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TERRITÓRIO ENCANTADO

Exposição gratuita reúne mais de 800 obras de artistas do Subúrbio

CAIXA Cultural recebe mostra com obras de 15 artistas suburbanos

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Exposição gratuita em Salvador reúne arte, memória e ancestralidade; confira
Exposição gratuita em Salvador reúne arte, memória e ancestralidade; confira - Foto: Divulgação

Quinze artistas suburbanos ocupam a galeria da CAIXA Cultural (unidade Carlos Gomes) a partir de hoje. Eles dividem a exposição Narrativas da Beleza, realizada pelo Acervo da Laje, museu-casa-escola localizado no Subúrbio Ferroviário da capital baiana.

As produções estéticas criadas nas periferias de Salvador –, até então invisibilizadas pelas áreas ‘nobres’ da cidade – começaram, há algum tempo, a ser valorizadas em outros espaços e bairros da capital baiana. Nesta mostra, elas propõem diferentes olhares sobre a memória, as paisagens, os saberes e a produção artística do território.

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Com curadoria dos educadores José Eduardo Ferreira Santos e Vilma Santos (fundadores do Acervo) e curadoria adjunta de Renata da Silva Cardoso, a mostra inédita representa um novo momento na trajetória do Acervo da Laje.

“O propósito é falar do subúrbio a partir de imagens e instalações que apresentam as nossas ancestralidades, encantamentos e presenças humanas e da natureza que fizeram e fazem a história do povo e do lugar”, afirma Vilma.

São mais de 800 obras das mais variadas dimensões e de suportes diversos. “A exposição fala de narrativas da beleza, ou seja, é a história do território suburbano a partir de um olhar amoroso e encantado. O recorte é a exuberância e a presença da vida e da memória no território”, proclama José Eduardo.

“Ousamos afirmar que a cidade de Salvador vai passar a olhar de um modo diferente para o nosso território a partir dessa exposição porque ela afirma a presença e a nossa existência nessa cidade”, complementa o curador.

Pluralidade de obras

Segundo José Eduardo e Vilma, o público vai ver uma mostra inédita que ousa na expografia e está repleta de instalações, fotografias, quadros, obras em madeira de demolição e outras feitas com capas de livros descartadas, além de azulejos.

Os trabalhos são de Ana D'boa, Ana Dévora, Bruno Costa, César Bahia, Daniele Rodrigues, Débora Santos, Ludimila Lima, Marco Illuminati, Marina Muniz, Mila Souza, Prentice, Roxinha Lisboa, Suelen Novais, Uiler Costa-Santos e Zé di Cabeça.

Há 15 anos fazendo parte do Acervo da Laje, a jornalista, arte-educadora e fotógrafa Daniele Rodrigues participa com nove fotografias realizadas desde 2014 – início da carreira – até o ano passado. “São fotos do subúrbio, da casa dos meus avós no sertão do Piauí, onde eu cresci, da festa da Boa Morte, em Cachoeira. O objetivo do meu trabalho é muito voltado para o que é familiar mesmo, para o meu dia a dia”, relata Rodrigues.

Ela acredita que o Acervo transforma todo mundo que passa por lá. “Seja as pessoas que vêm de fora ou a própria comunidade. E ainda as crianças que têm ali uma oportunidade de encontrar um espaço de arte, cultura e estudo”.

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Produção e apoio

Dividida em quatro núcleos – Subúrbio: memória e futuro, Natureza sagrada e em disputa, Mulheres do Subúrbio e Ex-votos e nossos sagrados –, Narrativas da Beleza aborda diferentes dimensões da vida e da memória do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

O primeiro núcleo apresenta a região como um território marcado por transformações e permanências, tendo como referência tudo que é relacionado ao mar. O segundo privilegiou fauna e flora, destacando matas, plantas e águas da região e do Parque São Bartolomeu. Já o terceiro apresenta o território a partir das mulheres que participaram de sua construção cotidiana. No quarto e último – Ex-votos e nossos sagrados –, o público vai se deparar com registros materiais relacionados à fé e às graças alcançadas.

Imagem ilustrativa da imagem Exposição gratuita reúne mais de 800 obras de artistas do Subúrbio
Foto: Divulgação

Os curadores lembram que, com esta exposição e todo o trabalho que produzem, o Acervo da Laje precisa continuar a existir, de preferência com apoio para suas ações. “Entendemos que o nosso trabalho tem sua existência ancorada na educação, na produção e divulgação da memória do território suburbano e sua arte”.

“Queremos, com isso, educar as novas gerações para a beleza que está em cada território e muitas vezes não é vista nem percebida por conta dos estigmas que violentam a nossa existência. Queremos dignidade e equidade de tratamento pelos poderes públicos”, finalizam.

Minibio

Fundado em 2010 por José Eduardo Ferreira Santos e Vilma Santos, no bairro de São João do Cabrito, o Acervo da Laje é um espaço cultural independente que funciona como casa, museu e escola no Subúrbio Ferroviário.

Ele nasceu com a proposta de mapear, resgatar e valorizar a produção artística, cultural e estética do Subúrbio Ferroviário, desafiando a concentração de espaços museais no centro da cidade

O trabalho, inicialmente desenvolvido por meio de pesquisas e aquisições realizadas com recursos próprios, deu origem a um complexo cultural. O acervo passou a reunir milhares de peças, como obras de arte contemporânea, pinturas, esculturas, fotografias, livros raros, discos, manuscritos e objetos cotidianos da memória local.

Além disso, ele desenvolve ações de formação, preservação da memória e produção de conhecimento a partir do próprio subúrbio.

Entre as iniciativas estão o Programa Acervinho e o Centro de Documentação Acervo da Laje (Cedoc), que abriga a Sala de Música Clementina de Jesus e a Hemeroteca Coleta de Omolu.

Narrativas da Beleza / CAIXA Cultural (Unidade Carlos Gomes) / A partir de hoje até 17 de janeiro de 2027 / Horário de visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 18h / Entrada gratuita

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