Busca interna do iBahia
HOME > CULTURA

REVITALIZAÇÃO

Teatro Vila Velha reabre em Salvador após reforma de R$ 28,6 milhões

Espaço volta a receber o público com estrutura modernizada, acessibilidade e nova programação

Agatha Victoria e Beatriz Santos
Por Agatha Victoria e Beatriz Santos
Reabertura do Teatro Vila Velha
Reabertura do Teatro Vila Velha - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

O Teatro Vila Velha reabriu ao público nesta sexta-feira, 25, em Salvador, após passar por uma requalificação que recebeu investimento de R$ 28,6 milhões.

Localizado no Passeio Público, no Campo Grande, o equipamento cultural teve a estrutura modernizada, ganhou novos equipamentos e ampliou os recursos de acessibilidade. A intervenção também incluiu a requalificação do Passeio Público, que integra o conjunto histórico onde está localizado o teatro.

Tudo sobre Cultura em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Do total investido, R$ 14,6 milhões foram destinados às obras físicas e R$ 14 milhões à aquisição de equipamentos. Entre as intervenções realizadas no teatro estão a implantação de um sistema de climatização, melhorias de iluminação, som, audiovisual, segurança e instalações técnicas, além da ampliação das condições de acessibilidade.

A cerimônia de reabertura reuniu o prefeito Bruno Reis, o diretor do Teatro Vila Velha, Márcio Meirelles, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o presidente da Fundação Gregório de Matos, Fernando Guerreiro, além de artistas e representantes do setor cultural.

Leia Também:

SÃO CAETANO

Hora do Rock: coletivo fortalece som autoral na periferia de Salvador
Hora do Rock: coletivo fortalece som autoral na periferia de Salvador imagem

ACESSO GRATUITO

Gastronomia, dança, arte e mais em Salvador e RMS neste final de semana
Gastronomia, dança, arte e mais em Salvador e RMS neste final de semana imagem

ARTE

Maior mural indígena do Brasil é concluído em Salvador; veja fotos
Maior mural indígena do Brasil é concluído em Salvador; veja fotos imagem

Teatro mantém proposta de transformação

Inaugurado em 1964, o Teatro Vila Velha passou por uma reforma estrutural em 1994. Na nova intervenção, a estrutura foi atualizada sem alterar as características que marcam a identidade do espaço.

Em entrevista ao portal A TARDE, Márcio Meirelles destacou que a trajetória do Vila Velha está ligada à ideia de transformação permanente.

A gente continua fazendo e refazendo sempre a mesma coisa, cada vez melhor e maior. O teatro não para. Márcio Meirelles

Segundo o diretor, a história do espaço começou antes mesmo da construção do prédio atual. “Ele começou antes de o prédio existir, em 1959, quando a Companhia dos Novos se formou. Eles começaram o Teatro Vila Velha em todas as praças, escolas, igrejas e no interior. Eles fizeram teatro enquanto construíam esse prédio. E agora, quando estava na reforma, durante dois anos, a gente continuou ocupando a cidade, ocupando outros espaços e outras cidades.”

A atuação também chegou a outros países. “Inclusive fora do país, em Portugal. O Vila Velha continua andando, não para. E agora a gente volta para a nossa casa, para o nosso prédio, e estamos de volta com o mesmo empenho, a mesma necessidade de encontros.”

Passeio Público também foi requalificado

A intervenção não ficou restrita ao prédio do teatro. O Passeio Público, construído em 1810, também passou por obras, com preservação do traçado urbanístico original e restauração de monumentos, painéis, fonte e mirante para a Baía de Todos os Santos.

O projeto incluiu ainda recursos de acessibilidade e vagas para pessoas com deficiência. Para Meirelles, a transformação do entorno está entre os principais resultados da intervenção. “O Vila volta para esse passeio público lindo, e essa, eu acho, é a nossa maior vitória. Na verdade, não é só a reforma do teatro: é ter conseguido que a reforma do teatro alavancasse a reforma do passeio público.”

O diretor também citou a utilização do espaço por crianças da Gamboa. “As crianças da Gamboa vieram aqui para plantar esses dois ipês, e uma mulher incrível, que cuida dessas crianças da Gamboa, falou: ‘Que maravilha! Agora a gente tem onde levar as crianças da Gamboa para brincar’, porque, se a gente vai para a Gamboa, você vê que realmente ali não tem espaço para as crianças brincarem.”

Márcio Meirelles
Márcio Meirelles - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

O acesso ao teatro ganhou uma nova passarela, elevador e escadarias. “Estamos muito felizes com a requalificação do passeio público porque é a entrada e todo o processo foi pensado para criar mais acessibilidade, com rampa, elevador e todos os dispositivos necessários a uma acessibilidade universal.”

Meirelles ressaltou que a acessibilidade precisa considerar também o percurso até o equipamento. “Não dá para ser acessível no teatro se o caminho até o teatro não for acessível. E agora está. Então, estamos muito felizes de poder cumprir nossa missão neste mundo. Passamos no mundo por alguma coisa, e a nossa missão foi fazer esse teatro funcionar.”

Estrutura ganhou novos equipamentos

Além das mudanças relacionadas à acessibilidade, o teatro recebeu novos equipamentos de som, iluminação e audiovisual, além de melhorias nas instalações técnicas, segurança e climatização.

Ao comentar a relação com o prédio, Meirelles lembrou a origem da estrutura. “Isso era um galpão industrial que foi adaptado para ser um teatro, com plateia asfaltada, foyer pavimentado com paralelepípedo, e que virou essa coisa enorme.”

O diretor também falou sobre a manutenção do espaço após a reabertura. “Sabemos que a bilheteria só não sustenta. Então, estamos abrindo de novo o programa Amigos do Vila Velha. As pessoas que acreditam, que querem investir, que querem ter seu nome também nessa história e estar em conjunto com a gente podem entrar nessa plataforma e fazer um plano de doação mensal, de R$ 10, de R$ 20, de R$ 100.”

Segundo Meirelles, o equipamento historicamente contou com recursos públicos para sua manutenção. “Esse teatro sempre foi mantido pela cidade, pelo governo do Estado, pelo governo municipal e pelo governo federal, porque é isso: é um espaço da cidade.”

Programação reúne grupos da Bahia e de outros estados

A reabertura do Teatro Vila Velha conta com apresentações musicais de artistas ligados à trajetória do espaço e à cena contemporânea baiana. Participam Bruno Barroso, Giovani Cidreira, Luiza Brito, Jadsa e Manuela Rodrigues, entre outros artistas. A programação teatral também já está definida para os próximos meses.

Segundo Meirelles, o espaço terá atividades com grupos do interior da Bahia e de outras regiões. “Temos muitos grupos do interior e muitos programas para trazer pessoas do interior para mostrar um outro teatro, uma outra cara, para encontrar outras pessoas”

O diretor também citou atividades voltadas ao teatro nordestino. “Temos uma programação mista. Amanhã temos o encontro de todos os grupos de teatro do Nordeste que estão aqui em Salvador, no Encontro do PAVIO.”

Após a reabertura, uma das primeiras ações será o programa Pé de Feijão. “A primeira coisa que vai ter aqui depois dessa abertura de hoje, sexta, dia 6, e dia 7, é o programa Pé de Feijão, com crianças das comunidades, com crianças do sistema municipal de ensino. São quatro apresentações para 800 crianças.”

Na sequência, o teatro recebe “Nilda”. “Aí depois vem Nilda, que é um espetáculo que vai fazer uma temporada longa, de outubro até novembro.”

Cristina Castro, diretora de projetos do Teatro Vila Velha, informou que a programação está organizada para os próximos meses. “Temos programação já fechada até janeiro, de teatro, de grupos de fora e de grupos daqui. A gente inicia com Nilda, que é um espetáculo que Márcio fez a direção e que tem muito a ver com a memória porque também a gente inaugura um centro específico de memória, o acervo do Vila, que tem mais de um milhão de documentos.”

Cristina Castro, diretora de projetos do Teatro Vila Velha
Cristina Castro, diretora de projetos do Teatro Vila Velha - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Teatro amplia ações de formação

A nova fase do Vila Velha inclui projetos voltados à formação de plateia e à aproximação entre crianças e artes. Cristina Castro explicou que o teatro mantém ações direcionadas a estudantes de diferentes redes de ensino.

Nós temos um programa amplo de formação de plateia e de espectadores, que cumpre uma formação artística e uma iniciação artística, principalmente para as crianças da rede pública de ensino, de comunidades, de ONGs, mas também para a rede privada de ensino. Cristina Castro

A diretora afirmou que a infância será uma das prioridades da programação. “Nesse terceiro momento em que a gente fala do Vila, temos metas muito claras de projetos e de programação. Uma delas é com as crianças e com a infância. Temos um compromisso que a gente quer levar adiante porque entende a mudança pensando na criança também. O Vila se transforma realmente numa plataforma de conexão entre crianças e artes.”

As primeiras atividades dessa etapa começam nos dias 6 e 7. “Iniciamos já nos dias 6 e 7 com esse programa, com a vinda de 800 crianças da rede pública, de comunidades também e de organizações para ver o espetáculo Vila BCD, que é um espetáculo que fala sobre as palavras, e a gente está muito em conexão com o currículo das escolas também.”

O programa também contempla profissionais que trabalham com o público infantil.“Esse programa não é somente para crianças, mas também para quem atua junto com elas e está nesse desenvolvimento, sendo agente cultural.”

Bruno Reis e Márcio Meirelles
Bruno Reis e Márcio Meirelles - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Meirelles também destacou a relação entre o teatro e a formação das crianças.“Nesse momento de muita preocupação com a infância, com a possibilidade de a gente acrescentar à educação formal um outro nível, outro plano da fantasia, da beleza, da estética, da poesia, da reflexão, da crítica, é preciso tirar as crianças das telas e colocá-las na vida real. E o teatro é a vida real.”

Vila Velha amplia conexão com grupos

Cristina Castro afirmou que a programação também prevê intercâmbio com grupos de outras regiões e de outros países. “Uma outra meta é estar em rede com o teatro e a dança. Então, a gente recebe grupos internacionais. Em novembro, vamos receber um grupo italiano, um grupo do Rio de Janeiro, um grupo de Brasília e vamos receber mais ou menos 50 diretores de grupos do Nordeste do Brasil.”

A conexão com a produção nordestina é apontada como uma das frentes da nova programação.

A conexão com o Nordeste vai ser muito grande. Então, esse programa tem como meta estabelecer redes para se conectar, porque a gente entende que sobreviver é estar em constante atividade e movimento. Não depende somente da gente, depende também de um entorno e de uma aliança que a gente faz com os outros. Cristina Castro

Acervo do Vila Velha ganha espaço próprio

A reabertura também marca uma nova etapa para a preservação da memória do Teatro Vila Velha. O acervo do espaço reúne mais de um milhão de documentos e ganhou uma área específica.

Cristina explicou que o trabalho de organização e digitalização começou no ano passado. “Isso foi fortalecido no ano passado através da Fundação Banco do Brasil. A gente começou a levantar o acervo, a digitalizar, a organizar, a higienizar e agora temos um espaço para ele, onde vamos receber pesquisadores e vamos fomentar também editais a partir daqui para a construção de novos conteúdos a partir do acervo.”

Espaço mantém papel histórico na cultura baiana

O presidente da Fundação Gregório de Matos, Fernando Guerreiro, destacou a trajetória do equipamento. “Esse teatro é um patrimônio da cidade. São 62 anos, o berço de grandes artistas, de grupos importantíssimos, e ver esse teatro voltar com o projeto original é muito importante.”

Segundo Guerreiro, a modernização não alterou a proposta original do espaço.

Ele ganhou acessibilidade, ganhou novos equipamentos, mas o projeto dele permanece. É muito importante que essa casa volte a servir novamente e democraticamente à cidade e, com certeza, novos grupos, novos artistas e artistas consagrados vão passar por esse palco. Fernando Guerreiro

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também participou da cerimônia e relembrou sua relação com o equipamento. “Estou aqui pela minha soteropolitanidade. Sou a cidadã daqui mas sou também uma pessoa da cena da cultura e da arte. Meu primeiro show musical foi aqui, concorrendo ao Troféu Caymmi, logo quando ele surgiu, em 1985, e eu ganhei como melhor intérprete daquele momento. Me apresentei também nas peças de teatro.”

Margareth destacou a importância da reabertura para a produção cultural.

É uma entrega importante para a cena teatral não só de Salvador, mas também do Estado e do Brasil, pela história, pelo que significa o Teatro Vila Velha nesse momento. Margareth Menezes

Prefeitura destaca investimento e produção cultural

Durante a cerimônia, o prefeito Bruno Reis detalhou o investimento realizado no teatro. “Investimos R$ 14 milhões na reforma total do teatro, mais R$ 14 milhões em equipamentos. Agora, ele está todo climatizado. Esse teatro vai estar aberto ao público a partir de hoje para as apresentações musicais, teatrais, de arte e dança, estimulando esse grande potencial e as habilidades individuais que o baiano tem.”

Bruno Reis também citou o papel histórico do Vila Velha na formação de artistas.

Gil, Caetano e tantos outros grandes artistas inauguraram esse teatro, que foi palco da revelação e da produção cultural da Bahia, projetando aqui os nossos artistas que lideraram movimentos culturais no Brasil e no mundo. Bruno Reis

Para o prefeito, a nova etapa deve manter essa relação com a produção artística. “Ele agora recebe uma grande reforma, um novo Teatro Vila Velha junto com o novo Passeio Público, e espero que ele possa agora inspirar as novas gerações, que novos artistas possam ser revelados aqui, para que a Bahia, em especial Salvador, continue sendo palco de revelações de grandes artistas e possa projetar esse grande caldeirão cultural que é a nossa cidade.”

Esse equipamento tem esse propósito de resgatar a nossa memória, valorizar a nossa história, estimular o setor cultural, que é tão importante para a nossa economia, que gera milhares de empregos e renda para os soteropolitanos e baianos, e para que a gente continue tendo a capacidade de produzir novos artistas. Bruno Reis

Bruno Reis afirmou ainda que a produção cultural baiana deve continuar sendo projetada a partir do espaço. “Os artistas que vão levar essa cidade e esse estado para o Brasil e para o mundo, cantando as nossas músicas, canções, cantando a nossa cidade, contando a nossa história e fazendo com que a cidade cada vez mais possa se projetar.”

A Prefeitura também pretende atuar em parceria com a direção do teatro. “A prefeitura vai estimular, ajudando, em parceria com a direção do Teatro Vila Velha, a trazer apresentações musicais e teatrais para oferecer conteúdo ao soteropolitano e a milhares de visitantes e turistas.”

O prefeito citou ainda a possibilidade de receber grupos e coletivos culturais de diferentes regiões de Salvador. “O teatro foi fundado para estimular a nossa produção artística e cultural, para produzir novos talentos, e a gente vai estimular cada vez mais os coletivos dos bairros, os movimentos culturais que ocorrem e estão acontecendo em diversos lugares de Salvador, que agora terão um grande palco para suas apresentações.”

Economia criativa também está entre as pautas

Margareth Menezes destacou a relação entre equipamentos culturais e a movimentação do setor artístico. “Quanto mais equipamentos culturais, melhor, porque, num equipamento cultural como esse, você consegue movimentar a cena, trazer possibilidades de encontro do público com os seus artistas, gerando emprego e renda.”

Margareth Menezes
Margareth Menezes - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

A ministra também falou sobre o impacto do equipamento na economia criativa. “Não podemos perder de vista essa questão da economia criativa. Hoje, todo mundo está falando sobre isso, e uma entrega como essa impacta positivamente a vida de muitas pessoas, na cidade, mas também toda a cena da produção cultural e artística da nossa cidade e do nosso estado.”

Mais de seis décadas de história

A história do Teatro Vila Velha começou em 1959, quando foi formada a Companhia Teatro dos Novos. Antes da inauguração da atual sede, em 1964, a companhia passou por três espaços provisórios: um solar no bairro da Graça, outro no Largo da Vitória e a Galeria Oxumaré, no Passeio Público.

No primeiro ano de existência, foram mais de 100 apresentações em praças, escolas, igrejas e cidades do interior. Em 1964, o teatro foi inaugurado no Passeio Público e se consolidou como o primeiro teatro independente da Bahia.

O espaço abriga a Companhia Teatro dos Novos, primeira companhia teatral profissional da Bahia. A primeira peça apresentada no prédio pela companhia estreou em dezembro de 1964, com participação da Escola de Samba Juventude do Garcia como coro.

Imagem ilustrativa da imagem Teatro Vila Velha reabre em Salvador após reforma de R$ 28,6 milhões
Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Em 1994, uma reforma estrutural transformou o teatro em um espaço cênico com diferentes possibilidades de configuração entre palco e plateia, além de salas de ensaio e o Cabaré dos Novos.

Agora, após a nova intervenção, o Vila Velha retoma as atividades com estrutura modernizada, novos equipamentos, acessibilidade ampliada e programação prevista para os próximos meses.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Cultura Salvador Teatro Vila Velha

Relacionadas

Mais lidas