COPA DO MUNDO
Brasil e Haiti já se enfrentaram em “jogo de paz” há 20 anos atrás; relembre
Confronto na Copa do Mundo será a quarta vez que as seleções se enfrentam

Brasil e Haiti voltam a se enfrentar nesta sexta-feira, 19, às 21h30 (horário de Brasília), em partida válida pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Embora o confronto valha pontos decisivos no torneio mundial, o histórico entre as duas seleções carrega um capítulo que transcende o esporte: o célebre "Jogo da Paz", realizado há mais de duas décadas.
Em 2004, a Seleção Brasileira viajou até Porto Príncipe, capital do Haiti, para um amistoso no Estádio Sylvio Cator. O Brasil venceu por 6 a 0, mas o placar tornou-se um detalhe secundário diante do impacto social do evento.
O contexto histórico do "Jogo da Paz"
O Haiti enfrentava uma severa crise institucional e uma guerra civil deflagrada no mesmo ano em que o país comemorava o bicentenário de sua independência. A partida foi planejada como o marco inicial de uma campanha nacional pelo desarmamento e pela pacificação do território caribenho.
Para incentivar a entrega de armamentos, o governo local e os organizadores adotaram uma estratégia inédita: os ingressos para o jogo foram distribuídos em troca de armas de fogo.
A iniciativa esgotou as entradas e mobilizou 15 mil espectadores, que lotaram as arquibancadas para assistir à equipe que detinha o título de campeã do mundo.
Pela organização e execução do amistoso humanitário, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu o prêmio Fair Play da Fifa.

Ao desembarcar no país, a delegação brasileira foi recebida por uma multidão. Os atletas desfilaram em blindados das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) por ruas tomadas por torcedores que tentavam saudar os jogadores.
"Se alguém ainda tinha dúvida em relação à validade desta viagem, deve ter se convencido diante dessas imagens. Na próxima vez que me perguntarem qual a emoção mais forte que vivi no futebol, direi que foi esta", declarou o então técnico do Brasil, Carlos Alberto Parreira, na época.
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A partida e as escalações de 2004
Mesmo motivada por uma promessa do primeiro-ministro haitiano, Gerard Latortue — que ofereceu US$ 1.000 para quem marcasse um gol no Brasil e US$ 100 para cada atleta em caso de vitória —, a seleção do Haiti não conseguiu conter o volume de jogo brasileiro. O Brasil construiu a goleada de 6 a 0 com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger e um de Nilmar.
A Seleção Brasileira, que mantinha a base do pentacampeonato de 2002, iniciou a partida com a seguinte formação:
- Goleiro: Júlio César;
- Defensores: Belletti, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos;
- Meio-Campistas: Gilberto Silva, Edu, Juninho Pernambucano e Roger;
- Atacantes: Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo.
No decorrer do segundo tempo, Parreira promoveu as entradas do goleiro Fernando Henrique, dos defensores Cris e Adriano Correia, dos meio-campistas Magrão, Renato e Pedrinho, e dos atacantes Nilmar e Adriano Imperador.
O reencontro na Copa do Mundo de 2026
Vinte e dois anos após o histórico amistoso, as seleções voltam a se encontrar em uma competição oficial. A partida ganha contornos de urgência para ambos os lados devido aos resultados da rodada de abertura do Grupo C.
O Brasil busca sua primeira vitória no Mundial após estrear com um empate em 1 a 1 contra o Marrocos. A situação do Haiti é ainda mais pressionada, já que a equipe caribenha estreou com derrota por 1 a 0 para a Escócia.
Ficha Técnica do Confronto
- Data: 19 de junho de 2026 (Sexta-feira)
- Horário: 21h30 (Horário de Brasília)
- Local: Lincoln Financial Field (Estádio da Filadélfia) – Filadélfia, Estados Unidos
- Transmissão: CazéTV (YouTube e Prime Video), Globo (televisão aberta), SBT (televisão aberta).
Prováveis escalações
Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Fabinho, Bruno Guimarães e Matheus Cunha; Luiz Henrique, Vinicíus Júnior e Endrick. Técnico: Carlo Ancelotti.
Haiti: Johnny Placide; Carlens Arcus, Ricardo Adé, Delcroix e Martin Expérience; Bellegarde, Jean Jacques, Deedson e Ruben Providence; Frantzdy Pierrot e Wilson Isidor. Técnico: Sébastien Migné.



