ECONOMIA
Sem EUA e China: Brasil e Índia selam pacto bilionário por terras raras
Lula e Modi firmam parceria para semicondutores e minerais críticos

O Brasil e a Índia oficializaram neste sábado, 21, um acordo estratégico voltado ao fornecimento de minerais críticos e terras raras — insumos considerados a espinha dorsal da tecnologia moderna. O anúncio foi feito em Nova Délhi pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo informações divulgadas pelo G1, a cooperação mira garantir base produtiva para semicondutores, baterias e equipamentos de alta complexidade. Na prática, trata-se de assegurar matéria-prima e estrutura industrial para setores estratégicos da economia digital.
O que são as terras raras e por que elas valem tanto?
Os Elementos Terras Raras (ETRs) formam um grupo de 17 elementos químicos com propriedades semelhantes. São eles os 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y).
Entre os mais valorizados pela indústria estão neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, amplamente utilizados na produção de ímãs de alto desempenho — componentes essenciais para motores elétricos, turbinas eólicas, robótica e equipamentos de alta precisão.
Apesar do nome, esses minerais não são exatamente raros na natureza. O que os torna estratégicos é a complexidade da extração e do processamento, além do papel central que exercem no desenvolvimento tecnológico e na transição energética.
Lista dos elementos que compõem as terras raras:
Elementos de terras raras leves:
Esses são os elementos que possuem números atômicos menores.
- Lantânio (La)
- Cério (Ce)
- Praseodímio (Pr)
- Neodímio (Nd)
- Promécio (Pm)
- Samário (Sm)
- Európio (Eu)
- Escândio (Sc)
- Ítrio (Y)
Elementos de terras raras pesados:
Esses elementos possuem números atômicos maiores.
- Gadolínio (Gd)
- Térbio (Tb)
- Disprósio (Dy)
- Hólmio (Ho)
- Érbio (Er)
- Túlio (Tm)
- Itérbio (Yb)
- Lutécio (Lu)

O que está em jogo na nova aliança
O entendimento vai além da simples extração mineral. A proposta envolve cooperação técnica e investimentos para consolidar uma cadeia produtiva capaz de sustentar:
- Mobilidade elétrica e energia limpa: baterias de alta densidade e células para painéis solares;
- Eletrônicos de consumo: peças fundamentais para smartphones e dispositivos de última geração;
- Defesa e setor aeroespacial: ligas metálicas especiais usadas em motores aeronáuticos e sistemas militares.
O governo brasileiro defende que o país precisa deixar de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima bruta e passar a processar esses minerais internamente, agregando valor e tecnologia ao produto final.
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A assinatura ocorreu durante uma agenda ligada a discussões globais sobre Inteligência Artificial — reforçando que não existe IA sem infraestrutura física. Data centers, chips e sistemas de processamento dependem diretamente desses insumos estratégicos.
Para a Índia, o acordo representa uma tentativa de reduzir vulnerabilidades na cadeia tecnológica global, hoje fortemente concentrada na China, que domina o refino de terras raras. Modi afirmou que o entendimento contribui para a construção de “cadeias de suprimento resilientes” em um cenário de tensões geopolíticas.
O Brasil entra na equação como potência mineral, detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, ampliando seu papel em uma disputa que envolve tecnologia, energia e soberania industrial.
Comércio em expansão e nova rota asiática
A parceria também acompanha o crescimento das trocas comerciais entre os dois países, que ultrapassaram US$ 15 bilhões em 2025. A meta agora é alcançar US$ 20 bilhões até 2030, com protagonismo dos setores de inovação e energia renovável.
Após a agenda em Nova Délhi, a comitiva brasileira segue para a Ásia Oriental. Está prevista reunião com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung e participação em fórum empresarial dedicado a semicondutores e eletrônicos — movimento que sinaliza a intenção de atrair novos investimentos para o parque industrial brasileiro.

Onde estão as terras raras no Brasil?
Levantamentos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que os principais recursos estão concentrados em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Entre esses estados, a Bahia vem ganhando protagonismo por apresentar altos teores de óxidos de terras raras e projetos com potencial de impacto econômico relevante.
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