Documentário homenageia a cidade a partir da Praça Castro Alves

A estreia é nesta terça-feira, 29, no Teatro do Sesi Rio Vermelho

Publicado terça-feira, 29 de março de 2022 às 07:00 h | Atualizado em 28/03/2022, 21:07 | Autor: Yasmin Oliveira*
O documentário conta com narração na voz de Harildo Deda
O documentário conta com narração na voz de Harildo Deda -

A cidade de Salvador está recebendo, em seu aniversário de 473 anos, um presente no formato audiovisual. O documentário A Cidade do Poeta é uma homenagem à capital baiana e a Castro Alves, dirigido, produzido e roteirizado pela dupla Jonar Brasileiro e Jorge Pacoa. A estreia é nesta terça-feira, 29, às 20h, no Teatro Sesi Rio Vermelho com entrada franca.

Tudo começou com uma conversa entre amigos, e entre uma cerveja e outra surgiu a ideia de um documentário com o combo de entrevista e um registro dos personagens e imagens da cidade de Salvador. Morador da cidade de São Paulo, Jonar retornou para casa e de lá mesmo iniciou as conversas para definir qual o percurso seria tomado por eles durante as filmagens.

“E lógico, o centro da cidade saltou porque pra quem viveu entre a década de 1960 a 1980 – não vou falar antes porque não foi minha época –, mas até o final da década de 80 a Praça Castro Alves era tudo. O grande umbigo cultural da cidade, tudo convergia ali, nascia ali e voltava pra lá. Desde a música, o Carnaval e as passeatas políticas, então aquilo ali reunia tudo e realmente era o coração pulsante da cidade”, conta o diretor e roteirista Jonar Brasileiro sobre o processo de escolha do local.

“A partir disso, colocamos um raio em torno dela pra ver qual área do centro da cidade seria abrangida e foi exatamente aquela que nós frequentávamos mais. Começando na Praça Castro Alves, seguimos pela Rua Chile, descemos para o Pelourinho, Baixa dos Sapateiros e Sete Portas, subimos a Estrada da Rainha, chegamos na Lapinha e Santo Antônio e descemos a Ladeira da Água Brusca para passar pela Cidade Baixa e então subir a Contorno, passear pelo Canela e Campo Grande para ver o Vila Velha e os bares de lá até chegar novamente à Praça do poeta. Então nós fixamos trabalhar essa área aqui. Ou seja, usar área de influência, a área que é abraçada pelas casas do poeta Castro Alves” descreve Jonar.

A tragédia que foi a pandemia que encorajou Jonar Brasileiro e Jorge Pacoa a realizar o documentário. Mesmo com o projeto aprovado pelo Ministério da Cultura, nenhuma empresa se interessou pela captação do documentário em 2010, o que ocasionou o engavetamento da ideia.

Com narração do ator e diretor teatral Harildo Deda, ao assistir podemos revisitar as ruas e histórias de uma Salvador quase inexistente, mas que habita na memória de muitos que a conheceram durante as décadas de 1960 e 1980. A escolha de Harildo pela dupla que dirigiu, roteirizou e produziu o documentário, Jonar Brasileiro e Jorge Pacoa, surgiu de um trabalho anterior no Recôncavo Baiano e há mais de dez anos trazem a voz do ator para suas produções. 

Por 45 minutos, o público terá Castro Alves como seu guia
Por 45 minutos, o público terá Castro Alves como seu guia |  Foto: Tati Freitas | Divulgação
 

O poeta a nos guiar

Sobre a figura de Castro Alves ser a homenagem escolhida entre tantos artistas baianos, o diretor diz: “Bom, porque Castro Alves é figura muito importante, não só para a poesia brasileira, mas também pela sua participação efetiva nas lutas contra a escravidão. Então, é bastante forte e importante para nós baianos”, afirma.

“Além da pessoa, a grande cidade de Salvador gira em torno de Castro Alves. Temos tantos dados urbanísticos quanto sobre o seu lado artístico, ele é a figura central e a praça Castro Alves está aí para provar isso. Ela foi, pelo menos, até a década de oitenta (1980) o grande centro cultural, social e política de Salvador”, acrescenta.

“Ao assistir revisitamos uma Salvador quase inexistente”
“Ao assistir revisitamos uma Salvador quase inexistente” |  Foto: Tati Freitas | Divulgação
 

A equipe técnica atual contou com o trabalho fotográfico de Tati Freitas e César Caria, que assina a sonoplastia e edição do vídeo, gravação de voz de Alex Mesquita e as fotografias do Arquivo Histórico Municipal de Salvador (Secult e Arquivo Público Digital). “Minha ideia inicial era resgatar as imagens da cidade antiga nas suas mais variadas expressões, no intuito de deixar essa memória, mostrando que aquela Salvador existiu, e que era maravilhosa, com sua arquitetura colonial, pessoas andando a pé sem medo, numa rica vivência do espaço público, com o adendo de estarmos diante, como estamos até esta terça, de uma geografia peculiar” comenta Jorge Pacoa.

As entrevistas presentes no documentário que busca remontar a versão antiga, lúdica e lírica de Salvador são do agitador cultural Clarindo Silva, do escritor e jornalista Jolivaldo Freitas, da professora de história Regina Rêgo, do professor de história e psicólogo Adson Brito do Velho, do historiador e escritor Sérgio Guerra, da atriz e diretora da Escola de Teatro Hebe Alves, do ator e diretor teatral Harildo Deda e do compositor Walter Queiroz, cuja gravação do depoimento aconteceu há mais de 10 anos, quando o documentário foi idealizado.

Com 45 minutos de duração, o texto-narrativo desta obra audiovisual foi todo escrito em versos. O público terá Castro Alves como seu guia turístico, deixando registrado suas lembranças e impressões dos locais vistos no documentário. 


Serviço

O quê: A Cidade do Poeta

Quando: Terça-feira, 29, 20h

Onde: Teatro Sesi Rio Vermelho

Ingresso: Entrada franca

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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