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Deschamps diz que deixou a França pelo bem da seleção: "Irrespirável"
O treinador fez seu último jogo com a seleção francesa na disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo


Além da dolorosa perda do pódio ao qual era favorita, a despedida da França da Copa do Mundo com a derrota para a Inglaterra marcou também o final do ciclo de Didier Deschamps no comando dos Les Bleus.
Campeão mundial como jogador, em 1998, e como técnico, em 2018, estando presente nos dois títulos da história do país, ele encerra uma passagem de 14 anos à frente dos franceses e afirmou que decidiu sair pelo bem da própria equipe.
Em entrevista à TV francesa M6, Deschamps disse que o ambiente em torno dele havia se tornado insustentável, embora não tenha detalhado os motivos da avaliação.

"Decidi que aquilo tinha que parar. E se tomei essa decisão, não foi por mim, digo sinceramente, foi pelo bem da seleção francesa. Talvez não o tenha dito antes, mas vou ser honesto: não tomei esta decisão por mim", afirmou.
"Porque existia um ambiente que era muito irrespirável com relação a mim, e a seleção francesa não merece isso. A seleção francesa está acima de tudo. Ela não me pertence. Eu a servi em missão por quatorze anos. Não há nada acima desta camisa", completou.
Despedida dolorosa
A última partida de Deschamps no comando da França terminou com derrota para a Inglaterra na decisão do terceiro lugar. O resultado encerrou uma Copa em que os franceses chegaram novamente entre os quatro melhores, mas ficaram abaixo da expectativa de disputar mais uma final.
A França havia sido eliminada pela Espanha na semifinal, com derrota por 2 a 0. Depois, caiu diante dos ingleses em um jogo de dez gols, encerrando a campanha sem medalha e fechando a era Deschamps com frustração.
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Ainda no gramado, o treinador se emocionou ao falar sobre a despedida. Apesar do resultado amargo, fez questão de valorizar o elenco e projetar um futuro positivo para a seleção francesa.
"Começamos com grandes ambições. Conseguimos alcançar coisas bastante positivas. Não rendemos o esperado contra a Espanha; eles jogaram muito bem contra nós. Mas nem tudo foi perdido", lamentou.
"Há aqui um elenco com verdadeira qualidade futebolística. Tínhamos a matéria-prima para obter resultados. Em nível pessoal, foi uma jornada maravilhosa", disse.
Deschamps na seleção
Deschamps deixa a França como um dos personagens mais importantes da história da seleção. Como jogador, foi capitão da equipe campeã da Copa do Mundo de 1998, em casa. Como treinador, conduziu os Bleus ao título mundial de 2018, na Rússia.
No comando técnico, também levou a França à final da Eurocopa de 2016 e à decisão da Copa do Mundo de 2022, quando perdeu para a Argentina nos pênaltis. Em 2021, conquistou a Liga das Nações.
De acordo com o balanço da passagem do treinador, Deschamps comandou a França em 185 partidas, com 122 vitórias, 35 empates e 30 derrotas. O aproveitamento foi de 72,2%.

Ao todo, a seleção marcou 404 gols e sofreu 180 sob seu comando, tendo vencido a Copa do Mundo de 2018 e Liga das Nações de 2021, e chegando à final da Eurocopa de 2016 e Copa do Mundo de 2022.
Em Copas do Mundo, foram 27 partidas, com 19 vitórias, três empates e quatro derrotas. Em Eurocopas, 17 partidas, com nove vitórias, quatro empates e quatro derrotas, em Ligas das Nações, 27 partidas, com 16 vitórias, cinco empates e seis derrotas, e em amistosos, 63 partidas, com 39 vitórias, dez empates e 14 derrotas.
França inicia novo ciclo
A saída de Deschamps abre, assim, uma nova etapa para a seleção francesa. O treinador deixa o cargo com uma geração ainda forte, liderada por Kylian Mbappé, e com jovens nomes que devem sustentar o próximo ciclo até a Copa de 2030.
Mbappé, inclusive, que se declarou ao técnico após a perda do terceiro lugar, agradecendo pelos anos em que foi treinado por ele: "Hoje é a sua última dança. Você, que tanto nos deu.Nós deveríamos ter lhe dado um final melhor, mas falhamos".
"É muito difícil encontrar palavras para expressar tudo o que você representou nesses 14 anos, tamanha foi a sua importância no renascimento desta seleção. As pessoas nem sempre souberam reconhecer a sua grandeza, mas o tempo e a história cuidarão disso", escreveu.

"Obrigado por ter me dado a oportunidade e a honra de representar o meu país no maior palco do futebol durante tantos anos. Sinto-me privilegiado por ter estado ao lado de uma das maiores lendas do nosso país, e guardo apenas excelentes lembranças de tudo o que vivemos e conquistamos juntos", agredeceu.
"Desejo a você tudo de melhor nesta nova etapa da sua vida e, mais uma vez, obrigado por tudo o que você fez por esta camisa, que significa tanto para todos nós", completou.
Agora, o substituto deve ser a estrela Zinedine Zidane, um dos maiores nomes do futebol francês na história.


