que o ouvido humano nem sempre percebe:
- Ritmo: A fala em quadros depressivos tende a ser mais lenta.
- Entonação: A voz geralmente torna-se monótona e com menos variações melódicas.
- Intensidade: Mudanças na força da emissão sonora que indicam o estado emocional.
Em testes, a tecnologia atingiu uma taxa de acerto impressionante de 91,9% entre as mulheres e 78,3% entre os homens.
A diferença entre os gêneros
Os modelos apresentaram melhor desempenho no público feminino. Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer por diferenças naturais na anatomia vocal, pelo fato de a depressão ser mais diagnosticada em mulheres ou pelo tamanho da amostra masculina no estudo. Novas fases da pesquisa devem investigar essas disparidades.
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É fundamental destacar que a ferramenta não substitui o médico. A proposta é que a IA funcione como um sistema de triagem e apoio ao acompanhamento clínico.
Diferente do médico, a IA identifica padrões de forma estatística, enquanto o profissional considera a história de vida, o impacto social e os sintomas persistentes do paciente.
Impacto na Saúde Pública
Com o aumento de 33% nos diagnósticos de depressão no Brasil entre 2020 e 2024 (segundo dados do Vigitel), ferramentas de baixo custo são essenciais. Essa tecnologia pode democratizar o acesso ao rastreamento, especialmente em regiões onde faltam especialistas, facilitando o encaminhamento rápido para quem realmente precisa de ajuda.
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