CONJUNTURA POLÍTICA
A força eleitoral dos prefeitos baianos
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O apoio formal de mais de 300 prefeitos à candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues pode ser considerado como o maior fato da semana, já com a propaganda eleitoral liberada. A aliança dos prefeitos cobriu todos os 27 Territórios de Identidade, sem exceção, repetindo o mapa eleitoral que garantiu a quinta vitória consecutiva petista na eleição de 2022.
Os números daquela eleição explicam o sentido estratégico da geografia do voto na Bahia. Jerônimo venceu em 22 dos 27 territórios, sendo que em doze deles a vantagem passou de 20 pontos percentuais, liderados pelo Velho Chico, com 35,8 pontos, e por Irecê e Bacia do Paramirim, empatados em uma ampla vantagem de 34,6 pontos percentuais. ACM Neto levou vantagem em apenas cinco territórios, e somente em um deles a margem foi larga, o Metropolitano de Salvador, com 22,6 pontos. A leitura correta destes números também perpassa pelo fato de que Neto perdeu o interior pela pouca prioridade dada à organização de campanha competitiva nos territórios, o que explica vitórias isoladas em municípios pontuais dentro de territórios que, na média, permaneceram dominados pelo PT.
Há um segundo dado que reforça essa leitura, considerando o recorte de porte de município: Jerônimo venceu em 92,6% das cidades pequenas e 87,3% das médias em 2022, enquanto ACM Neto só inverteu o resultado nas grandes, conquistando 88,9% das cidades grandes. Juntos, os dois recortes mostram que a força de Neto é geograficamente estreita, concentrada onde a densidade populacional é alta e o território é pequeno, exatamente o oposto do desenho eleitoral fragmentado nos municípios de pequeno e médio porte, abaixo dos 100 mil habitantes.
O padrão da disputa baiana terá mais uma vez a centralidade das lideranças locais, em especial, os prefeitos e prefeitas que estão diretamente vinculados aos eleitores. Na conversa com os prefeitos, Jerônimo reforçou o discurso do voto casado e da parceria com o presidente Lula, que já sinalizou disposição de se engajar de corpo e alma na disputa baiana, movimento calculado para repetir a nacionalização que decidiu a eleição presidencial e a estadual por cá em 2022.
Em síntese, assistiremos em alta "velocidade de reprodução" duas eleições em paralelo. A primeira dimensão se dará na disputa das grandes e médias cidades, onde de um lado atua a centralidade da parceria Lula-Jerônimo e, do outro, um discurso mais contundente da oposição, disposta a criticar a segurança pública e a forçar o crescimento do voto "Lula-Neto" como estratégia calculada. A segunda dimensão envolve a força do governismo no interior, fora as 30 maiores cidades. Sem dúvidas, contar com a ampla maioria dos prefeitos é um dos indicadores objetivos de favoritismo na largada da corrida pelo voto.
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*Cientista Político, Professor do Mestrado Profissional em Governança e Políticas Públicas (UNILAB) e pesquisador da UFRB. E-mail: [email protected]



