Busca interna do iBahia
HOME > CULTURA

TEATRO

Peça inspirada em Shakespeare volta a cartaz em Salvador

Peça ganha única apresentação no Teatro Faresi, em Ondina, com releitura contemporânea de Macbeth

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Peça Lady Macbeth – Página 1606 do Livro...
Peça Lady Macbeth – Página 1606 do Livro... - Foto: Divulgação

Com direção, concepção e adaptação do diretor teatral soteropolitano Fábio Tavares, o espetáculo Lady Macbeth – Página 1606 do Livro... volta a cartaz para uma única apresentação, neste sábado, 26, às 19h, no Teatro Faresi (Ondina).

A montagem do Centro Cultural Ensaio é uma releitura contemporânea de Macbeth, de William Shakespeare, concentrando o olhar sobre a trajetória de Lady Macbeth, personagem tradicionalmente associada à ambição e à condução do marido ao crime.

Tudo sobre Cultura em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

“Para mim, o propósito nunca foi simplesmente remontar Macbeth. Shakespeare não precisa de mim para continuar existindo. Ele vem se virando muito bem há mais de 400 anos (risos). O que me interessava era descobrir por que esses personagens ainda nos perturbam tanto”, comenta o também dramaturgo e produtor cultural Fábio Tavares.

Leia Também:

TEATRO

Musical sobre Djavan chega a Salvador com trajetória do artista
Musical sobre Djavan chega a Salvador com trajetória do artista imagem

SALVADOR

Galo de Diumbanda realiza caruru em setembro com mais de 14 atrações
Galo de Diumbanda realiza caruru em setembro com mais de 14 atrações imagem

LITERATURA

FliConquista 2026 terá quatro dias de programação cultural; confira
FliConquista 2026 terá quatro dias de programação cultural; confira imagem

“A montagem desloca o olhar especialmente para Lady Macbeth. Durante séculos, ela foi resumida muitas vezes à mulher ambiciosa que instiga o marido ao assassinato. Eu acho isso pequeno diante da personagem. Há nela desejo, inteligência, necessidade de controle, medo, culpa, fragilidade e uma enorme incapacidade de suportar aquilo que ajudou a construir”, complementa Tavares.

E diz ainda que nunca quis dar vida a uma Lady Macbeth somente má. “Isso seria muito confortável para nós. Quando classificamos alguém como monstro, não precisamos mais reconhecer nada daquela pessoa em nós mesmos. Eu quis uma mulher profundamente humana”.

Fábio explica ainda que o título do espetáculo nasceu como uma espécie de provocação poética, já que 1606 é o ano tradicionalmente associado à criação de Macbeth.

“Eu comecei a imaginar a história do teatro como um livro imenso. Se pudéssemos abrir numa determinada página, talvez em 1606 encontrássemos Macbeth, Lady Macbeth, Shakespeare e todas essas perguntas sobre poder, culpa e desejo esperando por nós”.

“Mas existem as reticências e elas são importantes porque essa página não terminou. Mudaram as roupas, os governos, as tecnologias, os palácios, mas nossa relação com ambição, medo, violência e poder continua assustadoramente reconhecível”, alinhava o dramaturgo.

Novas perguntas

Nesta versão, que tem no elenco Arthur Celis, Guto Barbosa e Natália Britto, Lady Macbeth surge com toda sua complexidade, atravessada por desejo, culpa, pelas exigências impostas aos que ocupam posições de comando e, sobretudo, pela força que o poder exerce, o grande mote da encenação.

“A peça é sobre aquilo que uma pessoa aceita destruir para chegar a um determinado lugar. É sobre como ela convive consigo mesma quando finalmente chega lá”, exemplifica Fábio.

O público vai reconhecer Macbeth, mas encontrará uma narrativa mais concentrada, fragmentada e imagética. “Eu queria que a plateia não ficasse apenas assistindo à queda desses personagens. Queria que, em alguns momentos, sentisse que estava caindo junto com eles”, provoca o diretor.

Para ele, montar Shakespeare é revisitar um clássico, o que não significa, de forma alguma, trabalhar com algo velho. “É uma obra que continua fazendo perguntas novas. Tenho muito interesse em autores que sobreviveram ao próprio tempo: Shakespeare, Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna, Plínio Marcos, Chico Buarque”.

Ambição e poder

Natália Britto, que vive Lady Macbeth, acredita que o público vai encontrar uma experiência muito intensa no palco. “É uma história sobre poder e ambição, mas também sobre aquilo que acontece dentro de nós depois que fazemos determinadas escolhas”.

Sua personagem representa uma linha tênue entre quem somos e aquilo que somos capazes de fazer para alcançar alguma coisa. “Ela me fez pensar muito sobre as pequenas escolhas que fazemos todos os dias e sobre o que nos motiva a atravessar determinados limites”, revela a atriz soteropolitana.

Já o monarca tirano Macbeth é vivido pelo ator baiano Arthur Celis. “Meu personagem é um guerreiro que, depois de uma batalha, encontra três bruxas que fazem algumas previsões sobre o futuro dele. Entre elas, a de que ele seria rei. Parece só uma previsão, mas aquilo desperta nele uma ambição sanguinária que nem ele mesmo sabia que tinha”, comenta Celis.

“As pessoas vão ver um homem em constante conflito. Ele não está lutando só contra os outros, ou contra as situações nas quais se encontra, mas, principalmente, contra ele mesmo. Ele quer conquistar o poder, mas ao mesmo tempo existe uma consciência tentando segurá-lo”, finaliza o ator.

Lady Macbeth – Página 1606 do Livro... conta ainda com o ator Guto Barbosa na pele do general e nobre escocês Banquo. Com esta nova produção, o Centro Cultural Ensaio reafirma sua proposta de investigação teatral, apostando em linguagens contemporâneas para revisitar grandes clássicos.

Lady Macbeth - Página 1606 do Livro...

  • Quando: 26 de Setembro
  • Horário: 19h
  • Onde: Teatro Faresi, Ondina
  • Valor: entre R$ 50 e R$ 100
  • Ingressos: Sympla
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Cultura Salvador

Relacionadas

Mais lidas