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Existe idade ideal para iniciar a vida sexual?
Sexóloga alerta sobre pressão entre jovens para uma vida sexual ativa


A perda da virgindade sempre foi vista como algo fantasioso pelas mulheres. Filmes e séries retratam a “primeira vez” como um momento mágico e romântico, que deveria ser regado de cuidado e muito amor, preferencialmente após o casamento.
Afinal, quem nunca imaginou ter sua primeira noite de sexo com o amor da sua vida, em um quarto cheio de pétalas de rosas vermelhas e com uma playlist pensada especialmente para o momento?

No entanto, na vida real a situação não é tão glamurosa quanto parece. Você, assim como eu, já deve ter ouvido histórias de amigas que perderam a virgindade no início da adolescência, ou as que decidiram esperar a maioridade para encontrar o parceiro ideal, mas ainda assim se arrependeram de alguma maneira.
Em meio a conversas diárias sobre experiências sexuais comuns ou inusitadas fica sempre a mesma dúvida: Existe uma idade ideal para iniciar a vida sexual?
Sexo na adolescência

Iniciar a vida sexual durante a adolescência é um hábito comum no Brasil. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação, 28,5% dos adolescentes brasileiros entre 13 e 15 anos já iniciaram a vida sexual.
Amanda*, de 27 anos, foi uma das jovens que fez parte desse número expressivo de garotas que fizeram sexo na adolescência. Em uma conversa comigo, ela revelou que teve sua primeira experiência aos 16 anos de idade, com um crush da época.
“Acabou acontecendo devido a minha mera curiosidade. Estava naquela fase do ensino médio em que todas as amigas já não são mais virgens e você é a única do meio que ainda não experimentou. De tanto ouvir falar, acabou que fiquei curiosa para saber como seria e quando menos esperei, rolou”, disse.
Ela garantiu que não se arrependeu da idade em que perdeu a virgindade, mas sim da forma como a situação foi conduzida na época. “Ideal não foi, no entanto, não me arrependo de ter iniciado a vida sexual nessa idade. A única coisa que mudaria mesmo seria a condução do momento, evitando uma tensão na ocasião”.
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Especialista em Sexualidade e Terapia Pélvica, Paula Milena alerta que a descoberta do prazer não deve ser influenciada por terceiros, mas sim com certeza da decisão e confiança plena no parceiro, ou parceira.
“Sabemos que hoje todo mundo é um pouco influenciado pelo meio e a dinâmica de viver é tentar ao máximo sair dessa influência social e se conectar com nossa verdade”, afirmou.
“Então, é muito importante que essa jovem se questione se ela está tomando essa decisão por vontade própria, se está querendo ser inserida no grupo dos amigos ou até mesmo se está sendo influenciada por um grande estímulo, como filmes eróticos e conteúdos nas redes sociais”, completou.
Adultização precoce
Além dos riscos de uma gravidez da adolescência para quem inicia a vida sexual prematuramente (devido à falta de educação sexual e orientações adequadas sobre contraceptivos), há também outro problema agravante: a adultização precoce.
Tema que ganhou os holofotes em 2025, após um vídeo publicado no canal do Youtube do influenciador Felca, a adultização acontece quando crianças e adolescentes são expostos a conteúdos, comportamentos e pressões típicas do universo adulto, seja no ambiente digital ou físico.
Essas jovens passam a adotar comportamentos e falas que não condizem com a idade, interferindo diretamente no modo como constroem sua identidade, lidam com o próprio corpo e encaram temas como relacionamentos, sexualidade e início da vida sexual.
Paula Milena reforça que é importante que a pessoa já tenha uma maturidade emocional ao começar a fazer sexo. “Não existe uma idade biológica ideal para a prática do sexo, mas é importante que essa pessoa já tenha uma maturidade emocional e entenda que tudo que a gente faz precisa de responsabilidade”, afirmou.
Sexo depois dos 20 e o tabu
Confessar que transou depois dos 20 anos se tornou um tabu, como se ser virgem fosse algo errado e vergonhoso após uma certa idade. A virgindade sai de uma imagem de tesouro, como na Roma Antiga e em certos países árabes, para um motivo de vergonha entre mulheres adultas.
Atire a primeira pedra quem nunca cogitou mentir, ou mentiu de fato, sobre a verdadeira idade em que perdeu a virgindade, reduzindo o número para socializar com outras pessoas que iniciaram a vida sexual antes de você.

Luana* já foi alvo de comentários sobre sua decisão em não perder a virgindade depois dos dezoito anos. Prestes a completar 30, ela garante que aprendeu a lidar da melhor maneira com a situação.
“Eu não diria que a situação me prejudica de alguma forma. Você precisa estar se sentindo bem consigo mesma para começar a vida sexual. Eu só acho que o que me prejudica é a minha timidez”, confessou.
“Eu sou muito tímida e uma pessoa muito caseira. Acredito que para conhecer a pessoa com que futuramente você vá ter relações sexuais, você precisa sair de casa e manter relações sociais. Não é que eu não tenha vontade, eu tenho, mas a minha timidez é muito grande, apesar de não parecer”.
Ela contou à coluna que a decisão não foi planejada e aconteceu de uma maneira muito natural, devido às responsabilidades acumuladas nos últimos anos. “Na verdade eu não decidi nada e nem tomei iniciativa sobre o assunto. Eu deixei a vida passar. Ensino médio acabando, entra na faculdade, sai da faculdade porque não gostou, volta a estudar pra entrar na federal, passa na federal, chega a pandemia e fica sozinha e isolada, não sai de casa…”, listou.
“Aí depois quando vai amenizando as coisas, consegue um emprego. E depois não tem mais tempo porque estuda e trabalha na escala 6x1. E aí quando eu me dei conta eu parei e pensei: ‘poxa eu não transei até hoje, a vida passou e eu não fiz sexo até agora’. Simples assim”, completou.
Autoconhecimento é a chave principal
Independente da idade em que a primeira relação sexual aconteça, o autoconhecimento é a chave principal da descoberta do prazer feminino. Estar bem consigo mesma é fundamental para uma experiência confortável e segura.
No entanto, se descobrir vai além da preparação psicológica. A masturbação feminina também é determinante para uma boa noite de sexo, pois auxilia a mulher a entender seus pontos de estímulo.
“A masturbação deveria acontecer muito antes do primeiro ato sexual. Porque é uma forma de autoconhecimento e quando você tem esse sentimento vivo, potente e latente dentro de você, a sua atividade sexual acontece de uma forma muito mais fluida e natural”, destaca a sexóloga Paula Milena.

A masturbação é como um treinamento, não só muscular, mas também da sua sexualidade mental e ela é muito importante". Paula Milena
Ela garante que o ato de se tocar é um meio de liberação de endorfina e ocitocina, hormônios associados ao bem-estar e à redução do estresse. Entretanto, o tabu e falta de conhecimento em torno do tema pode gerar compulsão, uso de objetos inadequados e a famosa culpa pós-orgasmo, atos que devem ser observados com atenção.
“O processo deveria acontecer de forma natural, mas sabemos todos os tabus que o autoconhecimento e a masturbação, principalmente feminina, tem. Então, por isso que a educação sexual é necessária, para que haja desmistificação e informação”, concluiu.
Não há idade certa ou errada para começar a fazer sexo. O mais importante é que haja consentimento e liberdade para poder desfrutar dos prazeres que uma vida sexual ativa tem para oferecer.
*Os nomes das fontes foram alterados para preservar a identidade.


