BRASIL
Quem é o cantor que viajou na aeronave da Voepass um dia antes da tragédia
Cantor descobriu que havia viajado na aeronave 24 horas antes do acidente que matou 62 pessoas


O relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), voltou a colocar em evidência uma das maiores tragédias da aviação brasileira dos últimos anos. À medida que os detalhes técnicos dos minutos finais da aeronave vieram a público, um episódio que chamou atenção logo após o acidente também voltou a ser lembrado.
Na véspera da queda, o vocalista da banda Biquini Cavadão, Bruno Gouveia, embarcou justamente no ATR 72 que, pouco mais de 24 horas depois, cairia em Vinhedo, no interior de São Paulo, deixando 62 mortos.
Descoberta após a tragédia
A revelação foi feita pelo próprio cantor nas redes sociais, depois que ele conferiu o prefixo da aeronave envolvida no acidente.
Segundo Bruno, na quinta-feira, um dia antes da tragédia, ele viajou de São José do Rio Preto para Guarulhos exatamente no mesmo avião. O voo ocorreu sem qualquer intercorrência.
Na publicação, o artista contou que ficou impactado ao descobrir que, após realizar outras oito rotas, a aeronave caiu durante o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).
"Na sexta-feira um ATR72 da Voepass caiu em São Paulo. Tão logo soube, fui checar o prefixo e descobri que, na véspera, eu havia feito uma viagem de São José do Rio Preto para Guarulhos exatamente nesta mesma aeronave. Oito rotas depois, e em um pouco mais de 24 horas, ela veio a cair. Passado um dia do acidente, pegamos um outro voo da Voepass, desta vez de Guarulhos para Ribeirão Preto. O voo saiu atrasado. Perder uma aeronave mexe muito na readequação da malha aérea. Pensei na tripulação também, precisando seguir com os voos, com a dor de terem perdido amigos e colegas", escreveu Gouveia.
Solidariedade à tripulação
Além de lamentar a morte das 62 pessoas que estavam a bordo, Bruno Gouveia fez questão de manifestar apoio aos profissionais da Voepass, que precisaram continuar trabalhando mesmo após perder colegas e amigos no acidente.
O cantor contou que, um dia depois da tragédia, voltou a voar pela companhia, desta vez entre Guarulhos e Ribeirão Preto, e relatou ter presenciado o impacto emocional vivido pelas equipes.
Segundo ele, a perda de uma aeronave afeta toda a malha aérea da empresa, exigindo readequações operacionais, ao mesmo tempo em que pilotos e comissários precisam lidar com o luto.
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Nos comentários da publicação, uma comissária da Voepass agradeceu a mensagem e destacou a empatia demonstrada pelo artista em um momento de forte comoção.
Tragédia também marcou sua vida
O acidente em Vinhedo teve um significado ainda mais doloroso para Bruno Gouveia.
Em 2011, o cantor perdeu o filho Gabriel, de apenas dois anos, e a ex-esposa Fernanda Kfuri, de 35, na queda de um helicóptero em Porto Seguro, no sul da Bahia. O acidente deixou sete mortos e marcou definitivamente a história da família.
O que apontou o laudo final
O voo 2283 caiu em 9 de agosto de 2024, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo, 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram.
A investigação técnica conduzida pelo Cenipa concluiu que a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo durante o voo. O relatório também apontou falhas relacionadas ao gerenciamento operacional e à condução da ocorrência pela tripulação, detalhando os fatores que contribuíram para a perda de controle da aeronave.
Logo após a tragédia, a Polícia Federal também instaurou um inquérito para apurar eventual responsabilidade criminal. Paralelamente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass em março de 2025 e, meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo a companhia de voltar a operar voos comerciais.
Relembre o acidente
A aeronave ATR 72 da Voepass caiu sobre um condomínio residencial em Vinhedo, no interior de São Paulo, na tarde de 9 de agosto de 2024. Apesar do impacto em uma área habitada, não houve vítimas em solo.
O desastre matou todas as 62 pessoas que estavam a bordo e tornou-se o acidente aéreo mais grave registrado no Brasil desde a tragédia do voo da TAM, em 2007. Desde então, o caso passou a ser investigado por órgãos técnicos e pela Polícia Federal, em busca de respostas sobre as circunstâncias que levaram à queda da aeronave.


