AUDIOVISUAL
Mostra Cinema Conquista começa com mais de 600 filmes inscritos
Terra de Glauber Rocha recebe nova edição do evento


Terra natal de Glauber Rocha, Vitória da Conquista, a 500 km de distância de Salvador, prepara-se para se tornar, pelo decorrer da semana, a cidade baiana do cinema nacional. Isso porque começa hoje a 17ª edição da Mostra Cinema Conquista, que segue até o próximo dia 11 de setembro.
O evento, que já possui uma longa história de celebração e apoio ao cinema brasileiro, levando para o interior a potência e diversidade da produção nacional, dá agora um novo passo com a criação de uma mostra competitiva de longas e curtas-metragens.
“Nós recebemos centenas inscrições, dos mais variados lugares. Do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, passando pelo Centro-Oeste, Norte e muitos da Bahia também. Isso revela o alcance da Mostra Cinema Conquista no cenário nacional”, comemorou o idealizador e coordenador geral do evento, Esmon Primo.
Foram mais de 600 filmes inscritos, que compõem uma seleção de cerca de 50 obras, dentro e fora da competição. Haverá ainda uma série de atividades formativas. As exibições acontecem no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e toda a programação é gratuita.
“O público vai se sentir convidado para ver quais filmes foram selecionados pela equipe de curadoria para a mostra competitiva, mas também vai fazer o seu voto, porque além do júri oficial, vai haver um júri popular”, pontuou Primo.
A solenidade de abertura, logo mais às 19h, contará com um recital sinfônico regido pelo maestro João Omar e com Lívia Ellen e SoulBrisa. Em seguida, será exibido o longa Querido Mundo, dirigido por Miguel Falabella e Hsu Chien, sobre um casal improvável (vivido por Malu Galli e Eduardo Moscovis) que se conhece em uma noite de Réveillon.
O filme é precedido pelos curtas Corre um Rio em Mim, de Patrícia Moreira (animação produzida em Vitória da Conquista) e Já Não Temos Nem Vontade de Brigar, de Brunno Bimbati. Essa sessão já dá início à competição que, ao todo, é formada por cinco longas e dez curtas.
Os demais longas que compõem a competitiva são os filmes Itacoatiaras, de Sérgio Andrade e Patrícia Goùvea, sobre heranças indígenas que aproximam o Amazonas e o Rio de Janeiro; Sechiisland: A Vida como Obra de Arte, de Cláudia do Canto e João Paulo Miranda Maria, sobre um artista underground que vive no interior de São Paulo.
A seleção segue com Só Não Posso Dizer o Nome, do veterano cineasta mineiro Helvécio Ratton, contando uma história sobre violência contra mulheres e abuso na infância; finaliza a competição o documentário baiano Cartas Para..., de Vânia Lima, que aproxima três escritoras negras entre Brasil, Moçambique e Portugal.
Outros destaques
A equipe de seleção da Mostra Cinema Conquista encarou a tarefa de construir uma programação plural. “O nosso processo de escolha foi construído a partir de um olhar atento para a potência estética, narrativa e sensível das obras, sempre buscando refletir a diversidade de perspectivas que atravessa o cinema brasileiro contemporâneo”, destacou Érica Daniela, uma das curadoras do evento.
Para além das sessões competitiva, a Mostra oferece ao público uma gama de outros filmes que se destacaram no cenário nacional do ano passado até o presente. São obras como Apopcalipse Segundo Baby, documentário de Rafael Saar sobre a irreverência criativa de Baby do Brasil.

Leia Também:
O longa cearense Morte e Vida Madalena, de Guto Parente, que acompanha a produção de um filme independente, feito de forma leve, mas também amorosa. Já o documentário pernambucano Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, resgatam os 40 anos de história do projeto Vídeo nas Aldeias, que incentivou e formou uma série de cineastas indígenas.
Filmes baianos também ganham destaque, como Timidez, de Susan Kalik e Thiago Gomes Rosa, sobre a relação conflituosas entre dois irmãos negros dentro de um apartamento; Anti-Herois do Udigrudi Baiano, de Henrique Dantas, que rememora a geração que fez cinema super-8 na Bahia; e As Travessias de Letieres Leite, de Day Sena e Íris de Oliveira, sobre o maestro baiano morto em 2021.
“Poder compartilhar dessa diversidade e discutir com os demais curadores sobre esses filmes é enriquecedor e nos possibilita enxergar essas obras também com o olhar do outro”, complementou outro curador, Rafael Oliveira.
Encerra a Mostra o longa Nosso Segredo, de Grace Passô, grande vencedor do último Festival de Gramado.
Formação
O curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) sempre foi uma grande parceira da Mostra Cinema Conquista. É o responsável pela programação formativa do evento.
Este ano vão acontecer importantes conferências, com debates sobre a criação da Bahia Filmes (feita por Pola Ribeiro), sobre o papel das mulheres na relação entre cinema e educação (com Rosália Duarte) e sobre as disputas de memória no cinema brasileiro sob o ponto de vista feminino (ministrado por Priscila Sales).
Haverá ainda duas mesas temáticas, para falar sobre processos curatoriais e também sobre a atuação das mulheres na cadeia produtiva de cinema na Bahia. Além disso, a Mostra oferece duas oficinas: uma sobre práticas curatoriais (com Tetê Mattos) e outra sobre criação de projetos audiovisuais (com Bianca Bomfim).
“Queremos que Conquista seja não apenas um lugar de exibição, mas também de encontro, debate e reconhecimento do cinema brasileiro contemporâneo”, afirmou Primo.
Além disso, é perceptível dentro da programação do evento diversos filmes realizados em Vitória da Conquista. A grande maioria deles é fruto do curso de Cinema, que tem impulsionado a formação de novos cineastas e de obras diversas.
“A produção audiovisual conquistense sempre esteve presente na Mostra Cinema Conquista. Mas hoje, Conquista vive um momento de destaque na produção de curtas e longas-metragens”, arrematou o coordenado do evento.
17ª Mostra Cinema Conquista / A partir de hoje até sexta-feira (11) / Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, Vitória da Conquista / Entrada: gratuita, sujeita à lotação / Programação completa: mostracineconquista.com.br


