EM CARTAZ
Filme de Thalita Rebouças mergulha nas descobertas da adolescência
Adaptação chega aos cinemas com uma história sobre amizade e amadurecimento


Chegou aos cinemas na última quinta-feira, 17, Era Uma Vez Minha 1ª Vez, adaptação do livro homônimo de Thalita Rebouças que leva às telas as descobertas, inseguranças e expectativas de quatro amigas durante a adolescência.
Dirigido por Claudia Castro, o filme acompanha Teresa, Clara, Tuca e Patty, interpretadas por Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte, enquanto elas lidam com as primeiras paixões, a sexualidade e as pressões que envolvem a passagem da infância para a vida adulta.
Apesar de partir de uma meta relacionada à primeira experiência sexual, a produção amplia o olhar para temas como amizade feminina, amadurecimento, autoestima e as diferentes formas de viver essa fase da vida.
Em entrevista exclusiva ao Cineinsite A TARDE, Thalita Rebouças explica que, para além da adaptação, o cinema permitiu atualizar aspectos da história e incluir discussões que não estavam presentes no livro.
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Filme amplia história do livro
Na trama, Teresa, Clara, Tuca e Patty são quatro amigas inseparáveis que decidem estabelecer uma meta em comum: deixar de ser virgens antes da formatura.
A partir daí, cada uma passa a enfrentar suas próprias expectativas, inseguranças e descobertas, mostrando que não existe uma única maneira ou um momento universalmente correto para viver essas experiências.
Para Thalita, a essência da obra permanece na adaptação. “A essência dos meus livros, quando chega aos cinema, nunca muda, sabe?”, afirma. Segundo a escritora, uma das principais mudanças está na personagem Pathy, interpretada por Duda Matte.
“O que mudou foi uma personagem, a Pathy, que é interpretada pela Duda Matte. No livro, ela tem nojinho de sexo, não lida bem com isso, e eu fiz o contrário no filme”, explica.
A nova versão da personagem também permitiu que o longa abordasse de maneira mais direta questões relacionadas ao conhecimento do próprio corpo e ao prazer. “Fiz uma menina muito conhecedora do próprio corpo, que coleciona vibradores, sugadores e estimula as amigas a falar sobre masturbação, sobre prazer”, conta Thalita.
A escritora relaciona essa escolha à percepção que teve ao entrar em contato com uma pesquisa sobre o comportamento sexual das novas gerações. “Desde que eu li uma pesquisa que fala que essa geração é a que menos transa, a que menos fala e se interessa sobre sexo, eu me assustei”, afirma.
Sexualidade é ponto de partida, não destino
Embora a sexualidade esteja no centro da premissa, a produção busca não reduzir a adolescência à primeira experiência sexual. As personagens enfrentam diferentes sentimentos e situações enquanto descobrem seus próprios limites e desejos.
“Eu achei uma ótima oportunidade de falar disso no cinema. O cinema me dá essa oportunidade de falar coisas que eu, na época do livro, não falei, como diversidade, que não se falava na época e, graças a Deus, hoje em dia se fala cada vez mais”, diz Thalita.
A adaptação também incorpora uma preocupação maior com a diversidade. Para a autora, essa possibilidade faz parte do papel da arte. “Eu trouxe uma personagem nova. Fico feliz de ver no filme diversidade de gênero, de raça... Eu acho que é para isso que precisamos fazer arte.”
Com a direção de Claudia Castro, a produção aposta em uma linguagem jovem e em diálogos que buscam aproximar o público adolescente das situações vividas pelas protagonistas. O humor aparece como um dos principais recursos para tratar de assuntos delicados sem abandonar as questões mais sérias presentes na narrativa.
Humor ajuda a falar sobre tabus
Para Thalita, encontrar esse equilíbrio entre leveza e temas mais difíceis é algo que acompanha sua trajetória profissional. A autora afirma que, ao longo de 26 anos de carreira, desenvolveu uma maneira própria de tratar assuntos considerados tabus.
“Eu venho encontrando esse equilíbrio há um tempo, nos meus livros. Acho que, com 26 anos de carreira, posso dizer que consigo falar sobre temas pesados, sobre tabus até, como sexo e masturbação, de maneira leve e divertida”, disse.
O humor, segundo ela, não é apenas uma escolha para a adaptação, mas uma característica de sua própria forma de escrever. “Se não for assim, eu nem sei se saberia fazer. Eu não conseguiria escrever sem humor e não saberia não fazer esse equilíbrio”.
A produção também evita apresentar a virgindade como o único assunto relevante na trajetória das personagens. Para Thalita, a primeira experiência sexual funciona como ponto de partida para uma história maior.
É um filme que fala sobre sexo, mas é muito mais sobre o antes e o depois, as consequências das nossas escolhas, as amizades. É um filme em que a virgindade é plano de fundo para um grande filme sobre amizade feminina. Thalita Rebouças - Autora
Amizade feminina ganha protagonismo
É justamente a relação entre as quatro protagonistas que ocupa um espaço central na história. Teresa, Clara, Tuca e Patty atravessam juntas as inseguranças e descobertas da adolescência, enquanto percebem que cada uma pode viver esse processo em seu próprio ritmo.
A intenção da autora é que essa dimensão da narrativa também permaneça com o público depois da sessão.
Eu quero que as pessoas saiam do cinema amando mais suas amigas, conversando mais com elas, com menos tempo de tela e mais olho no olho. Thalita Rebouças - Autora
Além das amizades, o filme aborda as pressões relacionadas à aparência, às primeiras paixões e à necessidade de se encaixar nas expectativas dos outros. A produção parte de situações específicas da adolescência, mas procura mostrar sentimentos que permanecem reconhecíveis independentemente da época.
“Adolescente vai ser sempre adolescente”
Para Thalita, parte da conexão de suas histórias com diferentes gerações está justamente na permanência dessas experiências.
Sexo vai ser sempre sexo e adolescente vai ser sempre adolescente, não importa a década. As angústias, as espinhas, a preocupação com a aparência, a intensidade, isso não muda. Thalita Rebouças - Autora
A escritora acredita que essa identificação ajuda a explicar a permanência de seus livros e suas adaptações no audiovisual. “E talvez seja esse o segredo do porquê os meus livros viram filmes, fazem sucesso e falam com tanta gente.”
Ela completa: “Mas eu acho que é por isso, porque adolescente, não importa a época, a essência dele é sempre igual.”
A linguagem do longa acompanha essa perspectiva ao apostar em uma narrativa dinâmica, com capítulos que desenvolvem as situações vividas pelas protagonistas e diálogos voltados principalmente ao público adolescente.
Ao mesmo tempo, os conflitos relacionados à sexualidade, à amizade e à autoestima são tratados sem estabelecer uma fórmula sobre como essa fase deve ser vivida.
Amadurecer também faz parte da história
Mais do que uma história sobre a primeira vez, Era Uma Vez Minha 1ª Vez se insere em um tema recorrente na obra de Thalita: o amadurecimento. A autora afirma que esse processo aparece em diferentes momentos de sua carreira.
O meu trabalho inteiro é pautado no amadurecimento. Já coloquei em alguns livros a frase ‘crescer dói’, sabe? É gostoso, mas dói. Então, eu venho falando de amadurecimento há muitos anos, não é só nessa história. Thalita Rebouças - Autora
Na adaptação, esse amadurecimento aparece justamente na forma como cada personagem lida com suas próprias escolhas. Em vez de estabelecer um único caminho para a passagem da adolescência à vida adulta, o filme acompanha diferentes ritmos e experiências.
Para Thalita, essa identificação pode ser especialmente importante para quem está vivendo essa fase. “É muito legal poder mostrar para o adolescente, no cinema, num livro, numa série, uma história com a qual ele se identifique, que ele veja que não está sozinho. Amadurecer é difícil, mas está tudo bem, acontece com todo mundo.”


