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Janela indiscreta: anotações da Refit implicam alvos da operação Primus

Registros encontrados pela operação Poço Lobato demonstram ligação entre esquemas de fraudes de combustíveis

Redação
Por Redação
Lista de "clientes" da Refit anotada numa janela traz as redes Jau e Dal (em destaque)
Lista de "clientes" da Refit anotada numa janela traz as redes Jau e Dal (em destaque) - Foto: Reprodução

Em uma janela de vidro, com vista para a Cinelândia, no Rio de Janeiro, anotações feitas com uma caneta hidrográfica explicita a vasta rede que integra e dá suporte a um dos maiores esquemas de corrupção, sonegação, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

A "janela indiscreta" veio à tona a partir da Operação Poço Lobato, liderada pela Receita Federal, que expôs a fraude comandada pela Refit, empresa dona da refinaria de Manguinhos, que se beneficiava de isenções fiscais distribuindo combustível trazido do exterior, sem que realizasse a atividade de refino.

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Segundo as investigações, a empresa, de propriedade de Ricardo Magro, sonegou R$ 26 bilhões em impostos estaduais e federais. Nas anotações descobertas no local batizado pelos investigadores como "escritório da corrupção", aparecem alguns nomes já conhecidos.

Entre os "clientes" da planilha de distribuição da Refit, estão postos das redes Jau e Dal. A rede Jau pertence ao empresário Jailson Barreto, preso na Operação Primus, da Polícia Civil da Bahia, no dia 16 de outubro.

Ligação com PCC

A rede Dal é do deputado federal Dal Barreto (União Brasil|), que teve o celular apreendido dois dias antes da deflagração da Operação Primus, no âmbito da Operação Overclean, sob suspeita de favorecimento em contratos com prefeituras em troca de emendas parlamentares.

Ambos, Jaílson e Dal, teriam ligações com Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Houssein Mourad, o "Primo" que dá nome à operação da Polícia Civil baiana. Beto e Mourad são apontados como elos entre o esquema de fraude em combustíveis e a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Segundo as investigações os postos atuavam sob a bandeira da Shell em um esquema de adulteração e comercialização irregular de combustíveis, além de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

Mapa da mina

Na janela onde foram encontradas as anotações no Rio de Janeiro também havia uma relação de transportadoras, refinarias, nomes de investigados e autoridades listados em tópicos identificados como "mapeamento do Judiciário", "mapeamento das Procuradorias estaduais", "mapeamento do ministério" e "mapeamento dos portos".

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Tags

Adulteração de Combustíveis corrupção investigações policiais lavagem de dinheiro Operação Poço Lobato Operação Primus PCC sonegação fiscal

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