CONJUNTURA POLÍTICA
A força da reeleição na Bahia
Confira a coluna Conjuntura Política desta segunda-feira, 31


A pesquisa Quaest da semana passada (27) ajudou a entender a eleição para além da fotografia do empate técnico entre Jerônimo Rodrigues (41%) e ACM Neto (44%). Quando perguntados se o governador merece ser reeleito, 53% respondem que sim e 57% aprovam o trabalho de Jerônimo, embora apenas 38% classifiquem sua gestão como positiva.
Há, portanto, uma distância entre avaliação positiva, aprovação e disposição à reeleição, mais um desafio para os petistas na corrida por um sexto mandato consecutivo na Bahia.
A pesquisa também ajuda a entender a disputa entre continuidade e mudança. Apenas 20% defendem que o próximo governador continue o trabalho como está, enquanto 38% querem mudar o que não está bom e outros 38% desejam mudar totalmente.
Há uma parcela relevante que critica a gestão, cobra correções e, ainda assim, admite renovar o mandato do governador. A tese subjacente é que entre a avaliação do governo e a decisão do voto existe um caminho que, neste momento, segue em disputa no eleitorado baiano.
A identificação ideológica mostra que entre os lulistas 71% dizem que Jerônimo merece ser reeleito; entre os eleitores de esquerda não lulista, são 76%. Entre os independentes, o percentual cai para 39%. A clivagem nacional volta a organizar a disputa estadual, repetindo uma característica das eleições baianas: o lulismo influencia a competição estadual, criando uma espécie de atalho de representação política entre o lulismo nacional e sua expressão subnacional.
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Há um dado da Quaest que talvez seja ainda mais importante. Questionados sobre quem é o candidato apoiado por Lula ao governo da Bahia, 53% responderam Jerônimo, mas 45% não souberam responder. É um contingente expressivo num estado em que 49% preferem eleger um governador aliado de Lula e em que o presidente tem 53% das intenções de voto.
A associação entre Lula e Jerônimo existe, mas ainda não alcançou todo o eleitorado potencialmente receptivo a ela. Uma hipótese é que isso ocorra nas próximas duas semanas com o avanço da campanha nos municípios pequenos e médios.
O cerne desta eleição será novamente como Jerônimo converterá em voto uma combinação de aprovação majoritária, maioria favorável à reeleição e uma base lulista consolidada como atributos em evolução nas pesquisas. ACM Neto depende do movimento contrário: precisa provocar um enfraquecimento da associação do eleitor lulista entre o voto presidencial e a escolha para governador. Se não conseguir abrir essa fissura, a força do lulismo poderá novamente definir a eleição baiana.
A pesquisa AtlasIntel/A TARDE que tem sua divulgação programada para os próximos dias avançará ainda mais no trabalho de analisar a corrida eleitoral na Bahia e o fenômeno ampliado do lulismo no voto para governador.
*Cientista Político, professor do Mestrado Profissional em Governança e Políticas Públicas (UNILAB) e pesquisador da UFRB. E-mail: [email protected].


