GRATUITO!
Festival em Salvador reúne mais de 30 filmes dirigidos por mulheres
Evento gratuito terá homenagens, sessões competitivas e debates sobre representatividade


Salvador recebe, entre os dias 28 de outubro e 1º de novembro, a 9ª edição do Festival Lugar de Mulher é no Cinema, que reúne 30 curtas-metragens e um longa dirigidos por mulheres e pessoas não binárias.
Com entrada gratuita, a programação será realizada na Sala Walter da Silveira, nos Barris, e contará com mostras competitivas, homenagens, premiações e debates sobre os desafios e as perspectivas do audiovisual brasileiro.
Leia Também:
A seleção reúne produções de 13 estados e 17 cidades do país, com histórias que exploram temas como memória, identidade, relações familiares, território e experiências de mulheres em diferentes contextos.
Além das exibições, o evento aposta na formação de novos profissionais e na aproximação entre produções universitárias e o circuito de festivais.
“A gente vê que o cinema feito por mulheres e pessoas não binárias está cada vez mais múltiplo, com mais qualidade e com mais pessoas produzindo. Celebrar isso na tela do cinema é muito importante”, afirma Hilda Lopes Pontes, idealizadora e diretora artística do festival.
Festival homenageia atrizes e destaca novas realizadoras
A abertura do evento acontece no dia 28 de outubro, às 19h, com uma sessão em homenagem à atriz e diretora Danny Barbosa, que integra o elenco do longa Salomé, dirigido por André Antônio. A cerimônia terá apresentação da atriz baiana Luciana Souza, e a exibição do filme está prevista para as 20h.
Danny Barbosa é a homenageada desta edição. Como diretora e roteirista, realizou os curtas-metragens Café com Rebu e Pedra Polida. Na atuação, participou de produções como Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; Mais Pesado é o Céu (2023), de Petrus Cariry; Salomé (2024), de André Antônio; e Gravidade (2025), de Léo Tabosa. Sua trajetória também inclui trabalhos no teatro independente.
Outra artista homenageada é Jéssica Teixeira, que recebe o destaque do Prêmio Sol Moraes, dedicado ao incentivo a novas realizadoras. Atriz, diretora, dramaturga e produtora, ela é graduada em Teatro e mestre em Artes pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Sua pesquisa artística tem o próprio corpo como ponto de partida e resultou nos solos teatrais E.L.A. (2019) e Monga (2024). Pelo segundo trabalho, recebeu o Prêmio Shell de Teatro, na categoria Direção, em São Paulo, e o ZKB Förderpreis, em Zurique, na Suíça.
No audiovisual, Jéssica participou de produções como Assexybilidade (2023), Noz Pecã (2024), Fiz um foguete imaginando que você vinha (2026), London (2026) e da série Os Outros (2023), do Globoplay.
Três mostras competitivas movimentam a programação
A seleção de filmes está dividida em três mostras competitivas, que contemplam diferentes perfis de produção e públicos.
A Mostra Frutos reúne filmes de todo o Brasil, enquanto a Mostra Raízes é dedicada às produções baianas. Já a Mostra Semente apresenta obras voltadas à infância e à adolescência.
O festival também abre espaço para produções universitárias, com sessões de filmes realizados por estudantes. Entre as instituições representadas estão a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Unijorge e a Unifacs. A programação inclui ainda a exibição de um filme infantil produzido por estudantes da Escola Municipal Elysio Athayde, de Salvador.
Segundo Day Sena, diretora executiva do festival, a aproximação entre a formação acadêmica e o mercado profissional é um dos objetivos desta edição.
“Estamos experimentando essa possibilidade de fomentar realizadoras universitárias e contribuir para a profissionalização de seus filmes, para que possam participar de festivais. Fizemos uma curadoria interna a partir das produções das universidades e contamos com filmes da UFBA, da Unijorge e da Unifacs”, explica.
Premiação reconhece filmes e novos talentos
A cerimônia de premiação está marcada para 1º de novembro, às 18h30, e encerrará a programação de exibições do festival. Os reconhecimentos serão distribuídos entre as três mostras competitivas, além de categorias especiais e prêmios oferecidos por parceiros.
Na Mostra Frutos, serão entregues os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Intérprete no Espectro Feminino, Melhor Roteiro e o Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos.
A Mostra Semente premiará Melhor Filme e Melhor Animação. Na Mostra Raízes, os destaques serão reconhecidos nas categorias Melhor Filme e Melhor Revelação.
A programação também contará com o Júri Jovem, responsável por eleger o melhor filme de cada mostra. Entre as premiações oferecidas por parceiros estão o Prêmio Dialab, destinado a um curta baiano; o Prêmio Stone Milk, que oferece consultoria de projetos para pós-produção; e o Prêmio Arrudeia, voltado exclusivamente para curtas universitários.
Debates discutem representatividade e mercado audiovisual
Além das sessões de cinema, o Festival Lugar de Mulher é no Cinema promove três encontros do Conexões Audiovisuais, com discussões sobre trabalho, financiamento, circulação de produções e representatividade no setor.
No dia 29 de outubro, das 17h às 18h, a mesa “Para além do protagonismo: trabalhadores trans no audiovisual brasileiro” discutirá a presença de pessoas trans nas diferentes funções da produção cinematográfica. O encontro terá mediação de Jeisi Ekê e participação de Danny Barbosa e Gênesis Nascimento.
Em 30 de outubro, das 15h às 16h, será realizada a conversa “Narrando o real: caminhos do mercado de documentários no Brasil”. Com mediação de Letícia Santinon e participação de Vânia Lima e Camila de Moraes, a mesa abordará estratégias de produção, financiamento e circulação de documentários no país.
Já no dia 31 de outubro, às 15h, a mesa “Cosmovisões e identidades: fabulações críticas no cinema de gênero” reunirá realizadoras que trabalham com horror, ficção científica e fantástico como campos de reflexão política e cultural. O debate terá mediação de Jéssica Teixeira e participação de Olinda Tupinambá e Ana do Carmo.
Festival terá oficina gratuita de audiovisual no Subúrbio Ferroviário
A programação formativa também se estenderá para além das datas das exibições. No dia 13 de novembro, das 9h às 12h, o Espaço Cultural de Alagados, no bairro do Uruguai, em Salvador, receberá a oficina Conexão Mobile — Captação e Edição Audiovisual com Celular.
Conduzida por Rafa Beck, pessoa não binária, a atividade abordará técnicas de captação e edição de imagens com dispositivos móveis. A oficina será aberta ao público, com foco em mulheres e pessoas não binárias.
O 9º Festival Lugar de Mulher é no Cinema conta com a parceria do Projeto Paradiso, Tem Dendê Produções, Stone Milk, Arrudeia Filmes, DiaLab, IgluLoc, D'Cor Mobília Criativa e do Festival FICFUSA, da Colômbia.
O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado.
9º Festival Lugar de Mulher é no Cinema
- Quando: 28 de outubro a 1º de novembro de 2026
- Onde: Sala Walter da Silveira, nos Barris, em Salvador (BA)
- Entrada gratuita
- Abertura: 28 de outubro, às 19h, seguida da exibição de Salomé, às 20h
- Mesas Conexões Audiovisuais: 29, 30 e 31 de outubro
- Cerimônia de premiação: 1º de novembro, às 18h30
- Oficina de audiovisual: 13 de novembro, das 9h às 12h, no Espaço Cultural de Alagados, bairro do Uruguai, Salvador.


