CONJUNTURA POLÍTICA
Polarização e geografia do voto na Bahia
Polarização nas eleições baianas parece ter uma lógica distinta, segundo as convenções


A Bahia fechou seu ciclo de convenções partidárias no sábado com as duas candidaturas polarizadas para a disputa a governador em 2026.
O governador Jerônimo Rodrigues foi confirmado anteontem (1º) com a presença estratégica do presidente Lula, reiterando a tese do lulismo como preditor de votos para a disputa estadual na Bahia, que levou o PT a vencer todas as eleições a governador desde 2006.
Vale lembrar, que Lula conta com a Bahia para empilhar o máximo de votos em uma disputa nacional apertada, mas que permite ainda sonhar em uma vitória no primeiro turno.
A polarização nas eleições baianas parece ter uma lógica distinta, segundo as convenções. De um lado, a oposição reuniu suas lideranças partindo da mobilização eleitoral da capital baiana governada desde 2012 por ACM Neto e Bruno Reis.
Do outro lado, o governismo estadual levou ao Parque de Exposições no sábado (1) mais de 30 mil pessoas, dezenas de prefeitos e caravanas da maioria dos 27 Territórios de Identidade.
Claramente, a força lulista e petista que parte do interior baiano confere favoritismo até aqui a uma chapa estadual-nacional com Lula, Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa.
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A pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada apontou ACM Neto com 39% no primeiro turno, contra 38% de Jerônimo.
Na simulação de segundo turno, 43% a 39%, um empate técnico, mas a pesquisa também revelou uma aprovação de 57% de Jerônimo Rodrigues e 47% dos eleitores baianos querem um governador aliado de Lula. 51% acreditam que Jerônimo merece ser reeleito.
A pesquisa aponta para uma solidez na imagem do governador, o que desmonta um cenário buscado pela oposição em torno de uma crise sistêmica de imagem de Jerônimo e de uma queda vertiginosa na popularidade de Lula na Bahia (62% aprovam o presidente).
Mais um elemento deve ser considerado, já que no segundo turno de 2022, Jerônimo acumulou saldo de 590.579 votos nos municípios de até 20 mil habitantes e de 587.855 nas cidades entre 20 mil e 100 mil, vencendo em 92,6% dos pequenos e em 87,3% dos médios.
ACM Neto inverteu o quadro nas cidades acima de 100 mil, onde abriu 704.993 votos de vantagem e ganhou em 88,9% dos municípios grandes da Bahia.
O mapa de votos por território expõe o problema da oposição. A vantagem de ACM Neto se concentra significativamente no Território Metropolitano de Salvador, que sozinho responde por 485.962 votos de saldo positivo.
Nos quatro territórios seguintes, o acúmulo é modesto: Litoral Sul, Portal do Sertão, Extremo Sul e Costa do Descobrimento ficam abaixo de 21 mil votos cada. Em síntese, a eleição do próximo governador será decidida de forma pendular diante do padrão de votos distintos nas grandes e pequenas/médias cidades baianas.
*Professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]


