COPA DO MUNDO
Adversário do Brasil, Japão tem dois jogadores acusados de estupro
Entenda os casos envolvendo Junya Ito e Kaishu Sano


Antes da bola rolar para o confronto entre Brasil e Japão, válido pela fase de 16-avos de final da Copa do Mundo de 2026, nesta segunda-feira, 29, às 14h, um tema extracampo também chama atenção. Pelo menos cinco jogadores que disputam o Mundial respondem ou responderam a acusações de estupro ou agressão sexual. Entre eles, estão dois atletas da seleção japonesa, adversária da equipe comandada por Carlo Ancelotti.
Apesar das investigações e processos, a presença dos jogadores na Copa é permitida porque a Fifa não possui uma norma que impeça automaticamente a inscrição de atletas acusados ou que respondam judicialmente por esse tipo de crime. Em regra, a entidade afirma respeitar os trâmites da Justiça de cada país e entende que a convocação dos jogadores cabe às respectivas federações nacionais.
Assim, enquanto não houver uma punição disciplinar aplicada pela própria Fifa, uma decisão judicial que restrinja o exercício da profissão ou outra sanção legal, os atletas seguem aptos para atuar normalmente.
Dois jogadores do Japão chegam à Copa após acusações
Os casos de Junya Ito e Kaishu Sano ganharam grande repercussão no futebol japonês e voltaram aos holofotes às vésperas do duelo contra o Brasil.
Autor de um dos gols na goleada japonesa por 4 a 0 sobre a Tunísia na fase de grupos, Junya Ito foi acusado de abuso sexual no início de 2024. Na ocasião, duas mulheres afirmaram à polícia que o atacante teria cometido o crime em um hotel na cidade de Osaka, enquanto ambas estavam embriagadas.
A repercussão fez com que Ito fosse cortado da disputa da Copa da Ásia. Posteriormente, o próprio jogador apresentou uma denúncia criminal contra as acusadoras, alegando que havia sido alvo de falsas acusações.
Em agosto de 2024, o Ministério Público do Japão decidiu encerrar o caso sem apresentar denúncia contra qualquer uma das partes, alegando insuficiência de provas.
Outro nome presente na seleção japonesa é o volante Kaishu Sano. Em julho de 2024, ele chegou a ser preso sob acusação de ter agredido sexualmente uma mulher de aproximadamente 30 anos em um hotel de Tóquio.
Após o encerramento do processo, sem condenação, Sano foi liberado pelas autoridades japonesas e voltou a defender a seleção nacional. Antes de seu retorno, o meio-campista fez um pronunciamento público.
"Peço sinceras desculpas por ter causado transtornos e preocupações a tantas pessoas por causa das minhas ações. Daqui para frente, pretendo continuar demonstrando, por meio das minhas atitudes, palavras e tudo o que eu puder fazer, meu comprometimento, além de contribuir para a sociedade também fora dos gramados", declarou Kaishu Sano em 2025.
O técnico Hajime Moriyasu também justificou a decisão de recolocar o jogador na equipe japonesa.
"Tenho acompanhado sua trajetória o tempo todo e, após conversar pessoalmente com ele, senti fortemente que ele está verdadeiramente arrependido. Perguntei a mim mesmo se deveríamos simplesmente excluir alguém da sociedade ou do mundo do futebol por ter cometido um erro. Decidi que seria melhor, como uma família, oferecer a ele uma oportunidade de recomeçar", afirmou Hajime Moriyasu, técnico do Japão desde 2018.
Capitão de Cabo Verde é investigado
Outro caso envolvendo um participante da Copa é o do atacante Ryan Mendes, capitão de Cabo Verde. O jogador é investigado pela polícia da Nova Zelândia após uma brasileira denunciá-lo por estupro. O episódio teria ocorrido em março, durante amistosos da seleção cabo-verdiana na Oceania.
Segundo informações do ge, a polícia reuniu imagens do circuito interno do hotel e aguarda o resultado dos exames periciais realizados na vítima para concluir o inquérito. Somente após essa etapa será decidido se haverá apresentação de denúncia à Justiça.
Pela legislação neozelandesa, uma eventual condenação por violência sexual pode resultar em pena de até 20 anos de prisão, dependendo da gravidade do crime.
Sobre o caso, a Fifa divulgou a seguinte manifestação:
"A Fifa trata com a máxima seriedade qualquer denúncia de conduta imprópria e dispõe de um processo claro para que qualquer pessoa envolvida com o futebol possa comunicar um incidente.
Como regra geral, os órgãos judiciais independentes da Fifa não comentam sobre denúncias que possam ou não ter recebido, nem confirmam ou negam a existência de investigações em andamento sobre supostos casos. Caso decidam tornar alguma informação pública, isso será feito no momento e da forma que considerarem apropriados.
A Fifa está em contato com as autoridades da Nova Zelândia. Neste momento, não faremos comentários adicionais".
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Hakimi aguarda julgamento na França
Principal referência técnica da seleção de Marrocos, Achraf Hakimi também disputa a Copa enquanto responde a um processo na Justiça francesa.
O lateral do PSG foi acusado de estupro por uma mulher de 24 anos em fevereiro de 2023. Segundo a denúncia, os dois se conheceram pelo Instagram e, durante um encontro na residência do jogador, ele teria cometido o crime sem o consentimento da vítima.
Indiciado em março daquele ano, Hakimi tentou arquivar o caso, mas teve o pedido rejeitado pelo Tribunal de Apelação de Versalhes. Com isso, responderá ao julgamento.
Ao comentar a decisão da Justiça, o marroquino declarou:
"Hoje em dia, uma acusação de estupro é suficiente para justificar um julgamento, mesmo que eu a negue e tudo prove que é falsa. Isso é tão injusto para os inocentes quanto para as verdadeiras vítimas. Aguardo com serenidade este julgamento, que permitirá que a verdade venha à tona publicamente", escreveu nas redes sociais.
Thomas Partey responde a sete acusações
Também presente na lista está o ganês Thomas Partey, que responde a sete acusações de estupro e agressão sexual no Reino Unido.
O meio-campista sequer pôde atuar na estreia de Gana na Copa do Mundo diante do Panamá, já que o governo do Canadá negou sua entrada no país em razão da investigação.
O Ministério das Relações Exteriores de Gana criticou a medida e afirmou que a decisão foi "arbitrária e extremamente injusta", por considerar que ela se baseia em acusações ainda não comprovadas.
Partey responde por crimes supostamente cometidos entre 2021 e 2022, quando defendia o Arsenal, além de novas acusações apresentadas neste ano por outras duas mulheres. Em fevereiro, ele se declarou inocente perante um tribunal inglês.
Em 2025, o jogador chegou a ser preso, mas foi colocado em liberdade condicional mediante pagamento de fiança. Como parte das condições impostas pela Justiça, ele não pode manter contato com as denunciantes e deve comunicar previamente qualquer mudança permanente de endereço ou viagem internacional.


