EDUCAÇÃO
Fórum em Salvador discute práticas de mediação de leitura nas escolas
Evento discutiu o papel da sociedade na construção de leitores críticos


A formação de leitores críticos em um cenário marcado pela presença crescente das tecnologias digitais esteve no centro dos debates do IV Fórum de Sociologia da Leitura, realizado nesta terça-feira, 28, em Salvador.
Promovido pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em parceria com a Secretaria Municipal da Educação (Smed), o encontro, realizado no Centro de Formação de Professores Emília Ferreiro, reuniu pesquisadores, professores e mediadores de leitura para discutir práticas de mediação literária, circulação do livro e formação de leitores.
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Com o tema "Práticas de leitura e mediação literária", a programação incluiu conferência, mesas temáticas, apresentações de experiências no Varal de Notícias, lançamento do livro Literatura Infantil e Juvenil: leitura e ensino, em homenagem à professora Vera Teixeira de Aguiar, além de debates sobre comunidades leitoras, relações étnico-raciais e estratégias de mediação da leitura. O objetivo foi promover a troca de experiências entre pesquisadores, docentes e profissionais da educação, fortalecendo práticas de incentivo à leitura nas escolas.
Coordenadora do fórum, a professora da UNEB Luciana Moreno explicou que a principal novidade desta edição é justamente o foco na mediação da leitura, destacando que o acesso aos livros, por si só, não garante a formação de leitores.
"Não adianta ter só um acervo, não adianta ter só livros, ter feiras e festas literárias. É importante que exista um personagem fundamental que aproxime os leitores dos livros e de uma leitura crítica. Esse personagem é o mediador", afirmou.
Para a pesquisadora, um dos principais obstáculos enfrentados pelo Brasil é atribuir exclusivamente à escola a responsabilidade pela formação de leitores.
"A sociedade brasileira entendeu que a escola é a única responsável pela leitura. A escola tem um papel fundamental, mas toda a sociedade deveria estar implicada na formação de leitores, porque todos se beneficiam disso", ressaltou.
Luciana também defendeu que as tecnologias digitais não devem ser encaradas como inimigas da leitura.
"As telas não são nossas inimigas. No WhatsApp as pessoas escrevem mais, no Instagram há cada vez mais textos e novos autores surgem nesses espaços. O grande desafio é ampliar o repertório dos mediadores e valorizar diferentes produções literárias, para que mais pessoas se reconheçam na literatura", disse.
A professora ainda destacou a importância de aproximar universidade e educação básica. Segundo ela, políticas de inclusão ampliaram esse diálogo e fortaleceram a presença das demandas das escolas dentro da universidade.

Para a professora de Língua Portuguesa Rejane Dias, da Escola Municipal Narvés de Magalhães, em Castelo Branco, participar do evento representa uma oportunidade permanente de aperfeiçoamento profissional.
"Quando se trata de leitura e escrita, é sempre importante que o professor acompanhe. A gente sempre aprende. Conhecimento é sempre importante", afirmou.
Ela observa que a concorrência com as mídias digitais tornou o incentivo à leitura mais desafiador, mas acredita que o trabalho desenvolvido em sala de aula continua produzindo resultados.
"Os alunos se interessam muito mais pelas mídias do que pelo livro propriamente dito. É uma luta, mas a gente consegue incentivar. A função da escola é formar cidadãos críticos, e isso passa necessariamente pela leitura."
O professor David dos Santos, que leciona Língua Portuguesa na rede municipal de Salvador e é mestrando em Linguagens, reforçou a importância da formação continuada para os educadores.
"O professor não pode ficar estanque naquilo que sabe. O conhecimento não é finito e ele precisa estar sempre se aprimorando para levar esse aprendizado aos alunos", afirmou.
Na avaliação dele, o uso excessivo das redes sociais interfere diretamente na formação leitora dos estudantes.
"Hoje os jovens leem muito pouco. Eles estão muito focados nas redes sociais e isso acaba reduzindo o tempo dedicado aos livros, prejudicando inclusive a escrita e a preparação para vestibulares."
Parceira da organização do evento, a gerente dos Anos Finais e da Educação de Jovens e Adultos da Smed, Consuelo Almeida, destacou que o fórum fortalece o vínculo entre a universidade e a educação básica.
"A universidade traz a pesquisa e o conhecimento acadêmico, enquanto a escola vive a prática cotidiana da aprendizagem. Quando esses dois espaços dialogam, quem ganha é o professor e, consequentemente, os estudantes", afirmou.
Segundo ela, o encontro também amplia o conhecimento dos educadores sobre autores brasileiros e baianos da literatura infantil e juvenil, contribuindo para diversificar as obras trabalhadas nas salas de aula.


