SE LIGA NA DICA!
Série de mistério da Netflix tem 8 episódios para esta sexta (04/09)
Produção combina terror, bruxaria e reviravoltas em uma maratona curta


Finalmente é sexta-feira, e com o fim de semana se aproximando, nada melhor do que encontrar uma série capaz de prender a atenção e transformar algumas horas de descanso em uma maratona. Para quem procura suspense, mistério e terror, a Netflix tem uma produção francesa que pode ser uma boa descoberta para esta sexta: Marianne.
Lançada em 2019, a série acabou sendo ofuscada por novas produções ao longo dos anos, mas ainda pode surpreender quem não teve a oportunidade de assisti-la. Com apenas oito episódios, que variam entre 36 e 52 minutos, a produção tem um formato enxuto que combina bem com um fim de semana.
A recepção também chama atenção: a série alcançou 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, enquanto o público registrou 83% de aprovação.
Uma escritora começa a ser assombrada pela própria criação
A trama acompanha Emma Larsimon (Victoire Du Bois), uma escritora de livros de terror que conquistou uma grande base de fãs com histórias protagonizadas por Lizzie Clarke e pela bruxa Marianne.
Depois de decidir encerrar sua saga literária com um final aberto, Emma começa a ser atormentada por acontecimentos ligados ao próprio passado. Pesadelos com Marianne passam a fazer parte de sua vida, enquanto surge a possibilidade de que as criaturas presentes em seus livros estejam ultrapassando os limites da ficção.
A situação faz com que a escritora precise retornar para casa e investigar o que está acontecendo. A partir daí, a série transforma a relação entre autora e criação em um dos principais elementos de sua história.
O primeiro episódio não demora para apresentar situações perturbadoras, sustos e imagens capazes de estabelecer rapidamente o tom da produção.
Terror aposta em imagens que incomodam
Um dos diferenciais de Marianne está justamente na maneira como o horror é apresentado. Em vez de depender exclusivamente dos sustos tradicionais, a produção utiliza criaturas grotescas, ambientes sombrios e imagens desconfortáveis para criar tensão.
A série explora diferentes formas de manifestação da bruxa, reunindo influências americanas, europeias e orientais. Entre os recursos visuais utilizados estão personagens com olhos brilhando no escuro, enquanto a fotografia trabalha constantemente com a relação entre luz e sombra.

Os pesadelos de Emma também permitem que a equipe de arte explore imagens ainda mais perturbadoras, com criaturas bizarras, sem pálpebras e cobertas por uma substância viscosa e preta.
A direção é de Samuel Bodin, que também dirigiu todos os episódios e assina o roteiro ao lado de Quoc Dang Tran. O trabalho visual é um dos elementos mais elogiados da produção, especialmente pela capacidade de construir cenas assustadoras sem depender apenas de efeitos sobrenaturais.
Uma atuação que se destaca logo no início
Entre os nomes do elenco, Mireille Herbstmeyer chama atenção pela interpretação de Madame Daugeron.
A personagem aparece em uma das primeiras sequências da série, em uma cena que estabelece rapidamente o clima de horror. Seu comportamento estranho e suas expressões faciais contribuem para o desconforto, sem depender de uma caracterização sobrenatural exagerada.
Ao longo dos episódios, a personagem ganha novas camadas, tornando a atuação ainda mais complexa. O desempenho de Herbstmeyer utiliza recursos associados à experiência da atriz no teatro e transforma expressões faciais e olhares em elementos fundamentais para provocar medo.
A série não poupa seus personagens
Outro aspecto que pode surpreender quem acompanha a produção é a maneira como ela lida com seus personagens. Marianne não tenta proteger constantemente aqueles que ganham a simpatia do público. A série estabelece relações e expectativas para, posteriormente, quebrá-las de maneira inesperada.
A narrativa começa acompanhando principalmente Emma e Camille (Lucie Boujenah), sua assistente, e depois amplia o foco para o grupo de amigos de infância da protagonista, que se reúne para enfrentar a bruxa.
Essa mudança altera um pouco o ritmo da temporada. Enquanto a dinâmica inicial entre Emma e Camille ajuda a construir a protagonista e mantém o interesse, a segunda metade dedica mais espaço aos conflitos pessoais do grupo, o que pode diminuir o envolvimento em alguns momentos.
Oito episódios para uma maratona no fim de semana
Com oito episódios entre 36 e 52 minutos, a produção possui uma duração mais curta do que muitas séries do gênero.
O formato favorece uma maratona durante o fim de semana, especialmente porque a história avança rapidamente e alguns capítulos são ainda mais curtos. A estrutura também utiliza elementos visuais relacionados aos livros de Emma, como passagens de tempo, recapitulações e transições que remetem ao virar de páginas.
Apesar de alguns problemas na construção de seu universo e de determinados conflitos, a série mantém uma atmosfera consistente. A trilha sonora e os momentos de alívio ajudam a equilibrar a tensão, enquanto a fotografia sustenta boa parte da experiência.
Vale a pena?
Sim, especialmente para quem gosta de tramas cheias de suspense, mistério e terror e procura uma produção curta para assistir durante o fim de semana.
Marianne pode não desenvolver todos os elementos de sua história com a mesma força e perde um pouco do impacto quando amplia o foco para os conflitos do grupo de amigos. Ainda assim, seus recursos visuais, a atmosfera sombria e a capacidade de criar situações genuinamente perturbadoras fazem com que a série consiga manter o espectador envolvido.
Lançada em 2019 e posteriormente ofuscada por novas produções, a série continua sendo uma opção para quem ainda não deu uma chance ao título.
Com apenas oito episódios e uma duração que permite concluir a temporada em poucas horas, pode ser uma escolha interessante para a sexta-feira e para quem quer aproveitar o fim de semana com uma história de terror diferente.