CONJUNTURA POLÍTICA
ACM Neto e Jerônimo nas 30 maiores cidades baianas
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Nesta reta final das eleições, algumas premissas precisam ser consideradas para analisarmos melhor o cenário na disputa para governador na Bahia. Em primeiro lugar, o lulismo tem sido hegemônico nas 30 maiores cidades baianas. A estabilidade no padrão de voto igualou Dilma em 2014 (67,66%), Haddad em 2018 (66,59%) e Lula (66,14%) em 2022, uma variação inferior a dois pontos percentuais em três eleições consecutivas. A força do lulismo é um preditor de votos na Bahia.
Em segundo lugar, o fenômeno do lulismo baiano em 2022 nas maiores cidades deu a Lula 66,14% dos votos e Jerônimo Rodrigues converteu 47,96%, mas com 18 pp. abaixo do petista na disputa presidencial. Ou seja, a força do voto Lula-Neto é mais uma dimensão de análise a se considerar nas maiores cidades, mesmo com ACM Neto escolhendo embarcar (discretamente) na aliança com o bolsonarismo e vivendo uma relação frágil com o eleitorado lulista.
Em terceiro lugar, nos 22 Territórios de Identidade onde venceu, Jerônimo teve uma média de 60,7% de votos em 2022, sendo que o saldo nas maiores cidades mostra que o petista venceu em 9 municípios: Casa Nova (+42), Paulo Afonso (+26), Serrinha (+19), Irecê (+18), Guanambi (+18), Campo Formoso (+17), Candeias (+11), Jacobina (+5) e Jequié (+3).
Nas 21 cidades em que ACM Neto venceu foi por pouca diferença como em: Brumado (-1), Dias d'Ávila (-4), Juazeiro (-4), Senhor do Bonfim (-5), Valença (-8), Barreiras (-8) e Ilhéus (-8), e Porto Seguro (-11), Simões Filho (-11), Alagoinhas (-12) e Santo Antônio de Jesus (-12).
Em Camaçari (-15), Eunápolis (-16), Feira de Santana (-18), Lauro de Freitas (-18) e Vitória da Conquista (-18) formam uma faixa intermediária, mas ainda longe de ganhar de goleada.
Só quatro cidades passaram dos 20 pontos: Teixeira de Freitas (-20), Itabuna (-22), Salvador (-29) e Luís Eduardo Magalhães (-41).
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O fato é que a reta final da campanha é implacável para a ACM Neto, ou seja, se o cenário for de perda ou de pouca vantagem nas pequenas e médias cidades baianas, as grandes cidades necessitarão levar o candidato a superar na média algo em torno de 65% dos votos válidos nas 30 maiores cidades baianas, que reúnem cerca de 46% do eleitorado baiano.
Por fim, o cálculo para ACM Neto vencer em 2026 passa pelo crescimento linear nas pequenas cidades baianas. Para Jerônimo, o cálculo depende se vai reeditar a força do voto lulista, da força local governista nas pequenas e médias cidades e o quanto conseguirá equilibrar a disputa pelo voto nos grandes centros urbanos, o que passa pelo voto a presidente como atalho de representação política. Foi assim nas últimas cinco eleições que levaram o PT ao ciclo mais longevo de governismo estadual em todo o país.
*Cientista Político, professor do Mestrado Profissional em Governança e Políticas Públicas (UNILAB) e pesquisador da UFRB. E-mail: [email protected].


