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UM OCEANO DE HISTÓRIAS

Ingressos a partir de R$ 35: musical de Djavan terá duas apresentações em Salvador

Com oito indicações a prêmio, musical percorreu mais de dez capitais brasileiras

Manoela Santos*
Por Manoela Santos*
De jogador de futebol a ícone da MPB: musical revela trajetória de Djavan
De jogador de futebol a ícone da MPB: musical revela trajetória de Djavan - Foto: Divulgação

Se já é difícil transformar a história de vida de alguém em um musical, imagine quando o homenageado é um dos maiores cantores da música popular brasileira. O espetáculo Djavan – O Musical: Vidas pra Contar aceitou o desafio. Depois de percorrer mais de dez capitais brasileiras, a montagem chega a Salvador nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, com apresentações na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, sempre às 18h.

O musical foi idealizado por Gustavo Nunes, com direção artística de João Fonseca e texto de Patrícia Andrade e Rodrigo França. A direção musical é assinada por João Viana, filho de Djavan, em parceria com Fernando Nunes.

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A trilha sonora percorre diferentes influências presentes na obra do artista, do samba ao jazz, passando pelo pop e pelos ritmos afro-brasileiros.

Com cerca de duas horas de duração, a montagem combina teatro, música e dança para contar a trajetória de Djavan, desde a infância em Maceió até a consolidação de sua carreira na música brasileira.

O repertório reúne canções que marcaram diferentes momentos de sua produção, como Oceano, Um Amor Puro, Meu Bem Querer, Correnteza e Luanda.

Como tudo começou

A apresentação acontece em um ano especial para a trajetória do homenageado. Em 2026, Djavan celebra 50 anos de carreira. O musical revisita essa história a partir de suas músicas, referências e dos caminhos que o levaram a se tornar um dos grandes nomes da música brasileira.

Segundo João Viana, a construção do roteiro começou em uma reunião com o próprio Djavan. Também participaram do encontro os roteiristas Patrícia Andrade e Rodrigo França, o diretor João Fonseca e o idealizador Gustavo Nunes.

“Foi a partir das histórias contadas por ele próprio que a gente desenvolveu o roteiro número um, que era um pouco mais extenso e, portanto, não cabia no formato de um musical”, explica.

O processo exigiu a seleção dos episódios mais importantes da trajetória do cantor. “A gente precisou sintetizar um pouco, mas sem perder as histórias principais, que começam lá na tomada de decisão dele de largar o futebol e vir para a música, muito influenciado pela minha avó, a avó Virgínia, que incentivava ele a cantar, dizia que ele cantava bem, que ele tinha uma voz linda”, conta João.

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A seleção musical também foi desenvolvida em conjunto com os roteiristas. Enquanto Patrícia Andrade e Rodrigo França escreviam o texto, João Viana e Fernando Nunes organizavam as canções que poderiam integrar a montagem.

João explica que as canções não seguem necessariamente a ordem cronológica em que foram gravadas. A escolha considera a relação entre a música e cada momento da narrativa, com o objetivo de provocar diferentes sentimentos no público. A proposta também foi equilibrar sucessos conhecidos e composições menos populares. “A gente tentou contemplar o público com todos os clássicos, mas trazer também novidades, músicas do lado B que as pessoas não conheciam e que ajudam a contar a história”, observa João.

A construção de Djavan

Imagem ilustrativa da imagem Ingressos a partir de R$ 35: musical de Djavan terá duas apresentações em Salvador
Foto: Divulgação

Escolhido entre mais de 250 candidatos para interpretar Djavan, Raphael Elias assume o desafio de representar o artista em diferentes fases da vida no palco. Em Djavan – O Musical: Vidas pra Contar, o ator divide a cena com um elenco que dá vida a personagens da trajetória pessoal e artística do cantor, além de nomes importantes da música brasileira que atravessaram sua história.

A preparação começou após a aprovação no processo seletivo, que teve um caminho diferente do habitual. Raphael não participou das audições convencionais porque perdeu o prazo de inscrição.

Um amigo, então, enviou um vídeo seu para a produção, que o convidou para um teste presencial. A confirmação veio em pouco tempo, dando início a um período intenso de preparação.

“Como era um período muito curto de preparação, de ensaio, de compreender esse universo, não era um universo próximo de mim, porque eu nunca tinha feito teatro musical”, conta. Diante do desafio, o ator mergulhou na trajetória do cantor por meio de entrevistas, reportagens e registros audiovisuais. “Foi um processo de um mergulho muito profundo de pesquisar detalhes, de ir atrás de tudo que há, de entrevistas, de matéria sobre ele”, explica.

Um dos principais desafios foi construir as transformações do personagem ao longo dos anos. “A dificuldade era essa, de a gente ir construindo um corpo que pudesse ir passando pela adolescência, por essa conquista da vida madura, vida adulta e até essa maturidade, não só de vida, mas uma maturidade profissional, uma postura de um artista que foi se construindo, se colocando”, afirma.

Nesse processo, Raphael também contou com a contribuição de João Viana, que compartilhou detalhes da intimidade do pai.

A preparação vocal foi outra etapa importante. Com o acompanhamento da fonoaudióloga Jaqueline Priston, Raphael trabalhou o fortalecimento da voz e as particularidades do sotaque do cantor. Segundo ele, a aproximação com o timbre de Djavan também foi favorecida por características de sua própria voz.

“Eu sempre tive uma facilidade com timbres, com imitação de timbres, assim. Então, e por ter uma voz já um pouco anasalada, eu tenho alguns traços que já são traços parecidos com a voz do Djavan”, relata.

Para desenvolver essa construção, a escuta constante foi fundamental. “Eu dormia e acordava ouvindo Djavan”, resume. O ator conta que costumava ouvir entrevistas antes dos ensaios e ainda retoma esse material quando passa um período sem apresentar a peça. Entre suas referências, destaca uma conversa do cantor com Mano Brown.

“Tem até muitas frases que eu falo no espetáculo, que são frases que estão nessa entrevista, então eu gosto de recuperar os sentidos a partir desse material, assim, sabe? De ir reconstruindo ele para mim”, explica.

Raphael ressalta, porém, que o trabalho não se limita à reprodução dos gestos e da voz do homenageado. “Mas sempre pensando na construção de um personagem, né, e não uma imitação”, afirma.

A proposta é reunir as referências pesquisadas e as escolhas de interpretação para acompanhar as diferentes etapas da vida de um dos grandes nomes da música brasileira.

Reconhecimento

Imagem ilustrativa da imagem Ingressos a partir de R$ 35: musical de Djavan terá duas apresentações em Salvador
Foto: Divulgação

O trabalho da equipe de Djavan – O Musical: Vidas pra Contar já começa a ser reconhecido no cenário do teatro musical brasileiro. Em circulação pelo país, a montagem recebeu oito indicações na 13ª edição do Prêmio Bibi Ferreira, uma das principais premiações do segmento.

O espetáculo concorre a Melhor Musical Brasileiro e também aparece entre os indicados nas categorias Melhor Ator em Musicais, Revelação em Musicais, Atriz Coadjuvante, Direção Musical, Arranjo Original, Dramaturgia Original e Desenho de Som.

Raphael Elias, que interpreta Djavan em diferentes fases da vida, recebeu duas indicações, nas categorias Melhor Ator em Musicais e Revelação em Musicais.

Para João Viana, as indicações representam o reconhecimento de um trabalho coletivo, realizado com cuidado e admiração pela trajetória do cantor. “É uma honra imensa receber todas essas indicações ao Prêmio Bibi Ferreira. É o resultado de um trabalho que foi feito com muita atenção, com muito cuidado, com muito afeto, com muita admiração ao artista, um esforço em conjunto, um trabalho em todas as etapas”, afirma.

O diretor musical também destaca o envolvimento das equipes técnica e artística na construção do espetáculo, do cenário e do figurino ao elenco e à banda. “Isso dá força, dá mais força para a gente seguir tentando levar esse espetáculo para mais e mais cidades”, completa.

Com a expectativa de encontrar um público baiano caloroso e participativo, João Viana destaca a relação do pai com o estado, onde se apresentou dezenas de vezes ao longo da carreira.

Em um ano que marca os 50 anos de trajetória do cantor, enquanto Djavan celebra a data com uma turnê de sucessos, o musical chega a Salvador com outra proposta: revisitar as histórias por trás das canções e homenagear também outros grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Chico Buarque e Roberto Carlos.

“O que eu acho legal é que, nesses 50 anos, meu pai tá fazendo uma turnê maravilhosa, cantando os sucessos, e nós, aqui no musical, estamos contando as histórias de vida dele”, explica João Viana.

Para ele, a montagem também pode surpreender o público ao revelar os caminhos que antecederam os grandes sucessos. “É um espetáculo que eu acho que vai surpreender o público”, conclui

‘Djavan – O Musical: Vidas pra Contar’ / Dias 31 de outubro (sábado) e 01 de novembro (domingo), 18h / Concha Acústica do Teatro Castro Alves / Ingressos entre R$ 35 e R$ 120 / Vendas: Sympla e bilheteria TCA

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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