SE LIGA NA DICA!
Série de ficção científica da Netflix com 2 temporadas para maratonar
Produção combina universo cyberpunk, investigação policial e dilemas sobre imortalidade


Em meio à grande quantidade de lançamentos do streaming, algumas produções acabam ficando fora dos holofotes mesmo quando têm um universo complexo e uma história capaz de prender a atenção.
Para quem procura uma opção diferente para maratonar, Altered Carbon é uma série de ficção científica da Netflix que teve apenas duas temporadas e aposta em uma mistura de suspense policial, ação e estética cyberpunk.
Lançada em 2018, a produção é baseada no livro homônimo de Richard K. Morgan, publicado em 2002 e vencedor do Philip K. Dick Award de Melhor Romance no ano seguinte. A adaptação levou para a televisão a atmosfera neo-noir da obra e construiu um futuro no qual a morte deixou de ser necessariamente definitiva.
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Um futuro em que a morte pode ser driblada
A história se passa no ano de 2384, em uma sociedade na qual a consciência humana pode ser armazenada em pequenos implantes conhecidos como Stacks.
Essas estruturas permitem que a mente seja transferida para diferentes corpos, fazendo com que o corpo humano passe a funcionar como uma espécie de receptáculo.
É nesse cenário que Takeshi Kovacs volta à vida depois de 250 anos. Integrante de um grupo rebelde chamado Emissários, ele foi o único sobrevivente após a derrota do movimento.
Inicialmente, Kovacs é interpretado por Joel Kinnaman, mas sua identidade física não é fixa dentro daquele universo, característica que se torna importante para a própria estrutura da série.
A investigação começa com um assassinato
Ao retornar, Kovacs recebe uma missão bastante incomum. O milionário Laurens Bancroft (James Purefoy) acredita ter sido assassinado e não consegue se lembrar dos acontecimentos anteriores ao seu último backup.
Bancroft pertence a uma elite capaz de utilizar sua fortuna para criar novos corpos e preservar cópias da própria consciência, tornando-se praticamente imortal. Por isso, ele contrata Kovacs para investigar a própria morte. Em troca, oferece ao protagonista um perdão e uma grande recompensa.
O que inicialmente parece ser apenas um caso de assassinato, porém, acaba revelando problemas muito maiores daquele futuro.
Crime, desigualdade e imortalidade
A investigação funciona como porta de entrada para apresentar uma sociedade marcada por diferenças econômicas e sociais profundas.
Mesmo com uma cidade visualmente vibrante e repleta de neon, a série mostra um cotidiano dominado por crime, violência e precariedade. A tecnologia capaz de prolongar a existência humana não está disponível da mesma maneira para todos, e a possibilidade de escapar da morte acaba ampliando os conflitos entre diferentes grupos.
A produção utiliza justamente essa contradição para explorar a ideia de “alta tecnologia e baixa qualidade de vida”, característica central da ficção cyberpunk.
Nesse universo, a imortalidade não representa necessariamente uma evolução da humanidade. Pelo contrário, levanta questionamentos sobre ética, desigualdade e sobre o que resta da condição humana quando a morte deixa de ser um limite definitivo.
Uma ficção científica cheia de possibilidades
Ao longo dos episódios, diferentes temas são incorporados à narrativa. Entre eles estão os desejos dos mais ricos, os efeitos da imortalidade sobre a mente e a ética, a evolução das inteligências artificiais e da realidade virtual e até novas relações entre religião e tecnologia.
A série também apresenta o Neo-Catolicismo, explorando a maneira como os fiéis lidam com a transformação daquele mundo.
Essas diferentes perspectivas fazem com que a produção vá além da investigação policial inicial e utilize seu universo futurista para discutir questões relacionadas à própria existência.
A estética é um dos grandes destaques
Se o desenvolvimento de algumas tramas apresenta limitações, a parte visual se destaca. A produção aposta constantemente em sua identidade estética, seja nas ruas iluminadas por neon, nas comunidades dos mais ricos instaladas nos céus ou nas representações holográficas das inteligências artificiais.
O visual acompanha a proposta cyberpunk e ajuda a criar uma cidade futurista que, apesar de avançada tecnologicamente, permanece marcada por sujeira, violência e desigualdade.
A direção também utiliza essa estética para reforçar o contraste entre diferentes classes sociais e ambientes, tornando a apresentação visual uma das características mais marcantes da produção.
A segunda temporada troca o protagonista
A estrutura da história permitiu que a série realizasse uma mudança importante em sua segunda temporada. Como a consciência de Kovacs pode ocupar diferentes corpos, Anthony Mackie assumiu o papel do protagonista no segundo ano, substituindo Joel Kinnaman.
Dessa vez, Kovacs desperta em um corpo aprimorado e se envolve em uma nova investigação de assassinato. A mudança de intérprete se encaixa na própria lógica estabelecida pela ficção científica da série.
A série foi encerrada após duas temporadas
Apesar das possibilidades oferecidas pelo universo criado pela produção, Altered Carbon acabou cancelada depois de duas temporadas. Portanto, a série soma apenas 18 episódios para maratonar.
A história principal, portanto, permanece com apenas esses dois anos disponíveis para quem procura uma produção já encerrada e que possa ser assistida sem a expectativa de novos episódios.
O universo ainda ganhou o anime Altered Carbon: Nova Capa (2020), que funciona como uma história anterior aos acontecimentos da série principal.
Vale a pena?
Sim. Para quem gosta de ficção científica adulta, suspense policial, mistério e universos cyberpunk, a produção oferece uma combinação pouco convencional e visualmente ambiciosa. Além disso, a série recebeu 75% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, reforçando a boa recepção entre os críticos.
Embora alguns arcos narrativos apresentem resoluções consideradas menos satisfatórias, a produção se destaca pela construção de mundo, pelos questionamentos sobre imortalidade e desigualdade e pela estética futurista.
Com apenas duas temporadas, é uma opção especialmente interessante para quem procura uma maratona de ficção científica já encerrada e quer descobrir uma produção que acabou ficando menos comentada diante da quantidade de novidades disponíveis no streaming.


