SOLIDARIEDADE
Além do Festival Emoções: ICB reforça importância de doações frequentes
Instituto sobrevive com doações do público e de parceiros


O Festival Emoções foi apenas um dos meios de arrecadação de fundos para o Instituto de Cegos da Bahia. Realizado no Teatro Casa do Comércio, nesta quinta-feira, 16, o evento utilizou todo o valor da venda dos ingressos para a reestruturação do ICB.
Atuando desde 1933 nas áreas de saúde, educação e assistência social em prol da inclusão dos deficientes visuais, o instituto realiza cerca de 370 mil atendimentos médicos e psicológicos de maneira 100% gratuita por ano, através do Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, o ICB enfrenta algumas dificuldades para sua sustentação. Sobrevivendo como uma organização sem fins lucrativos, o local precisa de recursos financeiros para continuar realizando os atendimentos.
Presidente voluntária do Instituto de Cegos da Bahia, Heliana Diniz reforçou que as doações precisam continuar acontecendo durante todo o ano e não apenas no dia do Festival Emoções.

“Nós precisamos da sociedade, porque a gente pode receber muito mais pessoas do que nós temos hoje no Instituto. Atualmente temos uma capacidade limitada e com a ajuda da sociedade poderemos atender muito mais gente. Será benéfico para todos que precisam dos nossos serviços”, disse ela ao portal A TARDE.
Todo valor conta

Criadora do Festival Emoções, Tina Leiro destacou que cada valor é significativo para as pessoas que são atendidas diariamente pelo ICB. Diretora da Escola de Dança, Arte e Cultura Galega (EDACE), ela reforçou que o instituto precisa de cada vez mais visibilidade.
“Sabemos que o Festival Emoções é beneficente, mas as doações não podem parar ou se limitar somente à hoje. O Instituto é uma obra que vive de doações. Ele não tem ajuda fixa de nenhuma instituição e recebe apenas contribuições da prefeitura, para as escolas. Mas a base do Instituto sempre foi de doação”, afirmou.
“Então, se você pode, coloca no seu cartão de crédito. "Ah, eu só posso 10 reais". Não importa. Põe 10 reais por mês no seu cartão de crédito, porque para eles significa previsibilidade. É melhor doar 10 reais por mês do que mil reais uma vez por ano. Porque os mil reais podem vir, podem não vir. Os 10 reais por mês de 100 pessoas estão ali”, explicou.
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Ela ainda recomendou que todos façam uma visita ao ICB, para conhecerem as atividades disponibilizadas para pessoas com deficiência visual. “Quem não conhece a obra, tem que conhecer, porque é comovente o que eles conseguem. Além da quantidade de pessoas que eles atendem e o nível”, orientou.
“Eu sempre achei que era um Instituto para aprender braille. Quando eu fui conhecer, há 40 anos, me impressionei que eles tinham uma tarefa diária e habilitavam as pessoas para a tarefa diária. Isso eu já acho maravilhoso, porque a pessoa sai com a condição de fazer sua comida, passar sua roupa, fazer sua cama”, relembrou.
“Eles têm uma escola que ensina canto, percussão e são muito bem atendidos. Então, assim, não é só o braille. Hoje já tem a parte da computação, biblioteca, espaços mais modernos, ambulatórios, psicólogos e área infantil. Quem não conhece, precisa fazer uma visita”, concluiu.
Auxílio do ICB na prática
Presente durante o Festival Emoções 2026, Aldair Silveira contou ao A TARDE os efeitos do ICB em sua vida. Deficiente visual, ela revelou que já foi aluna e professora do instituto e se sente muito feliz ao participar de um evento inclusivo, com audiodescrição das apresentações.

“É uma alegria estar aqui, porque esse espetáculo é em benefício do Instituto de Cegos do qual eu já fui aluna e professora. Então, é muito bom estar aqui e acredito que acredito que as pessoas devem continuar doando para o IVB, pois é uma causa justa, onde várias pessoas são beneficiadas com educação e atendimentos de saúde”, disse.
Mãe de uma das bailarinas que se apresentaram no festival, a fisioterapeuta Ana Paula Moreira também relatou que percebe a importância da acessibilidade para pessoas cegas no dia a dia e repassa isso para a jovem.
“Na família temos uma pessoa que tem uma deficiência visual e sabem como são as dificuldades da vida em si e da inclusão. Eu acho que é muito gratificante estar aqui e ter minha filha participando dessa causa nobre”, contou ela.


