CONJUNTURA POLÍTICA
Quatro estratégias nas eleições baianas
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda


Faltam duas semanas para a Bahia escolher o próximo governador e estamos capturados pelas pesquisas em torno do empate técnico entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. Nesta reta final, a eleição tende a ser decidida por quatro fatores estratégicos fundamentais que precisamos aprofundar no âmbito da análise política.
O primeiro fator é a ilusão da campanha de Ronaldo Caiado na Bahia, sem comício, sem material, sem presença nas ruas e com a mesma lógica do "tanto faz" que ACM Neto praticou em 2022, quando negou apoio a Soraya Thronicke e trabalhou nos bastidores para ter Ana Paula Matos na chapa de Ciro Gomes e ainda não barrou o apoio de parte da base a Jair Bolsonaro. Ainda houve a tentativa de aceno da campanha ao eleitorado lulista, mas foi tarde. Agora em 2026, novamente temos a tentativa do “tanto faz”, mas com o alerta da necessidade de se aproximar mais do eleitorado lulista como única variável capaz de levar o ex-prefeito ao Palácio de Ondina.
Leia Também:
A segunda estratégia é a estreiteza da própria pauta de ACM Neto. O Pix Saúde, proposta de credenciar hospitais privados e filantrópicos para reduzir filas do SUS, virou carro-chefe de campanha sem um conjunto maior de propostas de impacto complexo e equivalente em segurança ou educação. A estratégia foi abrir espaço de diálogo com o eleitorado lulista e mais popular, sendo que as principais ideias não estabelecem um avanço considerável no modelo de governança baiano nos territórios, que ficaram como uma agregação abstrata sem espaço no programa de governo da oposição.
O terceiro fator estratégico é a presença do ex-ministro Rui Costa isolado na liderança ao Senado, perto de 40% dos votos válidos, patamar acima dos 30,59% que o próprio Antônio Carlos Magalhães teve em 2002. Esta votação não vem só do eleitorado lulista convicto, mas conforma-se no eleitor urbano que reconhece a gestão dele sem se identificar com o PT, força capaz de arrastar a reeleição de Jaques Wagner, hoje disputando a segunda vaga com João Roma e Ângelo Coronel.
O quarto fator é a força combinada de Lula e dos mais de 320 prefeitos que já declararam apoio a Jerônimo. As 30 maiores cidades concentram 46% do eleitorado baiano, e o lulismo funciona como atalho de representação política para dois terços dos eleitores, sendo que todos os territórios apresentam um forte viés de voto retrospectivo no PT para presidente e governador.
A combinação entre a força local dos prefeitos e o fator nacional do lulismo dão a Jerônimo o favoritismo, a se confirmar como o eleitor lulista pendulará entre Jerônimo e ACM Neto, um movimento a ser observado nas grandes e pequenas cidades baianas. A eleição baiana será decidida mais uma vez diante da polarização nacional e a sua combinação de fatores a impactar a disputa estadual.


