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Dona de Doritos e Ruffles fecha fábricas e tira produtos de produção

PepsiCo encerrou três unidades, reduziu linhas de produção e decidiu cortar produtos

Iarla Queiroz
Por
PepsiCo fecha três fábricas
PepsiCo fecha três fábricas - Foto: Divulgação | PepsiCo

A PepsiCo, gigante mundial do setor de alimentos e bebidas e responsável por marcas como Doritos, Ruffles, Pepsi, Lay’s, Cheetos, Gatorade, Quaker e Tostitos, está passando por uma reestruturação em sua operação industrial nos Estados Unidos.

A companhia fechou três fábricas, eliminou centenas de postos de trabalho e também começou a retirar do mercado produtos e linhas que apresentam desempenho considerado menor.

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As mudanças estão concentradas principalmente no segmento de alimentos e snacks, que enfrenta queda nos volumes vendidos, consumidores mais atentos aos preços e alterações nos hábitos de alimentação.

Ao mesmo tempo, a empresa vem aumentando os investimentos em automação e produtividade e adotando medidas para reduzir custos.

PepsiCo fecha três fábricas nos Estados Unidos

A própria PepsiCo confirmou o encerramento de três unidades durante o processo de reorganização industrial. Além dos fechamentos, diferentes linhas de produção também foram descontinuadas.

Uma das fábricas estava localizada em Liberty, no estado de Nova York, e era responsável principalmente pela produção do snack PopCorners.

A unidade tinha 287 funcionários e foi fechada depois que a companhia avaliou que o crescimento da marca não era suficiente para manter a estrutura industrial no local.

Apesar do encerramento da fábrica, o PopCorners não deixou de ser comercializado. A PepsiCo manteve o produto no mercado e transferiu sua fabricação para outras operações.

Fábrica com 55 anos encerra atividades

Outra unidade atingida pela reorganização ficava em Rancho Cucamonga, na Califórnia.

A fábrica da Frito-Lay tinha aproximadamente 55 anos de funcionamento e também foi incluída no processo de encerramento.

Nesse caso, a PepsiCo decidiu concentrar a produção em outras unidades consideradas mais eficientes.

A empresa, porém, não divulgou um número definitivo de demissões relacionado especificamente à fábrica de Rancho Cucamonga. Por esse motivo, esses trabalhadores não entram na soma oficial dos desligamentos utilizados no levantamento.

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Fechamento em Orlando atingiu mais de 450 trabalhadores

Em Orlando, na Flórida, a Frito-Lay encerrou uma fábrica e um armazém integrado à operação.

O fechamento afetou 454 trabalhadores. Uma outra estrutura de armazenamento localizada nas proximidades, que tinha cerca de 46 funcionários, também entrou no processo de encerramento.

Considerando as diferentes estruturas atingidas em Orlando, a reorganização alcançou aproximadamente 500 postos de trabalho.

A Frito-Lay integra a PepsiCo e reúne algumas das principais marcas de snacks da companhia, como Doritos, Ruffles, Cheetos, Lay’s e Tostitos.

Demissões já passam de 700 funcionários

Somando os números oficialmente divulgados das unidades de Liberty e Orlando, pelo menos 741 trabalhadores foram diretamente afetados pelos fechamentos.

A conta considera os 287 funcionários da fábrica de Liberty e os 454 trabalhadores ligados à fábrica e ao armazém integrado de Orlando.

O número não inclui os funcionários da unidade de Rancho Cucamonga, já que a PepsiCo não informou quantas demissões foram provocadas especificamente pelo encerramento da fábrica.

Por isso, o impacto total da reestruturação pode ser ainda maior.

Empresa também reduz linhas de produtos

A mudança promovida pela PepsiCo não se limita às fábricas.

A companhia também está diminuindo a quantidade de produtos e linhas de fabricação consideradas menos relevantes comercialmente. A previsão é reduzir em aproximadamente 20% o número de SKUs de alimentos nos Estados Unidos.

A sigla SKU é utilizada pelo varejo para identificar individualmente cada versão de um produto.

Isso significa que sabores, tamanhos, embalagens e diferentes apresentações de uma mesma marca podem ser contabilizados separadamente.

Na prática, portanto, a redução de 20% não representa o fim de 20% das marcas da PepsiCo.

Doritos e Ruffles continuam nas prateleiras

Marcas como Doritos, Ruffles, Lay’s e Cheetos continuam sendo consideradas estratégicas pela companhia.

A PepsiCo não está abandonando esses produtos. A estratégia é diminuir a quantidade de versões que apresentam vendas mais baixas, como determinados sabores, tamanhos e embalagens.

Com menos variedades, a empresa consegue concentrar a produção nos itens mais procurados e utilizar um número menor de linhas industriais.

A medida também faz parte de um esforço para simplificar a cadeia de distribuição.

PepsiCo quer reduzir custos

A companhia vem intensificando as iniciativas voltadas ao aumento da produtividade.

Entre as medidas estão a automação das fábricas, a digitalização de processos, a simplificação da cadeia produtiva e a redução de despesas administrativas.

A PepsiCo também está revisando a estrutura de fábricas, armazéns e centros de distribuição.

O objetivo é melhorar as margens e recuperar o desempenho, principalmente no negócio de alimentos da América do Norte.

Queda nas vendas de salgadinhos aumenta pressão

O mercado de snacks é um dos pontos de atenção para a empresa.

Nos Estados Unidos, consumidores reduziram a frequência de compras em algumas categorias, enquanto os preços mais altos também passaram a pressionar as vendas.

No segundo trimestre de 2026, a divisão de alimentos da PepsiCo na América do Norte registrou mais uma queda nas vendas.

Mesmo após a empresa reduzir os preços de produtos importantes, como Lay’s e Doritos, a recuperação dos volumes permaneceu limitada.

O cenário aumentou a pressão para que a companhia adotasse medidas de redução de custos.

Hábitos dos consumidores também mudaram

Além da questão dos preços, a PepsiCo enfrenta mudanças no comportamento dos consumidores.

A procura aumentou por produtos com mais proteínas e fibras, além de alimentos com menos ingredientes artificiais e menor quantidade de açúcar.

Diante desse cenário, a empresa passou a acelerar alterações em seu portfólio e a desenvolver novas versões de marcas tradicionais.

Um dos exemplos é o Doritos Protein, criado para aproveitar a maior demanda por produtos ricos em proteína.

Ao mesmo tempo, versões consideradas menos relevantes comercialmente começam a deixar de ser produzidas.

Investidor bilionário pressiona por mudanças

A reestruturação também ocorre em meio à pressão de investidores.

O fundo Elliott Management adquiriu uma participação bilionária na PepsiCo e passou a defender mudanças mais profundas para melhorar os resultados da companhia.

Entre os pontos levantados estavam a estrutura de custos, a quantidade de produtos e a eficiência da cadeia industrial.

Depois disso, a empresa acelerou medidas relacionadas à produtividade, ao funcionamento das fábricas e à simplificação do portfólio.

PepsiCo tem mais de 300 mil funcionários

Apesar dos fechamentos, a PepsiCo continua entre as maiores companhias de alimentos e bebidas do mundo.

Ao final de 2025, a empresa tinha aproximadamente 306 mil funcionários em suas operações globais.

Os produtos da companhia são comercializados em mais de 200 países e territórios, incluindo marcas de grande presença nos mercados de bebidas e snacks.

Por isso, o encerramento das fábricas não está relacionado a uma situação de falência. A medida faz parte de uma estratégia de reorganização voltada à redução de custos e ao aumento da rentabilidade.

Brasil não enfrenta onda semelhante de fechamentos

No Brasil, não há atualmente anúncio de uma onda de encerramentos de fábricas da PepsiCo semelhante à registrada nos Estados Unidos.

A companhia mantém operações industriais no país e continua investindo em suas unidades brasileiras.

Uma delas está localizada em Sete Lagoas, em Minas Gerais, onde a PepsiCo realizou recentemente investimentos em novas tecnologias para a produção de snacks.

A empresa também possui unidades em outros estados e continua fabricando marcas conhecidas pelos consumidores brasileiros.

Com isso, Doritos, Ruffles, Cheetos e Lay’s seguem sendo comercializados normalmente no país.

Os principais fechamentos citados nessa reestruturação ocorreram no exterior.

Dona de Doritos de Ruffles muda estratégia

A movimentação mostra uma mudança na estrutura de produção da PepsiCo.

A companhia fechou três fábricas, encerrou linhas industriais e iniciou um processo para reduzir em quase 20% as versões de produtos de sua operação de alimentos nos Estados Unidos.

Somente os fechamentos de Liberty e Orlando já representam 741 trabalhadores diretamente afetados, sem considerar os funcionários da unidade de Rancho Cucamonga.

Enquanto reduz estruturas e corta produtos de menor desempenho, a empresa mantém o foco nas marcas consideradas mais fortes.

A estratégia, portanto, não é deixar de fabricar Doritos ou Ruffles, mas produzir menos variedades, concentrar a fabricação em um número menor de unidades e diminuir custos considerados elevados.

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