POLÍTICA & MEMÓRIA
Lula enfrentou ex-presidente e perdeu em sua primeira eleição
Coluna Política e Memória traz início de trajetória petista


Quatro vezes eleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçou uma trajetória poucas vezes vista na política mundial. O político, que completou 81 anos na terça-feira, 27 de outubro, enfrentou também obstáculos nas urnas antes de se consolidar como a principal figura popular da história do país.
A coluna Política e Memória desta semana narra a primeira experiência de Lula em uma disputa eleitoral, que foi marcada pelo enfrentamento a um outro brasileiro que também ocupou a presidência da República, pelo revés entre eleitores, o que quase lhe tirou da política.
Lula e a fundação do PT
Fundado em 1980 e registrado em 1982, o Partido dos Trabalhadores foi o braço principal do processo de fortalecimento da imagem de Lula, fundador da sigla.
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A greve do ABC, liderada pelo metalúrgico no final da década de 1970, foi crucial para projetar o sindicalista no mundo político. Com o PT em mãos, Lula decidiu ir para sua primeira eleição como candidato, após apoiar, nos anos anteriores, nomes como Fernando Henrique Cardoso, que viria a se tornar um de seus maiores adversários da vida.
Lula candidato em São Paulo contra ex-presidente
Pernambucano de nascença, mas forjado politicamente no ABC Paulista, mais precisamente em São Bernardo do Campo, Lula se organizou para concorrer ao governo de São Paulo em 1982, primeira eleição direta do processo de reabertura democrática do Brasil.
Sem formar alianças com outros partidos, Lula teve o também petista Hélio Bicudo, jurista responsável pela elaboração do pedido de impeachment da presidente petista Dilma Rousseff (PT), décadas depois, em 2016, como vice.

Lula enfrentou um cenário formado por grandes atores da política. Um deles era o ex-presidente Jânio Quadros, candidato pelo extinto PTB, que também havia sido governador de São Paulo nos anos 1950.
Em um dos encontros mais marcantes entre os dois candidatos, no histórico e pioneiro debate televisionado promovido pela Band, Jânio questiona a Lula sobre a presença de ‘marxistas’ no PT.

Como resposta, Lula afirmou que seu partido não pedia “atestado ideológico” aos seus membros ou interessados na filiação.
“O Partido dos Trabalhadores não pede atestado ideológico a quem queira entrar. Eu tenho respondido que não me preocupam as pessoas de esquerda que estejam neste ou naquele partido, mas me preocupam os fascistas e os direitistas que entram neste ou naquele partido”, afirmou na época.
Derrota de Lula nas urnas
Apesar de conquistar espaço no debate político, se firmando na condição de uma das maiores lideranças do Brasil, Lula não conseguiu vencer a eleição para governador, amargando o quarto lugar, com 1.144.648 de votos.
O vencedor do pleito foi Franco Montoro, do PMDB, político que seria uma das lideranças da fundação do PSDB, anos depois.
Lula quase desistiu da política após derrota
Segundo Lula, anos mais tarde, a experiência fracassada nas urnas quase lhe fez desistir de disputar novos cargos eletivos.
A ‘desistência da desistência’ só ocorreu, de acordo com o próprio Lula, por conta de um conselho dado pelo líder cubano Fidel Castro, que se tornou seu amigo.
“Quando foi 1985, fui para Cuba e conheci o Fidel. Gente boa. Começamos a conversar sobre política, e eu falei que estava pensando em parar, que só tive 10% dos votos. Ele falou, 'quanto é 10%?', e eu falei que era um milhão de votos. Ele falou, 'Lula, não existe na história da humanidade nenhum metalúrgico que já teve 1,1 milhão de votos. O Fidel falou, então [...] Foi muito bom, isso me deu coragem", afirmou Lula em entrevista.


