NEGÓCIOS
Tecnologia, talentos e o desenvolvimento da Bahia
Mais do que suporte técnico, a TI deve integrar o planejamento central das empresas para gerar eficiência, novas receitas e competitividade no mercado digital


O desenvolvimento econômico da Bahia passa, cada vez mais, pela capacidade de nossas empresas compreenderem o papel estratégico da tecnologia. Durante muitos anos, a área de Tecnologia da Informação foi enxergada principalmente como um centro de custos: computadores, sistemas, infraestrutura, licenças e suporte. Essa visão, entretanto, já não corresponde à realidade de um mercado cada vez mais digital, competitivo e conectado.
Tecnologia não deve ser apenas uma despesa necessária para manter uma empresa funcionando. Quando alinhada ao planejamento estratégico, ela se transforma em instrumento para aumentar produtividade, reduzir custos, melhorar processos, conhecer melhor os clientes, gerar novas receitas e criar oportunidades de negócio.
Para isso, precisamos aproximar cada vez mais os profissionais de tecnologia das decisões empresariais. A TI precisa estar presente quando se discute crescimento, investimentos, eficiência, experiência do cliente e futuro. O profissional de tecnologia deve ser visto como parte da construção da estratégia e não somente como aquele que entra em cena quando surge um problema técnico.
Esse movimento também pode contribuir para enfrentar outro desafio importante: a evasão de talentos. A Bahia possui profissionais qualificados que encontram oportunidades em outros estados e, cada vez mais, fora do Brasil. Países como Portugal, inclusive pela facilidade do idioma, tornaram-se um dos destinos possíveis para profissionais brasileiros de tecnologia.
Quando perdemos esses talentos, não perdemos apenas mão de obra qualificada. Perdemos conhecimento, capacidade de inovação, potenciais empreendedores e futuros líderes que poderiam contribuir para a transformação das empresas e para a geração de riqueza dentro do próprio Estado. Por isso, criar oportunidades, perspectivas de crescimento e ambientes que valorizem a tecnologia também é uma forma de estimular a permanência desses profissionais na Bahia.
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Mas essa transformação não depende somente das empresas. Existe também um desafio para quem trabalha com tecnologia. O profissional de TI precisa ampliar sua formação e desenvolver competências em gestão, liderança, finanças, processos e planejamento estratégico.
A Bahia tem talento, capacidade empreendedora e potencial para construir um ecossistema tecnológico ainda mais forte. O próximo passo é aproximar esses dois mundos: empresários que enxerguem tecnologia como investimento estratégico e profissionais de TI preparados para compreender e liderar negócios.
Quando essa conexão acontece, a tecnologia deixa de ser apenas um custo na planilha. Ela passa a ser investimento em competitividade, geração de oportunidades e, principalmente, no desenvolvimento econômico da Bahia.
*Luciano Gaspari é CEO da Gaspari Tecnologia.


