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A força eleitoral dos prefeitos baianos

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Daniel Genonadio
Por
Debate eleitoral com os candidatos ao governo do Estado da Bahia nas Eleições de 2026
Debate eleitoral com os candidatos ao governo do Estado da Bahia nas Eleições de 2026 - Foto: Shirley Stolze/ Ag A Tarde

O apoio formal de mais de 300 prefeitos à candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues pode ser considerado como o maior fato da semana, já com a propaganda eleitoral liberada. A aliança dos prefeitos cobriu todos os 27 Territórios de Identidade, sem exceção, repetindo o mapa eleitoral que garantiu a quinta vitória consecutiva petista na eleição de 2022.

Os números daquela eleição explicam o sentido estratégico da geografia do voto na Bahia. Jerônimo venceu em 22 dos 27 territórios, sendo que em doze deles a vantagem passou de 20 pontos percentuais, liderados pelo Velho Chico, com 35,8 pontos, e por Irecê e Bacia do Paramirim, empatados em uma ampla vantagem de 34,6 pontos percentuais. ACM Neto levou vantagem em apenas cinco territórios, e somente em um deles a margem foi larga, o Metropolitano de Salvador, com 22,6 pontos. A leitura correta destes números também perpassa pelo fato de que Neto perdeu o interior pela pouca prioridade dada à organização de campanha competitiva nos territórios, o que explica vitórias isoladas em municípios pontuais dentro de territórios que, na média, permaneceram dominados pelo PT.

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Há um segundo dado que reforça essa leitura, considerando o recorte de porte de município: Jerônimo venceu em 92,6% das cidades pequenas e 87,3% das médias em 2022, enquanto ACM Neto só inverteu o resultado nas grandes, conquistando 88,9% das cidades grandes. Juntos, os dois recortes mostram que a força de Neto é geograficamente estreita, concentrada onde a densidade populacional é alta e o território é pequeno, exatamente o oposto do desenho eleitoral fragmentado nos municípios de pequeno e médio porte, abaixo dos 100 mil habitantes.

O padrão da disputa baiana terá mais uma vez a centralidade das lideranças locais, em especial, os prefeitos e prefeitas que estão diretamente vinculados aos eleitores. Na conversa com os prefeitos, Jerônimo reforçou o discurso do voto casado e da parceria com o presidente Lula, que já sinalizou disposição de se engajar de corpo e alma na disputa baiana, movimento calculado para repetir a nacionalização que decidiu a eleição presidencial e a estadual por cá em 2022.

Em síntese, assistiremos em alta "velocidade de reprodução" duas eleições em paralelo. A primeira dimensão se dará na disputa das grandes e médias cidades, onde de um lado atua a centralidade da parceria Lula-Jerônimo e, do outro, um discurso mais contundente da oposição, disposta a criticar a segurança pública e a forçar o crescimento do voto "Lula-Neto" como estratégia calculada. A segunda dimensão envolve a força do governismo no interior, fora as 30 maiores cidades. Sem dúvidas, contar com a ampla maioria dos prefeitos é um dos indicadores objetivos de favoritismo na largada da corrida pelo voto.

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*Cientista Político, Professor do Mestrado Profissional em Governança e Políticas Públicas (UNILAB) e pesquisador da UFRB. E-mail: [email protected]

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