EDUCAÇÃO
Estudantes de Itabuna chegam à semifinal de olimpíada de História
Em sua primeira participação na ONHB, estudantes superam milhares de inscritos


Duas estudantes da Escola Municipal Heribaldo Dantas, em Itabuna, no Sul da Bahia, chegaram à semifinal estadual da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), organizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Júlia Tavares e Giovana Marcela, integrantes da equipe Corujas do Sul, avançaram até a quarta fase da competição, que reuniu milhares de equipes de todo o país.
Localizada no bairro São Pedro, a unidade pertence ao Sítio III da Fundação Marimbeta – Sítios da Integração da Criança e do Adolescente. A participação marcou a primeira experiência da escola na olimpíada, que envolve estudantes do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Leia Também:
Ao todo, a escola inscreveu cinco equipes. Na primeira fase, todas avançaram, em uma competição que começou com 64.587 equipes. Na segunda etapa, novamente as cinco equipes passaram de fase, entre aproximadamente 38.458 participantes. Na terceira, duas equipes da unidade escolar avançaram entre cerca de 21 mil equipes e chegaram à semifinal estadual.
Para a professora de História Beatriz Gonçalves, um dos principais desafios foi desenvolver entre os estudantes uma dinâmica de trabalho realmente colaborativa. “Principal desafio foi entender como funciona o trabalho colaborativo na Olimpíada de História, aprender realmente a trabalhar em conjunto e não apenas dividir tarefas e demandas”, explica.
A competição exige dos participantes pesquisa, interpretação e análise de diferentes fontes históricas, como textos, imagens, cartas e documentos. Segundo a professora, os estudantes também precisaram desenvolver a capacidade de identificar, entre diferentes possibilidades, a resposta mais adequada para cada questão.
A experiência contribuiu para o desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico, raciocínio lógico, interpretação de textos e documentos e capacidade de relacionar acontecimentos históricos em diferentes períodos e contextos.
A preparação também envolveu professores de outras áreas. Profissionais de Geografia, Língua Portuguesa e Matemática colaboraram com as equipes, principalmente em atividades relacionadas à interpretação, leitura, análise e organização do raciocínio.
O professor de História Mither Amorim Mendonça de Aziz Lima destaca que a competição exigiu dos estudantes não apenas conhecimento histórico, mas também concentração e capacidade de lidar com questões complexas sob pressão.
“Ficamos a 0,3 de estarmos na final nacional na nossa primeira participação, na verdade na primeira participação de uma escola de nossa rede municipal”, afirma. Para ele, entre os principais resultados da experiência estão o estímulo à pesquisa, à reflexão crítica e à construção de um raciocínio mais autônomo.
A diretora da escola, Vânia Maria Menezes Borges, também destaca o impacto da participação para a comunidade escolar. Segundo ela, a experiência permitiu aos estudantes ampliar conhecimentos e desenvolver o senso crítico, além de representar um novo espaço de aprendizagem.

Para as estudantes, chegar à semifinal teve um significado ainda maior por se tratar da primeira participação na competição. Júlia Tavares conta que, inicialmente, não acreditava que poderia avançar tanto.
“É surpreendente o fato de irmos tão longe, mesmo sabendo do nosso potencial, mas por ser algo novo e que eu não tinha ideia de como funcionava me pegava imaginando que meu conhecimento sobre História era o mínimo e que eu não tinha capacidade pra estar ali”, relata.
Entre os obstáculos encontrados durante a competição, ela cita principalmente a interpretação dos textos. “Dentro da olimpíada, meu maior desafio foram os textos, por serem extensos e na grande maioria com uma escrita diferente da que estamos acostumados”, afirma.
Com a prática, porém, a estudante Giovana Marcela diz ter conseguido melhorar a capacidade de concentração e interpretação. Para ela, a experiência também serviu para reforçar a confiança no potencial dos alunos da rede pública.
“É muito gratificante mostrar que estar em uma escola pública municipal localizada em um bairro periférico não significa que somos inferiores a escolas ‘bem’ localizadas e particulares. E mostrar que somos capazes porque temos mentes brilhantes e vamos ainda mais longe”, afirma.
As estudantes apontam o interesse pela História e a vontade de conhecer mais sobre o Brasil como principais motivações para participar da olimpíada. A preparação envolveu pesquisas, leituras e discussões entre os integrantes da equipe para compreender as questões.
A chegada à semifinal, segundo elas, não estava entre as expectativas iniciais. “Começamos querendo participar e aprender, e quando percebemos que estávamos avançando, ficamos muito felizes e orgulhosos”, relatam.
A Grande Final Presencial da 18ª edição da ONHB será realizada no dia 29 de setembro, em Campinas (SP), seguida pela cerimônia de premiação no dia 30. A equipe da Escola Municipal Heribaldo Dantas ficou a 0,3 ponto da classificação para a etapa nacional.


