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Novo filme de vingança do Prime Video é uma grande aposta de 2026

Longa mistura ação, suspense e drama em uma história marcada por trauma e violência

Beatriz Santos
Por
| Atualizada em
Esse filme acaba de chegar ao catálogo do Prime Video
Esse filme acaba de chegar ao catálogo do Prime Video - Foto: Divulgação

No domingo, nada como aproveitar algumas horas de folga para assistir a um filme capaz de transformar qualquer dia cansativo em uma sessão eletrizante.

Entre as opções do Prime Video, Ardente Vingança surge como uma das grandes apostas da plataforma para 2026 ao combinar uma trama de vingança, suspense e ação com uma história profundamente marcada pelo trauma familiar.

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Escrito e dirigido por Aleshea Harris, que adapta sua própria peça de teatro, o longa acompanha as irmãs Racine, interpretada por Kara Young, e Anaia, vivida por Mallori Johnson.

Depois de um acontecimento traumático provocado pelo pai, as duas recebem uma missão que transforma anos de sofrimento em uma jornada violenta em busca de vingança.

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A produção também chama atenção pela presença de Sterling K. Brown, que interpreta o pai das protagonistas e assume o papel do principal vilão da história.

O resultado é um filme que utiliza a violência não apenas como combustível para a ação, mas também como ponto de partida para discutir as marcas deixadas pelo abuso e a dificuldade de romper com um ciclo de opressão.

Duas irmãs, duas formas de encarar a vingança

Racine e Anaia cresceram dependendo uma da outra depois de um “acidente” que deixou marcas físicas e emocionais nas duas. Anaia teve o rosto queimado e deformado, enquanto Racine ficou marcada na mão e na alma.

A situação ganha uma nova dimensão quando a mãe revela que o ex-companheiro foi responsável pelo crime que atingiu a família. Diante disso, as irmãs prometem vingá-la, dando início à jornada que conduz toda a narrativa.

Apesar de compartilharem o mesmo trauma, as protagonistas não encaram a vingança da mesma maneira. Racine é dominada pela raiva e acredita que a retribuição é necessária. Anaia, por outro lado, demonstra maior resistência diante da violência e questiona o caminho escolhido pela irmã.

Essa diferença se torna um dos principais motores da história. Kara Young e Mallori Johnson desenvolvem uma relação marcada por grande sintonia, fazendo com que as personagens pareçam profundamente conectadas mesmo quando suas escolhas começam a colocá-las em lados diferentes.

A conexão entre elas vai além das palavras

Uma das características mais particulares de Ardente Vingança está na maneira como Harris transforma a ligação entre as irmãs em recurso cinematográfico.

Racine e Anaia conseguem se comunicar sem falar, apenas por meio de olhares e gestos. Seus pensamentos aparecem escritos na tela, permitindo que o público tenha acesso a uma espécie de idioma particular construído entre as duas. Elas também compartilham sonhos e parecem funcionar como um reflexo uma da outra.

O recurso ganha ainda mais importância porque a produção nasceu no teatro. Em vez de depender exclusivamente de diálogos para apresentar a intimidade entre as personagens, Aleshea Harris utiliza enquadramentos, alterações tipográficas, movimentos corporais e imagens para transformar sentimentos em elementos visuais.

Com isso, a diretora consegue fazer com que a adaptação tenha uma identidade própria no cinema. A origem teatral não impede que o filme explore diferentes cenários, cores e formas de representar as lembranças das protagonistas. As roupas das irmãs aparecem com cores fortes, enquanto as cenas do passado recebem uma fotografia diferente para marcar a separação entre memória e presente.

Sterling K. Brown assusta pela aparente tranquilidade

Embora tenha menos tempo de tela do que as protagonistas, Sterling K. Brown é responsável por uma das presenças mais marcantes do filme.

O ator interpreta o pai das irmãs, um homem responsável por atos terríveis contra a própria família. Em vez de transformar o personagem em uma caricatura, Brown aposta em uma postura controlada, utilizando justamente a aparente tranquilidade para criar uma sensação constante de ameaça.

O contraste fica ainda mais evidente quando o personagem se aproxima do confronto final. De um lado, está a calma assustadora do vilão; do outro, a raiva acumulada de Racine. O choque entre as duas interpretações ajuda a construir alguns dos momentos mais tensos do longa.

A atuação de Young também ganha destaque porque a personagem atravessa uma transformação provocada pela própria busca por vingança. Ao longo da história, a violência deixa de ser apenas uma ferramenta para alcançar o pai e passa a levantar uma questão mais difícil: até que ponto alguém consegue lutar contra aquilo que também começa a carregar dentro de si?

A vingança pode libertar ou prender

Apesar de apresentar uma premissa aparentemente simples, o filme amplia sua discussão ao mostrar que derrotar o responsável pelo trauma não significa necessariamente apagar suas consequências.

As cicatrizes das irmãs funcionam como uma lembrança permanente de que a violência não desaparece depois que o ato termina. O passado permanece inscrito em seus corpos e influencia a maneira como cada uma encara a própria identidade e a ideia de justiça.

Nesse sentido, a produção se distancia de uma história de vingança convencional. A violência está presente e pode ser pesada, mas a narrativa demonstra interesse principalmente nas consequências provocadas por ela. Racine encontra na retribuição uma forma de agir, enquanto Anaia consegue perceber o perigo de simplesmente reproduzir a estrutura que causou seu sofrimento.

O fogo, elemento responsável pelas marcas deixadas nas personagens, também assume importância simbólica. Ele representa o trauma que continua presente mesmo depois do crime e ajuda a reforçar a ideia de que determinadas violências podem sobreviver dentro de suas vítimas.

A produção ainda estabelece referências com obras como O Retrato de Dorian Gray, A Cor Púrpura, Bela Vingança e Pecadores, especialmente na maneira como trabalha temas como identidade, violência, opressão e os efeitos de uma herança familiar destrutiva.

Vale a pena?

Sim. Para quem gosta de filmes de suspense e tramas de vingança, Ardente Vingança oferece uma combinação pouco convencional de tensão, violência, drama e conflito familiar.

A força das protagonistas, a presença ameaçadora de Sterling K. Brown e a direção visual de Aleshea Harris fazem do longa uma opção interessante para quem procura algo mais intenso no Prime Video. A produção ainda conquistou 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, considerando 17 críticas publicadas até o momento.

Assim, seja para aproveitar o tempo livre de um domingo, descansar depois do trabalho ou simplesmente encontrar uma produção capaz de animar uma noite de folga, o filme aposta em uma história de vingança que não se limita à ação e deixa o público pensando sobre as consequências da violência muito depois do fim.

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