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O que fazer em Salvador: Cine SESI tem programação gratuita

Evento homenageia Bando de Teatro Olodum e vai até Cachoeira

Mariana Abreu*
Por Mariana Abreu*
Festival reúne novos cineastas e grandes nomes do cinema baiano em Salvador e Cachoeira
Festival reúne novos cineastas e grandes nomes do cinema baiano em Salvador e Cachoeira - Foto: Divulgação

O festival Cine Sesi 2026 acontece, a partir desta terça-feira, 8, até o dia 16, com uma programação gratuita toda dedicada ao cinema e ao audiovisual baiano, reunindo mais de 18 filmes, sessões especiais, oficinas, debates, painéis, atividades lúdico-pedagógicas e ainda uma experiência de live cinema.

Nesta terceira edição, o festival tem como tema “Cinema, Memória e Legado” e homenageia O Bando de Teatro Olodum, reconhecendo sua trajetória e sua contribuição para as artes, para a formação de artistas e para o cinema e o audiovisual brasileiros.

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Para a gerente do SESI Cultura Bahia, Joana Fialho, esta edição tem dois pontos importantes de diferenciação quando comparada com as outras edições do Cine Sesi. “Primeiro, a gente reafirma o cinema como uma experiência de encontro, formação de público e valorização da nossa cultura. E segundo, a gente amplia esse movimento territorialmente. O SESI Bahia tem buscado cada vez mais interiorizar a cultura, porque a gente entende que a produção cultural da Bahia não está restrita a Salvador”, diz.

“Existem muitos territórios com uma potência cultural enorme e públicos que também precisam ter acesso a uma programação qualificada. Então, nesta edição, além de celebrar o cinema e a cultura baiana, a gente chega a Cachoeira e também presta uma homenagem muito especial ao Teatro Bando Olodum”, reforça Joana, ao explicar que esta edição também estar integrada ao CineModaLab, uma plataforma de difusão cultural que amplia o diálogo do audiovisual com outras linguagens como moda, educação e economia criativa.

Homenagem ao Bando

Imagem ilustrativa da imagem O que fazer em Salvador: Cine SESI tem programação gratuita
Foto: Divulgação

Criado em 1990, em Salvador, o Bando de Teatro Olodum chega à terceira edição do Cine SESI como homenageado por uma trajetória que ultrapassa os palcos.

Ao longo de mais de três décadas, o grupo se consolidou como uma das principais referências do teatro negro brasileiro, contribuindo para a formação e projeção de artistas que também passaram a atuar no cinema, na televisão e em diferentes campos do audiovisual, a exemplo de Lazáro Ramos, Érico Brás, Lucas Leto, Edivana Carvalho e Leno Sacramento, entre tantos outros artistas.

“Falar do Bando Olodum é falar de uma parte fundamental da história cultural da Bahia. O Bando transformou o teatro, trouxe para o centro do palco questões de identidade, de cultura negra, de ancestralidade, de resistência. E fez isso com uma linguagem artística muito potente e muito própria”, enaltece Joana.

“E hoje, o Bando Olodum é patrimônio cultural imaterial de Salvador. Então, para nós, essa homenagem tem um significado muito grande: é reconhecer uma trajetória que ajudou a construir a identidade cultural da nossa cidade e do nosso estado”, afirma a gerente do Sesi Cultura Bahia.

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Cinema, Memória e Legado

A programação da 3° edição do Cine Sesi busca contemplar o contemporâneo e o histórico. Mesclar os jovens artistas que buscam o seu lugar ao sol, com suas identidades e idiossincrasias, com aqueles que ajudaram a construir a história e o legado do cinema baiano.

Sob curadoria de Dayse Porto, Rubian Melo e Heraldo de Deus, “Cinema, Memória e Legado”, propõe pensar o cinema não apenas como instrumento de preservação de histórias, mas também como linguagem capaz de registrar o presente e produzir as memórias que serão acessadas pelas próximas gerações.

“O Cine SESI é um projeto que busca aproximar o cinema baiano de um público mais amplo, inclusive de pessoas que muitas vezes não têm acesso a essa produção. Por isso, para nós, era fundamental olhar para o cinema contemporâneo e mostrar que esse cinema está próximo, está vivo e sendo feito agora, também por jovens realizadores, por pessoas negras, periféricas, por mulheres, por uma diversidade de artistas e de olhares”, afirma Dayse ao reforçar o cuidado, no processo de curadoria, com a inserção dos jovens cineastas, ao lado dos que vieram antes.

“Ao mesmo tempo em que olhamos para o que está sendo produzido agora, queremos reverenciar quem veio antes e compreender como chegamos até aqui. É daí que nasce o tema desta edição, ‘Memória e Legado’. Para nós, memória e legado não são simplesmente algo que pertence ao passado. São forças que nos movem no presente. Nós estamos fazendo memória hoje, da mesma forma que aqueles que fizeram cinema antes de nós nos impulsionam e nos dão lastro para continuar”, enfatiza Dayse.

“Acho que é justamente isso que a curadoria procura revelar: esse tempo contínuo de construção do cinema baiano. O que foi feito ontem sustenta o que fazemos hoje, e aquilo que está sendo produzido hoje já está construindo a memória que ficará para quem vem depois”, frisa.

Novos horizontes

Com uma programação com mais de 18 filmes, sessões especiais, oficinas, debates, painéis etc, o Cine Sesi 2026 também expande suas fronteiras para além da capital baiana e chega, no dia 15 de setembro, a partir das 18h30, ao Cine Theatro Cachoeirano, na cidade de Cachoeira.

Após o painel “Cinema, Memória e Legado” que irá reunir convidados de Cachoeira e Salvador, será exibido, pela primeira vez na cidade, a obra de Sérgio Machado, Três Obás de Xangô, que retrata de maneira poética e verdadeira a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Caribé.

Joana reafirma que essa expansão é um dos pontos altos desta edição.

“A Bahia não termina em Salvador. E quando a gente fala de cultura baiana, a gente está falando de muitos territórios, muitas histórias, muitas identidades e muitas formas de produzir e viver cultura. Então, levar o Cine SESI para Cachoeira é parte de um movimento maior do Sesi Bahia de interiorização da cultura”, explica a gerente que destaca a importância cultural da cidade para a Bahia.

“Cachoeira não é simplesmente um lugar para onde a gente está levando uma programação. É um território culturalmente muito potente, com uma história enorme e uma vida cultural própria. Acho que esse é o grande sentido da interiorização: conectar o SESI com as culturas que já existem e são extremamente potentes em cada território”, completa Joana.

Programação e parcerias

A programação principal de exibição começa no dia 8 de setembro, no SESI Casa Branca e segue até o dia 16, com diferentes sessões e propostas curatoriais.

Os curadores Dayse Porto, Rubian Melo e Heraldo de Deus dividiram a Mostra em diferentes sessões. Dentre essas, Dayse destaca as sessões “Memórias do Passado” e “Memória e Legado”, ao que ela reforça que não são fronteiras rígidas e que em uma mesma sessão pode haver filmes de diferentes épocas.

“Na própria sessão ‘Memória e Legado’, por exemplo, temos filmes contemporâneos, muito recentes, realizados por nomes veteranos do nosso cinema, como Antonio Pitanga e Sérgio Machado, que está presente na Mostra e o já saudoso Orlando Senna, que morreu este ano, aos 84 anos, e continuou fazendo cinema até muito recentemente, como em Longe do Paraíso, filmado em 2020”, exemplifica a curadora.

Para Joana, o mais importante com o projeto é criar um espaço em que possa estimular uma conversa, formar um público e criar condições para que as pessoas possam se reconhecer nessas histórias.

“E é aí que eu vejo uma contribuição muito importante do Cine SESI e também do CineModaLab, porque a proposta é ampliar essas conexões e fazer com que o audiovisual dialogue com diferentes públicos e com outros campos da economia criativa. A gente não quer apenas apresentar um filme. A gente quer criar a possibilidade de encontro entre a obra e o público, mas também estimular novas conexões, novas ideias e novas possibilidades de criação”, enfatiza.

“Porque quando uma produção baiana ou brasileira chega a uma pessoa que talvez nunca tivesse acesso a ela, alguma coisa acontece. Pode ser identificação, descoberta, questionamento. E isso é cultura: é ampliar o repertório e ampliar a nossa capacidade de olhar para o mundo”, finaliza.

O Cine SESI integra as ações da plataforma de difusão cultural Cine Moda Lab, com produção da Movida Produtora de Conteúdo e realização do SESI Cultura.

Cine SESI 2026 / A partir de amanhã (8) até o dia 16 / SESI Casa Branca, SESI Rio Vermelho e Cine Theatro Cachoeirano / Programação completa, ingressos e mais informações: linktr.ee/cine.sesi

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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