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PREÇOS ALTOS E INCERTEZAS

Do poço à bomba: entenda como alta do petróleo encarece a sua gasolina

Especialistas explicam o porque os preços sobem tanto e de forma desenfreada nos postos de combustíveis

Carla Melo

Por Carla Melo

08/04/2026 - 13:11 h

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Especialistas explicam como precificação dos combustíveis é feita
Especialistas explicam como precificação dos combustíveis é feita -

Os avanços dos conflitos no Oriente Médio e os empecilhos na abertura do Estreito de Ormuz, no Irã, mantém acesas as incertezas sobre o futuro do mercado petrolífero em todo o mundo. No Brasil, os preços praticados nos postos de combustível continuam a surpreender o consumidor final e as altas não param.

Gasolina, diesel e gás natural veicular são produtos cuja principal origem é o petróleo, daí a explicação do porquê esses combustíveis são tão sensíveis às variáveis do mercado de petróleo que já chegou a custar, em um único dia, quase US$ 120 o barril.

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Especialistas explicam que o preço do petróleo direciona não somente o valores dos derivados da commodities, mas também o preço de outros derivados energéticos como o diesel, gasolina, óleo combustível.

Isso é comum em períodos de conflitos ou de qualquer tipo de instabilidade que possa afetar a produção e demanda, é quase impossível a gente ver o preço de um produto derivado não ter o mesmo tipo de comportamento do que a commodity
Gabrielle Moreira - especialista em precificação de combustíveis da Argus

A cotação do petróleo é informada em dólares por barril e cada barril equivale a 158,9 litros. Imagina ter que comprar milhares de litros para abastecer uma nação? Seja no mercado automobilístico, industrial, residencial e entre outros. Só para você ter ideia, até mesmo o sabão de lavar pratos ou uma sacola plástica de supermercado é feita a partir do produto.

Mas você deve se perguntar: “O Brasil é referência na produção de petróleo. Por que os preços dos combustíveis são tão afetados pelo o que acontece fora do país?”

Você tem total razão. O país realmente se destaca por suas produções petrolíferas nacionais. Desde a descoberta do produto no país até as explorações da camada pré-sal, o Brasil viveu anos de ouro e se destacou por ser um dos maiores produtores do mundo. Essa realidade, entretanto, começou a ser desmontada quando a Petrobras se desfez de algumas operações e refinarias.

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O Brasil pode ser potência na produção do produto, mas carece, e muito no refino, que são os processos realizados para transformar o óleo cru em derivados de valor comercial como diesel, gasolina, GLP, querosene, entre outros.

Por esse motivo, o Brasil ainda é um dos países que mais importam o produto para consumo final ou produção terciária. No único comunicado desde o início da guerra, a Petrobras informou que importa combustíveis por rotas não afetadas pelo conflito e que não há risco de desabastecimento, mas a dependência de importação evidencia uma pressão para a política de preços dos combustíveis.

Como o preço do petróleo global interfere no Brasil

A especialista em economia internacional Daniela Cardoso Pinto explica que toda essa turbulência do mercado internacional impacta diretamente o preço dos combustíveis importados. Ou seja, quanto mais caro o preço do barril do petróleo, mais caro será o repasse dessa diferença ao consumidor.

Daniela cita dois principais impactos econômicos que afetam os aumentos desses combustíveis nos postos de combustíveis:

  • Inflação de custos;
  • Variável do câmbio.

A inflação de custos, ou de oferta se refere às variações nos preços causadas por aumento de custos dos ofertantes de bens e serviços da economia, neste caso, no aumento do barril do petróleo. Já a variação do câmbio reflete no custo do dólar, que enfrenta alta volatilidade desde o início da guerra.

“Então você tem um dólar que se torna mais caro e a importação de uma matéria prima mais cara que vai repercutir nos demais preços da economia. Então essa é a forma que a alta do petróleo importado causa para nós”, disse a professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP).

Com a disparada dos ataques em usinas de produção petrolíferes e de gás natural no território iraniano, instituições e entidades ligadas ao setor energético iniciaram uma série de medidas para acompanhar as mudanças internacionais, e entre essas ações está a do aumento no preço do combustíveis em alguns estados, como na Bahia, cujo política de preços não é responsabilidade da Petrobras.

Aos poucos e quase que incontrolavelmente, os postos de combustíveis anunciaram aumentos exorbitantes. Mas qual é o prazo correto para que os postos anunciem esse aumento no preço do petróleo?

O Brasil pode ser potência na produção do produto, mas carece em refino
O Brasil pode ser potência na produção do produto, mas carece em refino | Foto: Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

Segundo Gabriele, é difícil determinar um prazo mínimo ou máximo de repasse porque o país acompanha os preços do produto no mercado à vista e contratos futuros. Ela explica que é comum se ver no mesmo dia qualquer tipo de modificação de preço, mas não daria para dimensionar isso devido a alguns critérios de mercado.

“É o caso do diesel. Cerca de 20, 30% de todo o volume consumido no Brasil é importado, e para esse produto chegar aqui no Brasil, demora mais ou menos 30 dias a partir da data de conclusão da compra. Então mesmo que o preço do petróleo dos derivados do contrato futuro do diesel tenha recuado quando esse produto chegar aqui, o que o importador vai ter em mente é o valor de fechamento da compra”, explica a profissional

Práticas predatórias nos postos de combustíveis

Daniela Cardoso explica ainda que paralelamente aos aumentos internacionais, o Brasil enfrenta uma prática abusiva nos postos de combustíveis, que são as altas desenfreadas da gasolina e do diesel.

Segundo ela, os postos aproveitam o momento da guerra para lucrar em cima do dinamismo da economia aberta e que muitas vezes os produtos sofrem alta mesmo sem anúncios de reajustes.

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Vai caber muito mais ao consumidor saber quem está cobrando muito acima do mercado ou acima da oscilação do preço internacional. O ideal é que os postos esperem o estoque velho de combustível com preço mais barato acabar para aplicar novos ajustes no novo produto, mas não é o que ocorre
Daniela Cardoso Pinto - professora de economia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP).

Há risco de desabastecimento no Brasil?

As especialistas apontam sobre um cenário marcado por desabastecimento dos combustíveis no Brasil. Gabriele relembra que apesar de o país produzir boa parte dos combustíveis, como por exemplo o diesel, que chega a cerca de 80%, e a gasolina a cerca de 90%, há uma parcela de dependência dos produtos importados.

“Mesmo que a gente tenha condições para pagar os preços que estão sendo pedidos no mercado internacional, precisamos ter uma quantidade de produtos disponível para o Brasil, porque tem muito fornecedor que prefere negociar com outras origens que pagam mais do que a gente. Também precisamos de navios disponíveis para entregar porque apesar de a gente ter disposição, ter caixa para adquirir esses produtos, se não termos o transporte do produto para chegar até aqui, nada adianta”, finaliza ela.

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Tags:

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