TEATRO
Bando de Teatro Olodum volta ao palco com espetáculo em Salvador
Espetáculo que completa 30 anos terá temporada gratuita


O Bando de Teatro Olodum retorna aos palcos de Salvador com uma nova temporada de “Erê”, que será apresentada gratuitamente de 4 a 26 de setembro, no Centro Cultural Plataforma, no Subúrbio Ferroviário.
A temporada integra o projeto “Bando de Teatro Olodum - 35 Anos de Arte Negra” e marca os 30 anos da criação do espetáculo.
A nova montagem reúne diferentes gerações do grupo em uma obra que aborda racismo, violência e a defesa das vidas negras por meio de música, dança, performance e dramaturgia. A programação terá sessões para estudantes da rede pública, instituições socioculturais e público em geral.
Espetáculo retorna após três décadas
Originalmente criado como “Erê pra Toda Vida/Xirê”, o espetáculo nasceu no Bando de Teatro Olodum, em 1996, como uma denúncia da Chacina da Candelária. A montagem foi criada para o Festival Carlton Dance e teve direção geral de Márcio Meirelles, trilha sonora de Jarbas Bittencourt e direção de movimento de Zebrinha.
A obra também levou o grupo para fora do Brasil em uma turnê internacional que passou por Londres.
Na celebração dos 25 anos do Bando, “Erê” ganhou uma nova versão, com roteiro de Lázaro Ramos, texto de Daniel Arcades e direção de Onisajé e Zebrinha.
Agora, para os 35 anos do grupo, a montagem retorna com roteiro de Lázaro Ramos, texto de Daniel Arcades e direção de Cássia Valle e Zebrinha. A direção musical e a música original são assinadas por Jarbas Bittencourt.
Nova montagem reúne diferentes gerações
A temporada reúne veteranos e novos integrantes do Bando de Teatro Olodum, mantendo a dimensão coletiva que acompanha a trajetória do grupo.
Para Cássia Valle, escritora, atriz do Bando e diretora da nova montagem, a retomada também envolve preservar a memória construída ao longo das diferentes versões do espetáculo.
“Ao assumir esta codireção, assumi também o compromisso de não deixar que o novo apagasse os caminhos que nos trouxeram até aqui, reconhecendo as pessoas, os processos e os saberes que atravessaram Erê ao longo do tempo. Em 2026, Erê completa 30 anos. E há algo profundamente triste em perceber o quanto ainda precisamos dizer através deste espetáculo”, destaca Cássia Valle.
A diretora também relaciona a montagem à preservação de acontecimentos da história brasileira. “Nossos corpos em cena registram tempos, guardam memórias e denunciam histórias que o Brasil não pode esquecer. Que um dia possamos revisitar Erê apenas como memória de um passado que conseguimos transformar”, afirma.
Corpo e performance negra estão no centro
A movimentação cênica da nova montagem mantém elementos associados à linguagem desenvolvida pelo Bando, como o uso de cantos, danças e gestos relacionados às tradições afro-brasileiras.
“As montagens do Bando exaltam o corpo-ritual, com uso de cantos, danças e gestos que remetem a tradições afro-brasileiras, reelaborados com a linguagem contemporânea”, pontua o coreógrafo, que integra o júri técnico da Dança dos Famosos do Domingão do Huck.
Zebrinha, que também é diretor artístico do Bando, destaca a relação entre celebração e denúncia presente no espetáculo.
“A arte do Bando sempre esteve ligada à celebração e à denúncia. Erê é a síntese disso: a gente canta, dança e conta histórias para afirmar que as vidas negras importam e precisam ser preservadas. Ter o elenco inteiro no palco e novos talentos é um presente para o público e para a nossa história”, afirma o artista.
Cássia Valle também descreve a reunião de diferentes gerações no palco. “Todos juntos como uma biblioteca viva, guardando memórias e inventando futuros. Um corpo coletivo amadurecido, mais denso e mais belo, que encara um tema ainda urgente: a morte dos jovens corpos pretos. Este Erê é festa e ferida, canto e denúncia, celebração e resistência. É o Bando inteiro dizendo que a vida preta é sagrada”, afirma.
Temporada será gratuita no Subúrbio
As apresentações acontecem no Centro Cultural Plataforma, na Praça São Brás, no distrito de Plataforma. Às sextas-feiras, às 19h, e aos sábados, às 15h, estão previstas sessões fechadas para escolas da rede pública.
Aos sábados, às 19h, acontecem as sessões destinadas a instituições socioculturais e abertas ao público em geral. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na bilheteria até uma hora antes de cada apresentação.
Bando celebra 35 anos com novas ações
A temporada de “Erê” integra a programação do projeto “Bando de Teatro Olodum - 35 Anos de Arte Negra”. Ao longo de sua trajetória, o grupo participou da formação de diferentes gerações de artistas negros para as artes cênicas brasileiras.
Entre os nomes que passaram pelo Bando estão Lázaro Ramos, Edvana Carvalho, Valdinéia Soriano, Érico Brás, Lucas Letto, Evaldo Macarrão, Sulivã Bispo, Luciana Souza e Virginia Rodrigues, entre outros.
O grupo desenvolveu uma linguagem marcada pela centralidade das experiências negras, pela performance e pela relação entre arte, ancestralidade e enfrentamento das desigualdades.
Além da temporada gratuita, o projeto prevê ações de formação e mediação cultural com escolas públicas e uma nova edição da Oficina de Performance Negra, oferecida gratuitamente para cerca de 100 jovens em três núcleos da cidade: Centro, Subúrbio e Cidade Baixa.
As comemorações também incluem a preparação de um novo espetáculo dirigido por Lázaro Ramos em homenagem ao samba-reggae, com estreia prevista para 2027.
Espetáculo: “Erê”
- Temporada: 4 a 26 de setembro
- Local: Centro Cultural Plataforma, Praça São Brás, s/n, Plataforma - Salvador
- Sextas-feiras, 19h e sábados, 15h: sessões fechadas para escolas da rede pública
- Sábados, 19h: sessões para instituições socioculturais e abertas ao público em geral
- Ingressos: gratuitos, com retirada na bilheteria até uma hora antes do espetáculo