CONJUNTURA POLÍTICA
Empate técnico na disputa a governador
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira, 7


O presidente Lula (PT) é o principal ator da eleição baiana de 2026. A primeira pesquisa AtlasIntel/A TARDE mostra ACM Neto (União Brasil) com 48,8% das intenções de voto no primeiro turno, contra 47,5% de Jerônimo Rodrigues (PT), diferença dentro da margem de erro de dois pontos. No cenário de segundo turno, o empate técnico foi de 49,2% a 48,6%. O dado mais importante, porém, está no comportamento do eleitorado lulista na decisão do voto para governador.
Em 2022, a AtlasIntel também mostrou Jerônimo atrás na largada, por diferença ainda maior: 2,8 pontos percentuais. A partir da terceira rodada, o petista assumiu a liderança e a manteve até a votação. Na Bahia, a aproximação da eleição tende a fortalecer a conexão entre as disputas presidencial e estadual, sobretudo quando Lula entra diretamente no centro da campanha.
Mais uma vez, o ponto decisivo da eleição ao governo tende a ser o tamanho do voto cruzado. Segundo a pesquisa, 26% dos eleitores considerados lulistas declaram apoio a Neto, movimento mais forte nas grandes cidades, onde a escolha para governador parece menos condicionada pelo alinhamento automático com o candidato presidencial. Nas cidades médias, a mesma disputa ganha importância à medida que lideranças locais e avaliações sobre a gestão estadual ampliam as razões para o eleitor separar o voto presidencial do voto estadual, ou mantê-los unidos no PT.
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Essa geografia eleitoral merece atenção porque o lulismo baiano se consolidou como fenômeno de representação política pela capacidade de aproximar o voto em Lula do voto no candidato petista ao governo. O desafio recorrente, portanto, é saber em que medida Jerônimo consegue ampliar sua votação entre os próprios lulistas.
A avaliação do governo reforça esse padrão de comportamento eleitoral. Jerônimo é aprovado por 48% dos baianos e desaprovado por 46% na AtlasIntel; 44% classificam o governo como ótimo ou bom e 48% dizem que o governador merece reeleição. Vale lembrar que, dias antes, a Quaest havia apontado o mesmo padrão, com margens mais folgadas: 57% de aprovação, 38% de avaliação positiva e 53% dos eleitores favoráveis à reeleição. As magnitudes variam conforme o instituto, mas a direção se repete nos dois levantamentos, o que indica que a competitividade de Jerônimo não depende de uma única pesquisa e resiste à mudança de metodologia.
Em síntese, as duas campanhas parecem travar, a partir de agora, uma disputa ampla dentro da base de Lula. Nesse cenário, o favoritismo de Jerônimo e do PT mais uma vez impõe a ACM Neto o desafio de se reconectar com um eleitorado lulista às pressas e do qual manteve distância nos últimos anos, desde a derrota na eleição passada. Quem converterá mais votos lulistas na Bahia?
Cláudio André de Souza é professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB.


