EDUCAÇÃO
Escrita aproxima gerações e revela talento de menina de 8 anos
História criada em família ganha versão impressa e incentiva a escrita infantil


Uma brincadeira de criança, um pequeno caderno-chaveiro e o olhar atento de um bisavô apaixonado pelos livros deram origem a uma história que atravessa gerações. No Dia Nacional do Escritor, celebrado neste sábado, 25, e às vésperas do Dia dos Avós, comemorado neste domingo, 26, a trajetória de Maria Eduarda Sampaio, a Duda, de 8 anos, e de seu bisavô, Carlos Alberto Sampaio, de 92, mostra como o incentivo à leitura e à escrita pode fortalecer laços familiares e despertar novos sonhos.
Tudo começou durante uma visita à casa da avó. Depois de brincar por horas, Duda decidiu fazer algo diferente: pegou um pequeno caderno-chaveiro e escreveu uma história do começo ao fim. O texto chamou a atenção da avó, que o compartilhou com o pai, Carlos Sampaio, escritor amador que está finalizando seu terceiro livro.
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Ao ler a narrativa, Carlos enxergou mais do que um exercício infantil. Viu ali uma oportunidade de incentivar a criatividade da bisneta e decidiu transformar o manuscrito em um livreto impresso, entregue como presente de aniversário pelos seus 8 anos.
"Li a história, que tinha poucos erros de português, e pensei em incentivá-la a continuar escrevendo. Gosto de escrever e estou em fase de publicação do meu terceiro livro. Levei o texto até a tipografia e o editor concordou com a ideia. Foi uma alegria vê-la escrevendo as dedicatórias, feliz e consciente do valor daquele livro", conta Carlos.
Para o bisavô, a iniciativa também representa um convite para que as novas gerações mantenham o hábito da leitura em tempos dominados pelas telas.
"Na atualidade, com o advento dos celulares, a leitura de livros está ficando em segundo plano. Quem não lê, não aprende. Os avós podem aproveitar momentos como esse para oferecer mais luz ao caminho das crianças. A Duda escreveu algo por conta própria, e eu vi ali o momento certo para incentivá-la".

Uma história sobre empatia
No livreto, Duda narra a trajetória de duas meninas, Lara e "A Chatona", que disputam popularidade na escola. Entre desentendimentos, afastamentos e reencontros, as personagens aprendem a enxergar o lado uma da outra e descobrem o valor da amizade e da empatia.
A mãe da menina, a psicóloga Daniela Guimarães Sampaio Ferreira, afirma que o surgimento da história surpreendeu toda a família por ter sido uma iniciativa espontânea.
"Foi uma surpresa para a gente, porque foi uma escrita livre. Ela parou a brincadeira e resolveu escrever uma história com início, meio e fim. Foi muito bonito perceber esse interesse pela escrita".

Segundo Daniela, o gosto pelos livros foi cultivado desde os primeiros anos de vida, sem cobranças, mas por meio de experiências prazerosas.
"Desde bebê estimulamos a leitura com livros infantis. Mensalmente compramos livros e fazemos leituras em família. A escola também contribui com a ciranda de livros. A escrita foi acontecendo naturalmente, respeitando o tempo dela, despertando curiosidade e criatividade".
Para ela, o projeto ultrapassa a publicação do livreto e representa uma experiência afetiva capaz de aproximar diferentes gerações.
"Essa experiência mostrou a importância de uma conexão diferente da que vemos hoje. É uma conexão consigo mesma e com o outro. A escrita atravessou gerações, aproximou a bisneta do bisavô e fortaleceu vínculos familiares".
O sonho de continuar escrevendo
A protagonista da história também já faz planos para o futuro. Duda conta que pretende escrever novas aventuras.
Enquanto distribui exemplares para familiares e colegas da escola, ela também se diverte com uma das partes favoritas do processo. "Está sendo muito legal fazer os autógrafos para minha família e meus amigos".
Para além de um presente de aniversário, o pequeno livreto tornou-se um símbolo da herança deixada pelas palavras. Em uma família onde o amor pela literatura já faz parte da história, a escrita encontrou um novo caminho para seguir viva, agora pelas mãos de uma menina que descobriu, em uma simples brincadeira, o prazer de criar histórias.


