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Game of Thrones: nova produção revela segredo mais escondido da saga e muda tudo sobre Jon Snow

Produção revela detalhes inéditos sobre a saga

Bianca Carneiro
Por
Daenerys Targaryen e Jon Snow, personagens de Game oh Thrones
Daenerys Targaryen e Jon Snow, personagens de Game oh Thrones - Foto: Divulgação | HBO

Em meio as repercussões de Casa do Dragão (House of the Dragon), fãs do universo de Game of Thrones acompanham a estreia de Game of Thrones: The Mad King com uma mistura de ansiedade e desconfiança. Depois de sucessivos adiamentos, a peça finalmente chegou aos palcos, e o que ela conta é, em essência, uma prequela sobre os episódios mais nebulosos de toda a saga de George R. R. Martin: o Torneio de Harrenhal, o affair entre Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, a loucura de Aerys II, a Rebelião de Robert Baratheon e os nascimentos paralelos de Daenerys Targaryen e Jon Snow.

Por décadas, essa história só existiu em fragmentos, contada por sobreviventes com versões incompletas e interessadas. A peça muda essa lógica: não altera apenas detalhes pontuais, mas ressignifica o que os fãs de Game of Thrones acreditavam saber sobre a queda dos Targaryen.

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O que é a peça Game of Thrones: The Mad King

De acordo com o site Misceiana, que reúne informações sobre o espetáculo, a montagem se concentra no período anterior a Game of Thrones: a juventude de Robert Baratheon, o reinado paranoico de Aerys II, o Rei Louco, o Torneio de Harrenhal e a guerra civil conhecida como Rebelião de Robert. É material que os livros de As Crônicas de Gelo e Fogo mencionam apenas de forma indireta, e que a série da HBO resolveu de um jeito específico ao revelar o casamento secreto entre Rhaegar e Lyanna. A peça propõe outro caminho: sem esse casamento, sem a legitimidade automática de Jon Snow como herdeiro, e com personagens secundários ganhando peso dramático inédito.

Harrenhal era uma conspiração política disfarçada de torneio

Um dos maiores segredos da saga finalmente ganha resposta. Lyanna Stark era o Cavaleiro da Árvore que Ri, o guerreiro misterioso que defendeu a honra de Howland Reed nas justas. Mais do que uma curiosidade resolvida, a cena reforça que Lyanna já agia por conta própria antes mesmo de conhecer Rhaegar, desafiando homens poderosos e se inserindo nos acontecimentos que mudariam Westeros.

O torneio, porém, não era apenas uma celebração: era uma reunião política disfarçada, bancada com dinheiro desviado do Tesouro Real por Rhaegar, repassado por meio de Oswell Whent para que os Whent bancassem o evento. O objetivo era reunir apoio das Grandes Casas para afastar Aerys do Trono de Ferro. O plano previa que Rhaegar vencesse as justas e coroasse a própria esposa, Elia Martell, como Rainha do Amor e da Beleza, consolidando a imagem do casal que substituiria o rei.

Ao coroar Lyanna em vez de Elia, Rhaegar não cria apenas um símbolo romântico. Ele sabota a própria estratégia política, humilha a esposa publicamente e compromete a chance de depor o pai sem guerra.

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Elia Martell como estrategista política

Talvez a maior reviravolta de The Mad King esteja em Elia Martell. Nos livros, ela é lembrada quase só pela violência sofrida: esposa preterida, mãe de filhos assassinados, vítima de Gregor Clegane. Na peça, Elia é reposicionada como uma das mentes por trás do plano para depor Aerys, alguém que tenta conter a obsessão profética do marido e insiste que decisões de Estado não podem ser guiadas por sonhos.

A humilhação em Harrenhal a atinge profundamente, mas não a paralisa. Mais tarde, Elia desenvolve uma correspondência secreta com Lyanna por meio de corvos, trocas que, segundo a peça, chegam a ser interceptadas por Varys, dado que explica como a Coroa localiza Rhaegar após seu desaparecimento.

A peça dedica ainda tempo a uma tragédia pouco explorada nos livros: a morte dos pais de Robert, Steffon Baratheon e Cassana Estermont, afogados quando o navio Windproud naufragou diante de Ponta Tempestade. Robert testemunha a cena ainda criança, e a peça sugere que esse trauma, e não Lyanna, é a raiz de sua impulsividade, seu alcoolismo e sua necessidade permanente de guerra.

Aerys chega a zombar dessa dor, oferecendo a Robert uma maquete do naufrágio dos pais. É um dos momentos mais duros da montagem e reforça uma leitura menos romantizada do rei guerreiro. Lyanna não criou a ferida de Robert, apenas herdou o nome de uma dor que já existia.

Outro dos pontos mais contundentes da peça é o embate entre Rhaegar e Aerys, que chegam a se confrontar diretamente, e o rei oferece o próprio pescoço para que o filho o mate. Rhaegar recua e é chamado de covarde pelo pai. A cena elimina qualquer justificativa de que o príncipe agia por ingenuidade. Ele sabia que Aerys era uma ameaça ao reino e teve a chance de agir, mas hesitou por não querer se tornar um assassino da própria família.

A Canção de Gelo e Fogo e a profecia por trás do romance de Rhaegar e Lyanna

Na peça, Rhaegar canta em alto valiriano uma composição que seria, literalmente, a Canção de Gelo e Fogo, ligada à profecia do Príncipe que Foi Prometido. É essa canção, mais do que qualquer atração física, que aproxima Lyanna dele. A jovem Stark é apresentada como vidente verde, capaz de partilhar sonhos e visões proféticas com Rhaegar, incluindo imagens de Daenerys e seus dragões.

A inversão mais marcante: enquanto Rhaegar perde a fé na profecia ao longo da história, é Lyanna quem a resgata, convencida de que o filho dos dois pode ser o Príncipe Prometido, uma forma de dar sentido à destruição causada pela fuga do casal.

A montagem também reescreve a trajetória de Ashara Dayne, criando um triângulo afetivo com Brandon Stark e Elia Martell. Ashara teria engravidado de Brandon, perdendo a criança ao nascer, e mantido simultaneamente um relacionamento amoroso com Elia, uma camada de complexidade sem paralelo direto nos livros publicados até hoje.

A queda do Rei Louco e o início da guerra

Aerys II, o Rei Louco, motivou a Rebelião de Robert
Aerys II, o Rei Louco, motivou a Rebelião de Robert - Foto: Divulgação | HBO

Aerys transforma o escândalo em conflito armado ao assassinar Rickard Stark, queimado vivo, e Brandon Stark, morto tentando alcançar uma espada, depois de prender o herdeiro dos Stark em Porto Real. A partir daí, qualquer saída política desaparece. Jon Arryn se recusa a entregar Ned Stark e Robert Baratheon, e convoca seus estandartes, dando início oficial à Rebelião de Robert.

No duelo do Tridente, Rhaegar tem uma visão de dragão em pleno combate, representada no palco com bonecos, e é essa distração profética que o deixa vulnerável ao martelo de Robert. Diferente da versão dos livros, na peça a morte de Rhaegar é seca, sem despedidas grandiosas: ele simplesmente morre.

Torre da Alegria e o nascimento de Jon Snow: o que muda em relação à série

A sequência da Torre da Alegria preserva o essencial já conhecido pelos fãs da série. Arthur Dayne enfrenta os homens de Ned Stark, Howland Reed vira o duelo ao ferir Arthur pelas costas, e Ned desfere o golpe final. Dentro da torre, Lyanna, agonizante após o parto, pede que Ned nunca conte a Jon sobre Rhaegar, o amor dos dois ou a profecia. Ela quer que o filho tenha liberdade para escolher o próprio destino, e não que cresça carregando o peso de uma profecia como fez toda a sua geração.

A peça termina no bosque sagrado de Winterfell, com Ned diante de Catelyn, apresentando o sobrinho como filho ilegítimo. A última fala da montagem é apenas: "Jon Snow".

Principais diferenças entre a peça, os livros e a série da HBO

Sem casamento secreto: diferente da série, não há núpcias entre Rhaegar e Lyanna, e Jon não é chamado de Aegon, sua legitimidade permanece em aberto.

  • Lyanna é o Cavaleiro da Árvore que Ri, participante ativa da profecia, e não apenas objeto de desejo de Rhaegar.
  • Elia Martell é estrategista política, não apenas vítima, ela participa do plano contra Aerys.
  • Robert já era traumatizado antes de conhecer Lyanna, o que reconfigura sua motivação para a guerra.
  • Benjen Stark conhece o segredo de Jon e teria ajudado o casal a fugir, o que explica sua entrada precoce na Patrulha da Noite.
  • Ashara Dayne e Elia Martell ganham uma relação amorosa inexistente nos livros.
  • A cronologia da chegada de Robert a Porto Real também é alterada em relação ao material original.
  • Os grandes marcos, porém, permanecem: Aerys mata os Stark, Jon Arryn se rebela, Robert mata Rhaegar, Jaime mata Aerys, e Ned resgata Jon na Torre da Alegria.

Por que essas revelações podem antecipar uma futura série sobre a Rebelião de Robert

Com tantos detalhes politicamente motivados, o financiamento secreto de Harrenhal, a articulação de Elia, o papel de Benjen e a reviravolta de Ashara Dayne, The Mad King entrega o material mais robusto já visto sobre a Rebelião de Robert, o evento mais pedido pelos fãs de Game of Thrones desde a adaptação de A Knight of the Seven Kingdoms. Resta saber se George R. R. Martin absorverá essas escolhas nos livros ou se a HBO decidirá transformar esse recorte teatral em série.

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