BOLSO DO BRASILEIRO
AtlasIntel: consumidor brasileiro fica mais cauteloso com o bolso; entenda
Pesquisa ouviu 5.021 adultos brasileiros entre 22 e 27 de julho de 2026


O brasileiro ficou mais cauteloso com o próprio bolso, mas esse movimento não está diretamente relacionado à inflação. Essa é a principal conclusão do relatório Latam Pulse Brasil, realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg e divulgado nesta quinta-feira, 6.
O levantamento mostra que o Índice de Confiança do Consumidor (Atlas CCI) registrou uma queda de 10,1 pontos percentuais entre junho e julho, passando de -4,3 para -14,4 no período.
Segundo o relatório, a redução da confiança indica um consumidor mais receoso e em posição de espera.
Dois fatores ajudam a explicar esse comportamento:
- o avanço do calendário eleitoral para as eleições presidenciais de 2026;
- as incertezas provocadas pelas discussões comerciais com os Estados Unidos sobre a imposição de um novo tarifaço.
Apesar da queda, as expectativas para os próximos meses continuam em campo positivo.
O indicador recuou de 7,9 para 3,4, mas ainda aponta que o pessimismo está mais relacionado às condições atuais da economia do que a uma falta de perspectiva sobre o futuro do país.
Inflação permanece estável
A perda de confiança ocorre mesmo sem uma piora significativa na percepção sobre os preços. Os dados de inflação mostram estabilidade: o índice permaneceu em 5,8% pelo terceiro mês consecutivo.
As expectativas para a inflação nos próximos seis meses também seguiram praticamente estáveis, passando de 5,1% para 5,2%.
“O resultado sugere que a deterioração recente da confiança do consumidor não parece estar sendo puxada por uma piora relevante na percepção de preços, mas por um ambiente mais amplo de cautela econômica”, aponta o relatório.
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Avaliação das medidas do governo Lula
O levantamento também mostra uma divisão na percepção dos brasileiros sobre as políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Medidas com impacto direto no orçamento das famílias têm alta aprovação entre os entrevistados.
Entre elas estão:
- gratuidade de medicamentos na Farmácia Popular: 82% de aprovação;
- isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil: 79% de aprovação.
Por outro lado, políticas relacionadas à condução da economia geram mais resistência. A adoção do atual arcabouço fiscal é considerada um erro por 43% dos entrevistados, contra 39% que avaliam a medida como acertada.
A interrupção do programa de privatizações de empresas públicas também registra avaliação negativa, com 48% de desaprovação.
O resultado indica que, embora medidas de benefício direto tenham boa aceitação, ainda existe preocupação dos consumidores em relação aos rumos gerais da economia brasileira.
Metodologia
A pesquisa ouviu 5.021 pessoas maiores de 18 anos em todo o Brasil, entre os dias 22 e 27 de julho de 2026. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos.


