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Cães idosos também podem ter demência, o “alzheimer animal”

Trocar o dia pela noite, andar perdido dentro de casa e vocalizar são os primeiros sinais da doença

HIlcélia Falcão
Por HIlcélia Falcão
A SRD Margort, 18 anos, começou a apresentar síntomas há 8 meses
A SRD Margort, 18 anos, começou a apresentar síntomas há 8 meses - Foto: Divulgação

De repente, o seu melhor amigo fica desorientado e parece perdido dentro de casa. Ele muda os padrões do sono, não atende mais aos comandos e faz as necessidades em qualquer lugar. O que parece ser apenas sinal do envelhecimento do bichinho pode indicar um quadro pouco conhecido pela maior parte das pessoas.

Em geral, quando um cachorro apresenta estes sintomas, alterações no padrão do sono e vocalização excessiva, certamente é portador da disfunção cognitiva canina, popularmente conhecida como “demência canina”, o “alzheimer” do mundo animal. A doença exige diagnóstico de um médico veterinário.

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“Os primeiros sinais costumam ser discretos e frequentemente são confundidos com o envelhecimento natural”, explica o médico veterinário João Victor Romano Vieira, 36 anos, que atua na Clínica Veterinária da Unifacs-Clivet.

A yorkshire terrier Mel, 14 anos, por exemplo, começou a apresentar os sintomas no ano passado. “Mel começou a ficar parada, com o olhar perdido, sem atender quando chamávamos e parou de beber água completamente”, conta Lícia Maria Carvalho Afonso, 73 anos.

Mas como distinguir a demência do envelhecimento normal? “Há alterações (comportamentais) que atentam contra a autonomia do animal e até a segurança dele, como se arriscar diante de outro animal ou se expor a situações com perigo de queda”, explica a médica veterinária geriatra integrativa Viviane Abreu.

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Licia Maria Carvalho observou a mudança de comportamento em Mel - Foto: Divulgação

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Andar em círculos

Trocar o dia pela noite é um sinal de que algo não vai bem. “O que mais chama a atenção é a troca do dia pela noite, o animal acorda e chama a família para estar com ele”, diz.

Sempre atenta ao comportamento da dachshund Nina, 14 anos, a administradora Kátia Ramos Prates, 49 anos, notou uma mudança importante há cerca de 8 meses. “Ela acorda de madrugada e sai andando pela casa como se estivesse nos procurando sem saber onde está”, conta.

Contudo, o diagnóstico requer uma avaliação especializada. Foi assim com a SRD Margot que, no último ano, passou a andar sem rumo pela casa, batendo a cabeça nos móveis e paredes. “Muitas vezes ela andava em círculos ao ponto de fadiga. Os primeiros sinais começaram com uivos e latidos repetidos, falta de coordenação motora e sensação de estar pedida”, conta a produtora cultural Vanessa Miranda, 32 anos, que adotou Margot há 6 anos.

Segundo ela, o diagnóstico exigiu exames de laboratório e avaliação com veterinário neuropsiquiatra, além de acompanhamento com médica integrativa.

A dachshund Nina, 14 anos, apresenta comportamento compatível com Alzheimer canino
A dachshund Nina, 14 anos, apresenta comportamento compatível com Alzheimer canino - Foto: Divulgação

Embora não tenha cura, a doença tem tratamento que pode melhorar a qualidade de vida do animal, sobretudo com abordagem integrativa. “Vamos iniciar o tratamento com o canabidiol para melhorar a qualidade de vida”, conta. O tratamento atual com medicações tradicionais, acupuntura e fisioterapia já melhorou os sintomas.

Isso traz esperança a pacientes como o poodle Sherlock, de 14 anos, que tem comportamentos repetitivos durante à noite, de cavar, rodar e choramingar e já ficou preso debaixo dos móveis várias vezes.

“Tentei medicações para regular o sono e já reduzi o espaço de circulação dele”, conta Rafaela de Almeida Oliveira, 34 anos, que é veterinária. Ela teve que colocar tatame emborrachado para evitar que ele se machuque nas quedas. A expectativa agora é que o tratamento com o óleo de THC dê alívio e devolva qualidade de vida ao pequeno Sherlock.

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Entenda a doença que também afeta gatos

Depois do diagnóstico, quais são as principais formas de tratamento?

Infelizmente, a demência não possui cura, mas existem tratamentos capazes de retardar sua progressão e melhorar significativamente a qualidade de vida. O tratamento pode incluir medicações que modem amenizar os sinais clínicos, dietas, suplementos com ação neuroprotetora e enriquecimento ambiental.

Qual o papel da medicina integrativa no tratamento?

A medicina integrativa desempenha um papel importante, com recursos como acupuntura, fisioterapia, laserterapia, terapias para controle da dor e estímulos cognitivos.

A síndrome também acomete os felinos?

Sim. Os gatos também podem desenvolver síndrome da disfunção cognitiva. Nos felinos, costuma se manifestar com vocalização intensa à noite, desorientação, alterações na interação com os responsáveis e redução dos hábitos de higiene.

Fonte: João Victor Romano Vieira, veterinário

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Alzheimer Medicina Veterinária

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