CINEMA NACIONAL
Cinebiografia sobre trajetória de Belchior chega aos cinemas em 2026
Longa acompanha período em que artista abandona a vida que construiu e parte pela América Latina


A trajetória de Belchior vai chegar aos cinemas em uma cinebiografia que escolhe justamente o período mais misterioso da vida do cantor e compositor cearense.
Viver é Melhor que Sonhar, dirigido por Eduardo Albergaria, acompanha os anos em que Antonio Carlos Belchior (1946–2017) deixa para trás o patrimônio e a identidade construídos durante décadas e parte para a estrada ao lado de Edna, seu novo amor.
Com cenas filmadas no Brasil e no Uruguai, o longa tem formato de road movie e será lançado nos cinemas em 3 de dezembro. A produção é da Urca Filmes, com coprodução da H2O Produções e distribuição da H2O Films.
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Filme parte de um período pouco conhecido
Em vez de recontar desde o início a ascensão do artista, o roteiro começa depois de Belchior já ter alcançado reconhecimento nacional. O filme acompanha a ruptura com a vida que ele havia construído e a decisão de seguir por estradas e diferentes cidades ao lado de Edna.
“A trajetória de Belchior poderia render uma cinebiografia clássica: um rapaz abandona a medicina, sai do Ceará, atravessa o país, tem sua música gravada por Elis Regina e se torna um dos grandes nomes da música brasileira. Mas o filme que eu queria fazer começava depois disso: o que acontece quando aquilo que você buscou a vida inteira começa também a aprisioná-lo?”, explica Albergaria.
A história passa por diferentes pontos da América Latina e mostra o casal enfrentando situações como bloqueio de contas e o surgimento de mandados.
Em meio à necessidade de permanecer em movimento, os dois encontram apoio de fãs que os reconhecem e, em alguns momentos, oferecem abrigo e ajuda.
Luiz Carlos Vasconcelos interpreta Belchior
O papel de Belchior fica com Luiz Carlos Vasconcelos, enquanto Isabela Garcia interpreta Edna. O elenco também conta com Karine Teles, Augusto Madeira, Lucas Penteado, Nabiyah Be, Márcio Vito, Marina Provenzzano, Lolla Belli e o argentino Luciano Cáceres.
O longa chega às salas de cinema em um período marcado por duas datas relacionadas à obra do cantor. Em 2026, Belchior completaria 80 anos, enquanto o álbum Alucinação, lançado em 1976, completa cinco décadas.
Pesquisa levou dez anos
A origem do projeto remonta a uma década atrás, após a publicação da reportagem “A Divina Tragédia de Belchior”, de Marcelo Bortoloti. A investigação cinematográfica também tomou como referência o livro Belchior: Apenas um rapaz latino-americano, de Jotabê Medeiros.
A partir dessas pesquisas, Eduardo Albergaria, o produtor Leonardo Edde e o roteirista Daniel Dias começaram a investigar os últimos anos da vida do artista.
O trabalho incluiu 78 entrevistas, realizadas no Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Uruguai, além de livros, documentos, imagens e arquivos particulares de pessoas que conviveram com Belchior ou tiveram contato com o casal durante o período.
O livro Viver é Melhor que Sonhar: Os Últimos Caminhos de Belchior, de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, também integrou o processo de pesquisa e desenvolvimento do filme.
Longa tenta encontrar sentido no desaparecimento
A investigação levou a equipe a reconstruir os caminhos percorridos pelo cantor a partir do momento em que ele coloca em dúvida a própria identidade construída ao longo da carreira.
“Durante muito tempo, quanto mais pesquisávamos sobre a vida de Belchior, mais perguntas apareciam. O filme nos ofereceu uma resposta possível. De repente, uma aventura que parecia não levar a lugar nenhum passou a ter um sentido. E é essa revelação que o filme guarda para o espectador. Uma inesperada resposta ao mistério que mobilizou o Brasil e que certamente interessa aos fãs tomar conhecimento”, afirma Albergaria.
Enredo da nova aposta do cinema nacional
Viver é Melhor que Sonhar acompanha os dez anos em que Belchior desapareceu dos holofotes. Na fase final da vida, o cantor deixa o patrimônio e a identidade que havia construído para viajar com Edna.
O que começa como uma tentativa de liberdade se transforma em uma fuga pela América Latina. Com contas bloqueadas e mandados surgindo pelo caminho, permanecer em movimento passa a ser uma necessidade.
Perseguidos e atravessando cidades e fronteiras, Belchior e Edna sobrevivem com o auxílio de fãs que encontram durante a viagem. A história segue até o momento em que o cantor revela, antes do fim, que aquela jornada aparentemente sem sentido tinha uma razão.


