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Livro faz um apanhado da produção de J. Cunha

Publicado terça-feira, 05 de abril de 2016 às 07:20 h | Atualizado em 04/04/2016, 19:23 | Autor: Luis Fernando Lisboa
J. Cunha
J. Cunha -
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A produção visual do baiano J. Cunha deixa claro o potencial artístico nascido nos encontros culturais. Coexistem na carreira do artista referências às suas matrizes negra, indígena e cigana. Tal soma  resultou no surgimento de uma mente inquieta, criativa e que comemora 50 anos de trajetória no universo das artes visuais.    

Para marcar esse importante momento na vida desse múltiplo artista, a editora Corrupio apresenta o livro O Universo de J. Cunha. A publicação será lançada nesta quarta-feira, 6, a partir das 19 horas, no Museu de Arte da Bahia (MAB). Com apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, o material tem curadoria assinada pelo pesquisador e professor Danillo Barata.
 
J. Cunha diz que não é muito fácil ter uma dimensão de passado, presente e futuro. Ele se classifica como um tipo que vai construindo e criando. Lembra que, aos 11 anos, quando folheava exemplares da revista O Cruzeiro, percebeu que as  imagens o convocavam de modo intenso e complexo.
  
"Às vezes, esqueço no canto determinadas etapas e coisas. Não é uma coisa sintetizada. O livro tem a  vantagem de funcionar como uma espécie de memória compacta das ações. É claro que quando vejo a obra pronta me passam alguns filmes na cabeça. Vou até os idos dos anos 60, quando não tinha a menor ideia de qual caminho iria tomar. Mas sabia que queria ser artista plástico".

O Universo de J. Cunha apresenta, de forma não cronológica, trabalhos do artista baiano em diversas  possibilidades de exercícios plásticos. São telas, ilustrações, objetos feitos em madeira, tecido, barro, palha, além de instalações e algumas mostras de figurinos.  
As obras foram articuladas em seis seções: Barroco Safado; Mutum: Homem-Pássaro; Sertão e Luz; Carnavália; Áfricas; e Códices.  Cada uma delas guarda um conceito específico, como explica Danillo Barata.
 
"O design foi pensado como uma grande  mostra onde são expostos os 50 anos de trajetória artística. Esse livro apresenta a versatilidade das obras de Cunha: muito alegre, mas sem esconder as mazelas e tragédias de povos. É um universo lúdico, mas muito firme na sua proposição política", reforça. 

Trajeto de arte

Nascido na Ponta de Humaitá, na Península de Itapagipe, Cunha carrega na sua árvore genealógica a força inevitável da interculturalidade. Seu pai era um cigano de ascendência armênia criado por uma família de portugueses, enquanto sua mãe era filha de um babalorixá negro descendente dos bantos com uma índia kiriri da região do sertão baiano.

"Tudo isso resultou numa intensa simbiose pessoal. Sempre busquei compreender meu comportamento. Nas biografias de grandes artistas é possível ver a influência dessa força dramática. A percepção sobre a arte fica um pouco  maior quando você mergulha nessas sensações fundamentais".
 
As cores e elementos regionais explodem na sua produção. A primeira exposição individual de J. Cunha, intitulada Sertão e Luz, aconteceu em 1976, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM). Logo depois, em 1979,  criou a identidade visual do Ilê Aiyê, definindo, inclusive, as cores. Ele já assinou figurinos e cenografias para espetáculos do Balé do Teatro Castro Alves (BTCA) e cantores de axé, como o show O Canto da Cidade, da também baiana Daniela Mercury. 

A cultura negra, as antigas barracas de festa de largo da Bahia, a Semana de Arte Moderna de 1922, bem como o pintor espanhol Pablo Picasso e o movimento tropicalista, fazem parte do grande mosaico de influências na carreira de J. Cunha. Mas não para por aí.

"Hoje, o computador é uma ferramenta que me influencia. Quero expandir as ideias a partir das tecnologias", aponta o artista Cunha para um futuro que é logo ali.

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