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Pode ou não? A verdade sobre o sexo durante a gravidez
Ainda há muitos mitos envolvendo a atividade sexual durante a gestação


Não são só as mudanças físicas e hormonais que bagunçam a vida das mulheres durante a gravidez. Apesar de ser o ato de concepção da gestação, o sexo ainda é visto como um problema para alguns casais ao longo dos nove meses que antecedem a chegada do bebê.
Dia desses, ouvi a história de uma mulher que estava desesperada com o fato do marido não querer tocá-la durante a gestação, mesmo que ela quisesse muito manter a vida sexual ativa neste período, já que os hormônios estavam à flor da pele.
Ela afirmou que implorava para poder transar com ele, já que os dois sempre foram praticantes assíduos, mas o homem tinha receio de machucá-la ou o bebê, evitando o ato. Porém a situação ficou ainda pior após o nascimento da criança, pois mesmo com o fim do período de resguardo nada aconteceu.
No relato, ela ainda confessou que o desespero foi tanto que até cogitou trair o parceiro para poder ter uma noite de sexo e se sentir desejada novamente, porque além de ser mãe, ela segue sendo uma mulher com necessidades e desejos.

E embora pareça um caso isolado, ela não está sozinha nessa. De acordo com dados divulgados em um Trabalho de Conclusão de Curso do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba, cerca de 21,9% das mulheres apresentam insatisfação com sua vida sexual como um todo durante a gestação.
Sexo na gravidez é seguro?
Após escutar a situação, conversei com a Dra. Tatiane Boute, ginecologista do Grupo Fleury, para entender se realmente há algum perigo ao praticar sexo durante a gestação e o que faz alguns casais acharem que não devem transar neste período.
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Direta, a médica afirmou que o bebê está protegido pelo útero e não há a menor possibilidade dele ser machucado durante o ato sexual. “Existem muitos mitos sobre o tema, mas o bebê está protegido pelo útero, pelas membranas e pelo líquido amniótico, por isso o pênis não chega até ele”, contou.
“A maioria das gestantes pode ter relações sexuais com segurança. A restrição é indicada para poucas situações específicas, como sangramento vaginal, placenta prévia (placenta baixa), ruptura das membranas (quando a bolsa se rompe), algumas situações de incompetência cervical e determinadas situações de risco aumentado de parto prematuro”.
A profissional também reiterou que os casais devem conversar sobre o tema e cuidar da intimidade como um todo, mantendo o olhar de paixão e evitando sufocamento com as obrigações de pai e mãe.

“Se a mulher está com muito desejo, não há nada de errado nisso. O casal pode manter a intimidade de outras formas: beijo, carinho, massagem, masturbação, sexo oral, ou simplesmente dormir abraçado. Intimidade não se resume à penetração”, disparou.
“Então, mais do que estabelecer uma frequência de relações, eu estimularia o casal a continuar se olhando como casal, e não apenas como pai e mãe. Muita paciência, conversar, ter momentos a dois (nem que seja 5 minutinhos!), trocar carinho e falar abertamente sobre o que cada um está sentindo”, listou.
Mulheres ativas durante a gravidez
Ainda que haja dificuldade na vida sexual de alguns casais, outros seguem 100% ativos, mesmo com a gravidez. Em conversa com a coluna, a jovem Alana*, de 24 anos, revelou que ela e seu parceiro mantiveram a frequência normal durante a gestação de seu primogênito, que atualmente tem 6 anos de idade.
“Na gravidez eu mantive minha frequência normalmente. Tirei todas as minhas dúvidas com a minha obstetra e isso me deixou super tranquila e segura em relação a tudo. Acho que ser assistida nesse período faz toda diferença”, afirmou.
Quem também tem se mantido ativa é a influenciadora baiana Iasmin Rocha. Esperando seu segundo filho, a jovem publicou um vídeo bem humorado ao lado do marido, o também influenciador Peu da Mata, revelando que o tesão não diminuiu nem um pouco.
“Eu tô grávida mas não tô morta, certo meninas?”, brincou ela na legenda da publicação, deixando claro que a gestação não atrapalha em nada quando o casal realmente quer.
Dra. Tatiane Boute reforça que cada mulher reage de um jeito e a intensidade do desejo pode mudar ao longo dos três trimestres. “No primeiro trimestre, é muito comum a libido cair devido enjoo, sono, cansaço, sensibilidade nas mamas e todas as mudanças emocionais dessa fase”.
“No segundo trimestre, muitas mulheres se sentem melhor fisicamente. O enjoo costuma diminuir, a energia volta e algumas percebem melhora do desejo sexual. Já no terceiro trimestre, o desconforto aumenta - peso da barriga, falta de ar e dificuldade para encontrar uma posição confortável para ter relação podem diminuir novamente o desejo”, completou.
E depois do resguardo?
Após o nascimento do bebê, é preciso de um tempo antes de voltar a fazer sexo. De acordo com recomendações médicas, é necessário esperar no mínimo seis semanas para reiniciar a vida sexual.
“De maneira geral, esperamos a recuperação inicial do parto e que a mulher se sinta fisicamente pronta e sem dor. A avaliação do pós-parto, que tradicionalmente acontece por volta de 6 semanas, é uma boa oportunidade para conversar sobre isso”, afirmou a ginecologista Tatiane Boute.
“Depois do parto, existe cicatrização, o útero está voltando ao tamanho normal, pode haver sangramento e, principalmente, a mulher pode estar com dor, cansaço e emocionalmente muito mobilizada. Depois de uma cesariana ou de lacerações importantes, por exemplo, a recuperação pode exigir mais tempo”, reforçou.

Algumas mulheres também podem apresentar alguns sintomas que dificultam o processo. “É comum existir ressecamento vaginal, especialmente durante a amamentação, por causa dos níveis mais baixos de estrogênio, tornando a penetração dolorosa”, explicou Tatiane.
“Além disso, uma cicatriz de laceração ou episiotomia pode ficar sensível. A recomendação é começar devagar, usar lubrificante se necessário, escolher posições confortáveis e não insistir se houver dor”.
Alana* destacou que a parte emocional conta muito na hora de retomar a intimidade com o parceiro. “Depois do resguardo foi um pouco diferente. Eu fiquei bem receosa, principalmente em relação à libido e a como meu corpo ia reagir. Foi voltando aos poucos, não foi de uma hora pra outra”, confessou.
Por fim, ela reforça a mensagem deixada aqui, de que cada mulher deve seguir o seu processo de maneira natural, respeitando seus limites e tendo um diálogo aberto com seus parceiros.
“Acho que cada mulher sente um impacto diferente no corpo e na libido depois da gravidez, então a comparação acaba existindo, mas é importante lembrar que cada experiência é única”.
*O nome da fonte foi alterado, para preservar sua identidade real.


