ECONOMIA
Após Dia das Crianças, gigante dos brinquedos tenta renegociar dívida de R$ 800 milhões
Pedido envolve seis empresas do grupo e ocorre após a aquisição da rede pela BluSun Capital Partner


A Ri Happy, uma das principais redes de brinquedos do Brasil, recorreu à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. O pedido de recuperação extrajudicial foi apresentado no domingo, 18, e envolve seis empresas do grupo, incluindo a PBKids.
A iniciativa faz parte de um plano de reestruturação financeira e operacional da companhia, que mudou de controle em agosto deste ano. Do total da dívida incluída na negociação, credores que representam R$ 308,8 milhões já aderiram aos termos propostos, o equivalente a cerca de 37,3% do montante total.
A solicitação foi encaminhada à Justiça para análise. A recuperação extrajudicial permite que empresas negociem diretamente com credores para reorganizar compromissos financeiros, com posterior homologação judicial do acordo.
Quais empresas estão envolvidas?
O pedido não abrange apenas a operação da Ri Happy. A solicitação inclui seis empresas ligadas ao grupo varejista:
- Ri Happy Brinquedos;
- Brincar Marcas e Participações;
- DRH Casa de Festa;
- New Toys Comércio, Distribuição e Importação;
- Partout Administração de Franquias e Bens;
- PBKids Brinquedos.
A medida busca reorganizar as obrigações financeiras das empresas envolvidas e faz parte das mudanças implementadas após a aquisição do grupo pela BluSun Capital Partners, anunciada em 31 de agosto.

Entenda a diferença entre recuperação extrajudicial e judicial
Apesar de os dois mecanismos serem utilizados em situações de dificuldade financeira, a recuperação extrajudicial tem uma dinâmica diferente da recuperação judicial.
Na modalidade extrajudicial, a empresa negocia um plano diretamente com determinados credores e solicita à Justiça a homologação do acordo. A negociação pode começar sem a participação direta do Judiciário em todas as etapas.
Já a recuperação judicial é um procedimento conduzido sob supervisão judicial, com regras específicas para a negociação das dívidas e a participação dos credores abrangidos pelo processo.
No caso da Ri Happy, o pedido de recuperação extrajudicial não significa, por si só, que a empresa decretou falência ou que suas lojas serão fechadas. A iniciativa tem como objetivo reorganizar as finanças e permitir a continuidade das operações.
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Pandemia e juros elevados agravaram a situação
A crise financeira da rede foi intensificada durante a pandemia de Covid-19, iniciada em 2020. Naquele período, as restrições sanitárias impediram o funcionamento de lojas físicas, enquanto despesas como aluguéis continuaram pressionando os custos da operação.
O grupo também aponta fatores econômicos como parte do cenário de dificuldades, incluindo juros elevados e mudanças nas condições de consumo. O custo do crédito pode aumentar o peso das dívidas e dificultar a recuperação financeira de empresas que precisam de capital para manter suas atividades.
Em setembro de 2026, a taxa básica de juros, a Selic, foi fixada em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), segundo o Banco Central.
Rede tem centenas de lojas no Brasil
A Ri Happy atua no varejo de brinquedos e produtos infantis e mantém operações em diferentes regiões do país. O grupo conta com aproximadamente 293 lojas, entre unidades próprias e franquias, além de mais de 2,6 mil funcionários.
A companhia também é responsável pela rede PBKids, incorporada ao grupo em 2012.
A mudança de controle ocorreu no fim de agosto, quando a BluSun Capital Partners adquiriu 100% do Grupo Ri Happy. A operação marcou o início de uma nova etapa para a empresa, que agora busca reorganizar suas finanças em meio à pressão das dívidas.


