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O que fazer em Salvador: festival de cinema internacional tem sessões gratuitas
Ficção e IA na África? Festival chega à 9ª edição quebrando paradigmas nas telas


Quem disse que os filmes realizados no continente africano não passeiam pela ficção científica, pelo musical, suspense ou aventura? Para desmistificar essa impressão, a Mostra de Cinemas Africanos traz este ano um recorte de produções que pretende discutir como os gêneros cinematográficos são experimentados naquele contexto.
Evento já tradicional no calendário de festivais da Bahia, a Mostra chega à sua 9ª edição e começa, em Salvador, na próxima quinta-feira, 17. O evento segue até o dia 23 de setembro, com a exibição de 22 filmes de diversos países africanos, entre curtas e longas-metragens. Toda a programação é gratuita e acontece majoritariamente na Sala Walter da Silveira (Barris) e no Cine Lankiana (Cajazeiras).
“Os cinemas africanos sempre mobilizaram as convenções de gêneros cinematográficos, eu já prestava atenção nisso há muito tempo”, pontuou Ana Camila Esteves, idealizadora e coordenadora geral da Mostra. “Mas este ano isso estava muito mais presente e pensei que era hora de dar destaque ao tema”, complementou.
A abertura oficial acontece na Sala Walter da Silveira e no SESI Casa Branca (em parceria com o Cineclube CBX), ambas às 19h. Será exibido o longa Memória da Princesa Mumbi, filme do Quênia dirigido por Damien Hauser, que estará presente na sessão para conversar com o público.
A obra é um conto futurista, que se passa em 2093, e acompanha um cineasta que está fazendo um documentário em uma região de guerra e é desafiado a fazer o seu filme sem o uso de inteligência artificial, que é algo recorrente ali – o próprio filme utiliza recursos de IA na sua construção.
Outro destaque dentro da programação é o longa As Desvirtuosas, de Chloé Aïcha Boro, cineasta de Burkina Faso que faz o seu primeiro filme de ficção. A trama conta a história de quatro mulheres que, expulsas de sua aldeia, constroem outras maneiras de compor a sociedade, mesmo marginalizadas.
A cineasta também estará presente em Salvador para a sessão que acontece na sexta, 18. No dia seguinte, ela ainda ministrará uma masterclass na Aliança Francesa de Salvador, às 14h.
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Formação

Em acordo com o tema deste ano da Mostra, será oferecido um minicurso intitulado “Crioulização nas telas: filmes de gênero nos cinemas africanos”, ministrado pela pesquisadora Jusciele Oliveira. A atividade será online e realizada nas manhãs dos dias 19 e 20 de setembro. As inscrições ainda estão abertas.
“Eu estou muito curiosa para ver como o público vai reagir a essa proposta de gêneros, porque acho que existe todo um imaginário de que o cinema africano é mais autoral e cabeção. E são os filmes que os grandes festivais gostam. Então a gente quer quebrar mais esse estereótipo”, afirmou Ana Camila. Por conta disso, este ano a Mostra também vai criar um prêmio do público para que as pessoas votem e escolham os melhores filmes.
O evento investe ainda na especialização de um olhar crítico e reflexivo sobre os filmes africanos de forma específica. Primeiro, já foi realizada o Laboratório Crítico, este ano ministrado pela crítica Enoe Lopes Pontes.
A parceria foi estabelecida com a Unijorge, cujos estudantes puderam contar com uma formação voltada para a produção de discursos críticos. Dessa experiência, também sai um grupo que compõe um júri especial que vai escolher os melhores filmes apresentados durante o evento.
Em complemento a essa atividade, haverá na segunda-feira (21), o seminário “Crítica cinematográfica, festivais e cinemas não-hegemônicos”, com a participação dos críticos de cinema Ivonete Pinto e Juliano Gomes, que irão discutir, dentre outras coisas, o papel da crítica na circulação e legitimação das obras nos festivais de cinema. O encontro acontece partir das 9h, no auditório da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Outra parceria instituída este ano foi com a plataforma de streaming Reserva Imovision. Trata-se de um serviço pago, mas o público terá 50% de desconto no plano anual da Reserva Imovision durante a Mostra, utilizando o cupom CINEAFRICANO50.
“A Imovision é uma distribuidora que sempre adquiriu filmes africanos, tem vários no catálogo. Para iniciar essa parceria, eu fiz uma seleção dos filmes deles e vamos disponibilizar uma faixa especial da Mostra na plataforma”, afirmou a coordenadora. Os filmes ficarão disponíveis de 10 a 23 de setembro.
Rede ampliada

Este ano, a Mostra de Cinemas Africanos amplia sua presença na capital e no interior da Bahia. O evento já acontece, durante esta semana, no Rio de Janeiro, antes de chegar a Salvador. E antes da abertura oficial na capital baiana, no dia 15, haverá uma ação na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
“Essa é uma aproximação que iremos fazer com os africanos residentes na Bahia. E os alunos vão vir também aqui para Salvador no dia 21, segunda-feira, para assistir às sessões da tarde. Acho importante que eles tenham a experiência da sala de cinema”, afirmou Ana Camila.
Além disso, haverá uma ação com alunos de escolas das cidades de Feira de Santana e de Antônio Cardoso, em parceria com a Secretaria de Educação e o Cineclube Kalunga. Eles irão receber a visita dos dois cineastas convidados nas escolas, mas também virão a Salvador para ver filmes na sala de cinema.
Vale pontuar que a programação da Mostra conta também com a exibição de curtas-metragens com o recorte de gêneros diversos, que serão integrados aos longas-metragens em sessões conjuntas.
‘Mostra de Cinemas Africanos 2026’ / A partir de quinta-feira (17) até dia 23 (quarta-feira) / Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, 27 - Barris) e Cine Lankiana (Avenida Aliomar Baleeiro, Cajazeiras) / Entrada gratuita / Acompanhe em: @mostradecinemasafricanos


