MADE IN BAHIA
Cultura organizacional baiana: é hora de mudar?
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Ao longo dos meus mais de 30 anos de atuação na consultoria empresarial, tenho conhecido organizações dos mais variados portes e segmentos, especialmente na Bahia. Essa trajetória me permite uma reflexão: até que ponto a Cultura Organizacional das empresas baianas representa uma vantagem competitiva ou um obstáculo ao crescimento e à inovação?
A Bahia possui uma história empresarial rica, marcada pelo empreendedorismo, criatividade, resiliência e força dos relacionamentos. Muitas empresas, especialmente as familiares, foram construídas com base na confiança, na proximidade entre proprietários e colaboradores e no sentimento de pertencimento.
Essas características representam ativos valiosos. Entretanto, precisamos reconhecer que confiança não substitui competência, afetividade não elimina responsabilização e sentimento de família não pode justificar baixo desempenho.
Outro desafio é a forte influência dos fundadores na identidade das organizações. Em muitas empresas, os valores, decisões e comportamentos refletem diretamente a personalidade de quem criou o negócio. Mas o crescimento exige profissionalização, descentralização e preparação de novas lideranças.
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Também precisamos enfrentar a perigosa cultura do "sempre fizemos assim". O mercado mudou, as tecnologias evoluíram e as novas gerações apresentam expectativas diferentes sobre carreira, liderança e trabalho.
A tradição deve ser um alicerce para a inovação, jamais uma justificativa para a imobilidade. Cultura Organizacional não se fortalece apenas com declarações de missão, visão e valores. Ela se manifesta nas decisões cotidianas, nos critérios de reconhecimento, na maneira de desenvolver pessoas e na coerência entre discurso e prática.
Nas empresas baianas, esse equilíbrio exige preservar características positivas da nossa identidade, mas superar práticas como centralização excessiva, personalismo, informalidade na gestão e resistência às mudanças.
É fundamental diagnosticar a cultura existente, definir os comportamentos desejados, preparar lideranças e alinhar os processos de gestão de pessoas à estratégia empresarial.
Acredito profundamente no potencial das nossas empresas. Entretanto, precisamos provocar empresários e executivos com uma pergunta:
Estamos construindo empresas que permanecem fortes porque seus fundadores são extraordinários ou organizações capazes de continuar extraordinárias mesmo depois deles?
O futuro dependerá dessa resposta.
Preservar nossa essência não significa resistir às mudanças. Significa reconhecer aquilo que não podemos perder enquanto transformamos tudo aquilo que precisamos melhorar.
*Fábio Rocha Diretor-Executivo da Damicos Consultoria


