SE LIGA NA DICA!
Filme de suspense da Netflix vira novo fenômeno de 2026 no TOP 10
Produção recém-chegada ao catálogo aposta em uma protagonista em busca de vingança


Nesta quarta-feira, nada melhor do que aproveitar algumas horas de descanso depois de um dia cheio para assistir a uma produção capaz de prender a atenção.
Entre perseguições, mistérios e uma protagonista movida pela urgência de encontrar a própria filha, a Netflix tem uma opção recente que vem ganhando espaço entre os títulos mais assistidos da plataforma.
Trata-se de Gandhari, novo filme de ação e suspense lançado no catálogo da Netflix em 3 de setembro. A produção rapidamente despertou a curiosidade dos assinantes e atualmente ocupa a segunda posição no TOP 10 de filmes mais assistidos da plataforma, tornando-se uma alternativa para quem procura algo intenso para encaixar na programação.
Leia Também:
A história acompanha uma mãe que perde a visão e a filha durante um violento sequestro e decide não esperar pelas autoridades para descobrir o paradeiro da menina. A partir daí, o filme transforma uma limitação aparentemente incontornável em parte central de uma investigação marcada por perigos, disfarces e descobertas.
Para quem está de folga ou simplesmente quer se desligar da rotina depois de um dia cansativo, a produção combina ação e suspense em uma jornada de vingança e sobrevivência.
Com uma premissa pouco convencional e uma ambientação que amplia o mistério, o longa pode ser uma escolha interessante para preencher o tempo livre.
Uma caçada conduzida sem enxergar
Uma mãe se vira por um instante em uma estação de trem lotada. Quando volta a olhar, a filha desapareceu e, antes mesmo que consiga reagir, um golpe faz com que ela perca também a visão.
É desse acontecimento que parte Gandhari, dirigido por Makhija e estrelado por Taapsee Pannu no papel de Bani. A personagem tem a filha arrancada por uma rede de tráfico infantil e, no mesmo confronto, fica cega, passando a conduzir sozinha a busca pelos responsáveis.
Em vez de aguardar uma solução oficial, Bani começa a investigar por conta própria. A diferença é que, desta vez, ela precisa perseguir pessoas que não consegue enxergar, fazendo com que a própria investigação dependa de outras formas de percepção.
O filme ambienta essa busca em Joypurra, uma cidade fictícia onde a sensação de que existe algo escondido em cada esquina contribui para aumentar a tensão. Quanto mais Bani se aproxima da verdade, maior também se torna o risco de sua busca por justiça colocar sua própria vida em perigo.
O mito que inspirou a história
O título do filme remete a Gandhari, uma das figuras do Mahabharata, importante obra da tradição indiana. Na história, a rainha decide vendar os próprios olhos por solidariedade ao marido cego, o rei Dhritarashtra, e passa o restante da vida sem enxergar.
A produção utiliza essa referência de maneira diferente. No caso de Bani, a cegueira não representa uma escolha ou um gesto de devoção, mas uma violência sofrida justamente no momento em que sua filha é levada.
A ideia é uma das principais diferenças entre a protagonista e a tradicional figura mitológica. Enquanto Gandhari escolhe abrir mão da visão, Bani precisa aprender a agir depois de ter essa capacidade retirada à força.
O roteiro de Kanika Dhillon parte dessa inversão para aproximar a história de temas como maternidade, sacrifício, trauma e vingança, fazendo com que a referência mitológica tenha uma função dentro da trajetória da personagem.
Uma cidade onde todos usam máscaras
Joypurra também desempenha um papel importante na atmosfera do filme. A cidade fictícia é construída em torno de uma tradição indiana conhecida como Behrupiyas, artistas especializados em disfarces e em assumir diferentes identidades.
Essa característica cria uma combinação particularmente adequada para a protagonista. Bani não pode confiar na própria visão, enquanto vive em um lugar onde a aparência também não é suficiente para revelar quem está diante dela.
O ambiente, portanto, funciona como mais do que um simples cenário. A cidade reforça a ideia de que descobrir a verdade exige atenção a outros elementos, enquanto a protagonista tenta identificar pessoas e situações sem poder recorrer à visão.
Essa escolha ajuda a construir uma premissa de investigação diferente, especialmente nos momentos em que a produção explora som, memória e intuição como ferramentas de Bani para avançar na busca.
A força da ideia e os limites do filme
A proposta de Gandhari ganha força justamente por transformar uma imagem associada à devoção em uma história sobre resistência. O filme começa com uma situação extrema e utiliza a perda da visão para modificar completamente a maneira como sua protagonista enfrenta os perigos.
Ao mesmo tempo, a produção nem sempre consegue manter a mesma força ao longo da narrativa. A premissa apresenta possibilidades para um thriller de investigação bastante original, mas a história gradualmente se aproxima de soluções mais convencionais do cinema de ação.
O problema fica mais evidente no desfecho. Depois de construir uma protagonista obrigada a encontrar novas maneiras de perceber o mundo, a resolução acaba seguindo caminhos mais previsíveis e não explora completamente a ambição apresentada no início.
Ainda assim, o conceito central permanece como um dos pontos mais interessantes da produção. A história utiliza a maternidade e o trauma para discutir a capacidade de continuar agindo mesmo diante de uma situação que parece retirar todas as possibilidades de reação.
Uma reinterpretação além do entretenimento
A ligação com o Mahabharata também amplia a proposta do longa. Ao recuperar um arquétipo relacionado ao sacrifício feminino e transformá-lo em uma narrativa de ação, a produção questiona a ideia de que o sofrimento de uma mulher precisa necessariamente estar ligado à submissão ou à renúncia.
No filme, Bani não escolhe a escuridão e tampouco aceita permanecer paralisada por ela. Sua resposta ao trauma é partir para a ação e buscar a filha, mesmo quando as circunstâncias tornam essa tarefa ainda mais difícil.
Essa perspectiva dá ao filme uma camada que vai além da perseguição aos criminosos. A vingança passa a ser também uma forma de recuperar o controle sobre a própria vida depois de uma violência que tentou tirá-lo completamente.
Vale a pena?
Sim, especialmente para quem gosta de filmes de ação, suspense, vingança e histórias com uma premissa diferente. O longa tem uma protagonista colocada em uma situação incomum e encontra na ambientação de Joypurra uma maneira interessante de reforçar o mistério.
Por outro lado, espectadores mais exigentes podem não se envolver tanto com a produção. A força da ideia nem sempre é acompanhada pela execução, principalmente quando a trama se aproxima do final e abandona parte da ambiguidade construída anteriormente.
Ainda assim, Gandhari merece atenção justamente por tentar fazer algo diferente dentro do gênero. A jornada de Bani transforma uma condição imposta pela violência em combustível para a busca pela filha e deixa como imagem central uma mulher que não escolheu a escuridão, mas decidiu não se render a ela.


